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Fatos alternativos – por José Renato Ferraz da Silveira e Pietra Lemberck

“O discurso pós-moderno da “nova esquerda” emigrou para a “nova direita”

“E quando escutamos os “fatos alternativos” de Kellyanne Conway ou as incontáveis “inverdades” do seu patrão, perguntamos seriamente se eles alguma vez leram Derrida. A verdade, para eles, também se abre a uma multiplicidade de interpretações, a uma infinitude de sentidos, porque a “instabilidade” e a “indeterminação” das palavras autorizam tudo e o seu contrário”. João Pereira Coutinho

 “Fatos alternativos.” Ouvimos essa expressão pela boca tenebrosa de Kellyanne Conway, conselheira política de Donald Trump no primeiro mandato do “agente laranja”.

O pretexto, se bem lembramos, era saber quantas pessoas haviam estado na posse de Trump, em Washington.

Os jornalistas diziam um número (modesto). Kellyanne dizia outro (estratosférico).

O âncora que a entrevistava na TV insistia na verdade dos fatos.

Kellyanne, perfeitamente blasé e aborrecida, respondia que os números em que acreditava eram “fatos alternativos”.

Naquele momento, pensamos: “quem diria que os novos conservadores eram tão pós-modernos”?

O ombudsman do pensamento alheio

O escritor João Pereira Coutinho (longe de ser um esquerdista, marxista, vermelho ou outro rótulo, ou seja, rabiscar panfletos) usou a expressão no sentido próprio: “se a verdade não passa de uma quimera, o que resta são as múltiplas verdades que a minha subjetividade produz”.

Ah, a propósito tem um leitor (comentarista) desse espaço aqui que vive nestes “fatos alternativos” (É o “Ombudsman” do pensamento alheio). Qualquer texto ou assunto que lhe desagrade em sua visão de mundo e, ou, sinalize críticas ao trumpismo e ao bolsonarismo coloca o autor como alvo.

A nova direita do século XXI

Lembrando que o discurso pós-moderno que a “nova esquerda” (abraçou na década de 1960) emigrou para a “nova direita” do século 21. É só ver a guerra cultural que o bolsonarismo e os trumpistas realizam todos os dias. Brasil e Estados Unidos nunca pareceram tanto como na última década. Parecem irmãos siameses. Acerca da presente temática dos fatos alternativos, há um livro formidável de Michiko Kakutani, “A Morte da Verdade: Notas sobre a Mentira na Era Trump”: o livro exibe erudição e inteligência ferina, procurando explicar as raízes históricas e intelectuais dos “fatos alternativos” de Donald Trump e sua turma. E, entre essas raízes, Kakutani, uma progressista imaculada, não hesita em fazer um “mea culpa”. Coutinho afirma: “na década de 1960, a contracultura foi importante ao questionar velhas convenções morais, sem falar do seu espírito saudavelmente anarquista e antiautoritário. Mas a contracultura também legou —ou, melhor dizendo, ressuscitou— uma desconfiança instintiva da razão e da racionalidade, entendendo ambas como meras construções burguesas, ocidentais, opressivas, ao serviço da classe dominante. Na ânsia de derrubar falsos ídolos, o relativismo que brotou das universidades americanas, e que tanto desesperava conservadores como Irving Kristol ou Allan Bloom, defendia a radical subjetividade do eu, princípio e fim de todo o conhecimento e de toda a verdade”. Hoje em dia, os novos conservadores parecem ter aprendido a lição com os pós-modernistas do passado. “Nada é sagrado para eles: nem a razão, nem a moral, nem a ciência, muito menos as elites intelectuais ou esses antros de criminalidade que dão pelo nome de “universidades” (João Pereira Coutinho).

Voltando ao comentarista frequente aqui diz que não é necessário doutorado para escrever panfletos. Ele segue a mesma linha desse pensamento. Um “troll” da alt-right.

Mas é um desprazer e um deleite sádico lê-lo se contradizendo…É o nosso resumo da ópera!

Niilismo contemporâneo

Em alguns momentos, identificamos esse “movimento” como um niilismo. E esse niilismo contemporâneo nem a ciência respeita. A ciência é apenas mais uma forma discursiva entre várias formas possíveis. É como disse um senador gaúcho no período da pandemia: “devemos escutar os dois lados da verdade”. Sim, que interessa vacinar as crianças contra o coronavírus quando a internet garante que as vacinas provocam autismo e “podemos virar jacaré”? Enfim, como diz Coutinho (autor do livro As ideias conservadoras): “Estamos afundados em mentiras”. Salve-se quem puder!

(*) José Renato Ferraz da Silveira, que escreve às terças-feiras no site, é professor Associado IV da Universidade Federal de Santa Maria, lotado no Departamento de Economia e Relações Internacionais. É Graduado em Relações Internacionais pela PUC-SP e em História pela Ulbra. Mestre e Doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP. Colunista do Diário de Santa Maria. Participou por cinco anos do Programa Sala de Debate, da rádio CDN, do Diário de Santa Maria. Contribuições ao jornal O Globo, Sputnik Brasil, Rádio Aparecida, Jornal da Cidade, RTP Portugal. Editor chefe da Revista InterAção – Revista de Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) (ISSN 2357- 7975) Qualis A-2. Editor Associado da Scientific Journal Index. Também é líder do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP)

Pietra Lemberck é estudante de Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Maria e membro do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP).

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21 Comentários

  1. Resumo da opera final. Não comento mais esta coluna. Autor pode escrever como esta acostumado, professoralmente sem contradita.

  2. Resumo da opera III. Qualquer militante, não importa a ideologia, é tão irrelevante quanto todos os/as outros(as) NPC. Daqui 50 anos só restarão os ossos. Ou as cinzas.

    1. É provável! Mas você?! Quem é você? Usa pseudônimo de modo covarde e desrespeitoso e sempre sendo deselegante com os autores desse espaço. Você já ocupa cinzas nesse planeta e é irrelevante há muito tempo e eu já sei quem é você

    2. Lenin já dizia. ‘Acuse-os do que você faz, chame-os do que você é.’ Sem stress.

  3. Resumo da opera II. Para escrever panfletos não é necessario doutorado. Mas exige, as vezes, ajuda da graduação. Kuakuakuakuakuakua!

    1. Estou ajudando a gurizada a pensar e escrever. Não é ajuda! É colaboração…algo que você não aprendeu a fazer seu “cinzas”.

    2. ‘Ajudando a pensar’. Hummm….. Colaboração que vai para o Lattes deles depois?

  4. Resumo da opera. Kuakuakuakuakuakuakua! Parafrases e citações das ‘humanas’ explicam-se facilmente, falta talento para produzir algo original. A falta de evidencias mostra o desrespeito ao metodo cientifico. Vermelhos? Mentiras, omissões, desqualificações, truquezinhos baratos, etc. É o que a casa tem para oferecer.

  5. Coutinho é um ilustre desconhecido fora da Torre de Marfim. Derrida idem. No nobre exercicio de bricolagem de citações e parafrases que as ciencias humanas se ocupam não é possivel dizer que estão no mesmo patamar. Heidegger, aquele com muitos problemas, para ‘inticar’ com o frances escreveu que só era possivel filosofar em alemão e grego. Egos inchados da Torre de Marfim.

    1. e você, querido Brando? já publicou algo além de comentar por aqui?

    1. Nem preciso. você não para de se contradizer. É o tempo todo! a cada semana é uma contradição. Releia seus comentários. hahahahaha

  6. ‘[…] há um livro formidável de Michiko Kakutani,[…]’. ‘[…] Kakutani, uma progressista imaculada, […]’. ‘[…] o livro exibe erudição e inteligência ferina,[…]’. Truquezinho. Um livro só, quase ninguém leu, mas é ‘incrivel, fantastico, extraordinario’ porque ‘confirma o que desejo afirmar’.

  7. ‘[…] emigrou para a “nova direita” do século 21. É só ver a guerra cultural […]’. Ideologia vermelha. Utilizando Gramsci e Escola de Frankfurt iniciaram uma especie de revolução cultural maoista na Ianquelandia. Na ilusão dos vermelhos, como são o farol que ilumina o futuro da ‘humanidade’, aos demais só restaria ‘apanharem quietos’. Como só sabem negar e destruir, não tem nada que funcione para colocar no lugar, a maionese desandou e deu no que deu.

  8. Chamar de trumpista ou cavalista é desqualificação. Falta de argumento. Negocio é mostrar os recibos. Citar 5 exemplos.

  9. ‘Qualquer texto ou assunto que lhe desagrade em sua visão de mundo e, ou, sinalize críticas ao trumpismo e ao bolsonarismo coloca o autor como alvo.’ As pessoas podem ‘pensar’ o que desejarem. Porém na critica não deveriam omitir detalhes ou alterar fatos. Simples assim. Quem não sabe brincar que não desça para o playground.

  10. ‘[…] que vive nestes “fatos alternativos” (É o “Ombudsman” do pensamento alheio).’ Bem básico. Cite 5 fatos alternativos e embase a afirmação.

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