A política como inimizade – por Marionaldo Ferreira
“O grande desafio para as democracias contemporâneas é superar essa lógica”

Carl Schmitt, jurista e filósofo político alemão, foi um dos principais teóricos do regime nazista e um pensador cujas ideias continuam a influenciar concepções contemporâneas da política. Sua visão central estava ancorada na distinção entre amigos e inimigos, afirmando que toda política verdadeira nasce da capacidade de decidir quem é o adversário.
Para Schmitt, a essência do político não está na conciliação, mas na separação. Não na mediação, mas no conflito. A política, em sua visão, exige um antagonismo claro, pois é nesse embate que as identidades se formam e o poder se consolida.
O pensamento de Schmitt oferece uma matriz intelectual para movimentos autoritários que veem a democracia liberal com desconfiança. Ao pregar que a política deve ser conduzida com base na identificação e na neutralização do inimigo, ele abre espaço para uma concepção radical e excludente da governança.
Mais do que isso, ele rejeita qualquer noção de empatia na esfera política. A empatia, segundo essa lógica, é uma fraqueza porque aproxima, porque dissolve a distinção entre “nós” e “eles”. No seu lugar, deve-se cultivar a desconfiança e a hostilidade, pois o outro não é um interlocutor, mas uma ameaça.
A nova direita global tem aplicado essa lógica ao pé da letra. Desde a ascensão de lideranças populistas na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina, a política tem sido reduzida a uma luta incessante contra inimigos supostos: imigrantes, ambientalistas, intelectuais, jornalistas, minorias. Qualquer tentativa de mediação é vista como traição, qualquer apelo ao cuidado e à compaixão é tratado como sinal de fraqueza. O objetivo não é governar para todos, mas consolidar um bloco homogêneo contra um inimigo comum.
Esse fenômeno se manifesta de maneira concreta em discursos que demonizam adversários, criminalizam o pensamento divergente e tratam a oposição não como um contraponto legítimo, mas como uma ameaça existencial. As redes sociais amplificam esse processo, transformando a política em um espetáculo de hostilidade contínua, onde o insulto e a desqualificação substituem o debate e a construção coletiva.
O grande desafio para as democracias contemporâneas é superar essa lógica schmittiana que reduz a política a um campo de guerra permanente. Isso não significa ignorar as disputas ou eliminar as diferenças, mas sim encontrar formas de conviver com elas sem recorrer à destruição do outro.
A empatia, que Schmitt desprezava, precisa ser resgatada como uma força política transformadora. Não se trata de ingenuidade, mas de um compromisso com a ideia de que o diálogo e a cooperação são elementos fundamentais para qualquer sociedade que queira permanecer democrática.
A política não precisa ser um jogo de soma zero, onde um lado só pode existir à custa do aniquilamento do outro. A história já demonstrou os perigos de se seguir a lógica da inimizade absoluta. O desafio do presente é construir alternativas que resgatem a política como espaço de mediação, de pluralidade e de reconhecimento mútuo. Esse é o verdadeiro embate do nosso tempo.
(*) Marionaldo Ferreira é servidor aposentado da UFSM. Tecnólogo em Processos Gerenciais, Especialista em Administração e Marketing, Psicanalista em formação e tem, também, MBA em Gestão de Projetos. Seus textos são publicados nas madrugadas de segunda-feira.





Resumo da opera III. Eu também sou muito legal. Além de muito ‘empatico’ sou bastante ‘humanista’. Kuakuakuakuakuakua!
Resumo da opera II, a missão. Ainda no quesito ‘intelectuais’. Youtube. Le Figaro. ‘Direita Global’. Uma professora de direito reclamando que ‘nossos estudantes não sabem mais escrever’. Culpa os baixos salarios, a burocracia do ministerio da educação (não os governos que mudam). https://www.youtube.com/watch?v=7Pl4rvZ9amc
Resumo da opera. Total zero. Mais do mesmo. Tentativa de exclusão da ‘direita global’. ‘Não votem neles porque são bobos, chatos e feios’. Resolver problemas é coisa da Globo.
‘ O desafio do presente é construir alternativas que resgatem a política […]’. Receita ideologica, ‘construir’. ‘Vamos todos sentar numa assembleia e decidir’. Não é assim que funciona. A historia vai seguir seu curso, qualquer que seja, e dar no que der. Sem Marx ou Hegel.
‘O grande desafio para as democracias contemporâneas é superar essa lógica schmittiana […]’. O subterfugio infantil de chamar os outros de n@zis. Cita-se um monte de generalidades, cata-se milho superficialmente num autor que está longe de ser simples e cria-se uma receita teórica. Problema é que as coisas não chegaram ao ponto que chegaram porque todo mundo leu Carl Schmitt. Até porque a maioria não le.
‘A nova direita global tem aplicado essa lógica ao pé da letra.’ Nesta hora fica evidente o ‘só os outros fazem, nos somos santinhos’. Negocio é mandar os outros para a vala, bem entendido.
‘[…] criminalizam o pensamento divergente e tratam a oposição não como um contraponto legítimo, mas como uma ameaça existencial.’ Cristiano Zanin, ex-advogado do Rato Rouco escreveu um manual, ‘Lawfare’.
Minorias foram manipuladas para servirem de escudo no embate politico. Vermelhos queriam utilizar sua ‘superioridade moral’ auto-atribuida para a sociedade girar em torno das minorias. Que não devem ser abandonadas ou ter seus direitos desrespeitados. Porém existem problemas comuns que tem prioridade. Não existe nada mais democratico e inclusivo que um fila do SUS.
Jornalistas majoritariamente tem lado, ideologia e agenda. Acham que ‘influem’ na opinião publica (sempre tem algum imbecil que é influenciado). Emitem opinião sem ter formação em toda e qualquer area, não diferem nisto dos ‘especialistas de redes sociais’.
‘Intelectual’ não é uma profissão. Não existe um requisito a ser cumprido para merecer o epiteto. Geralmente quem declara alguém ‘intelectual’ é a propria Academia e a imprensa. Depois existe o aparelhamento. Harvard Crimson (jornal dos estudantes da instituição) fez uma pesquisa (em 2023) a respeito da Faculdade de Artes e Ciencias, o maior ‘departamento’ da instituição. Curso desde antropologia até fisica. Mais de 3/4 dos professores se declaram ‘liberais’. 20% se declaram moderados. 0.4% muito conservadores. 2,5% conservadores. Existe ‘diversidade’, mas não precisa dizer quem ‘manda’. https://www.thecrimson.com/article/2023/5/22/faculty-survey-2023-politics/
Ambientalistas forçaram uma mudança de matriz energetica rapida e feita a facão. Blackout da semana passada na Espanha mostra isto, ‘fenomeno raro’ só acredita quem é bobo. Parece o apagão que ocorreu no Brasil em agosto de 23. Alas, ocorreu um no Chile em fevereiro deste ano. Financial Times do final de semana noticiou que a rede eletrica europeia não estava pronta para o acrescimo de energias renovaveis que aconteceu. Em alguns lugares tem 40, 50 anos. Necessario meio trilhão de euros para consertar. Dinheiro que não existe.
‘[…] a política tem sido reduzida a uma luta incessante contra inimigos supostos: imigrantes, ambientalistas, intelectuais, jornalistas, minorias.’ Imigrações em massa trouxeram uma serie de problemas para os paises.
Bem simples, a ‘democracia’ não entregou as respostas e soluções que prometia. Há que se analisar as causas. No Brasil a classe politica (como o alto funcionalismo publico, a burocracia, o judiciario) virou uma sanguessuga da nação. Bem simples.
O que se vê neste texto, e muitos outros, é que se discute ‘identidade’, não idéias ou propostas. Problemas que ficam sem solução. ‘Eles são manobristas, taxistas, taxidermistas, logo devemos ser contra e não prestar atenção no que eles falam, expurgá-los do processo politico e fim de historia’. Obviamente os manobritas, taxistas, taxidermistas devem, mal parafraseando Dylan Thomas, ‘ir gentilmente para a boa noite’. Ou como diz o petista governador da Bahia ‘ir todos para a vala’. https://www.youtube.com/watch?v=t6k_JRqJnHI
Herbert Marcuse considerava Carl Schmitt ‘o mais brilhante teorico n@zist@’. Marcuse, teoria critica, Escola de Frankfurt.