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Duquesa de Longueville – por Elen Biguelini

A vida movimentada da princesa Anne Geneviève de Bourbon Condé

Continuamos nossa série sobre as Sallonnières da história com uma princesa francesa, Anne Geneviève de Bourbon Condé (ou Ana Genoveva de Bourbon), a duquesa de Longueville.

Nascida em uma prisão, Vincennes, em 28 de agosto de 1619, foi conhecida como a “heroína francesa da Fronda”, uma série de guerras civis francesas durante o século XVI que pretendia conter o poder real. Ela foi única filha de Henrique II de Bourbon (1548-1646) com Charlotte de Montmorency (1594-1650), que estavam presos por oposição política quando de seu nascimento. 

Viu seu tio materno ser executado por sua opinião política, mas após a morte do Cardinal Richelieau, que durante anos dominou a política francesa, seu pai se tornou o responsável pela regência do futuro Louis XIV, o Rei Sol.

Ela teve uma exímia educação em convento Carmelita de Paris e ainda jovem, em 1635, era conhecida por sua beleza, juventude, exuberância e inteligência. 

Casou aos vinte e três anos com o já viúvo Henri II d’Orléans, duque de Longueville (1595-1663), que era então governador da Normandia. Desgostada da relação do marido com uma amante e da união infeliz, foi também participante de diversas escapadas amorosas. Foi amante do duque de La Rochefoucauld (1613-1680), um dos autores mais importantes do movimento da Fronda. Ele utilizou do sentimento da duquesa para conseguir favores políticos com seu pai e irmãos.

Supõe-se que Marie de Rohan-Montbazon, duquesa de Chevreuse (1600-1679) teria sido amante de seu marido e espalhado publicamente cartas entre a duquesa de Longueville e seu amante para denegrir a imagem da jovem nova esposa de seu amante.

Participou ativamente da Fronda, sendo que esta colocou membros de sua própria família em lados opostos. Alguns estavam do lado dos revoltosos, outros, incluso um de seus irmãos, no lado da coroa.

Abandonada por La Rochefoucauld em 1659 foi para a Normandia, onde se exilou até 1663, quando morreu seu marido. Quando retornou, abriu em Paris seu famoso salão, frequentado pelos mais celebres literatos do período. Foi então que passou a demonstrar tendencias Jansenistas. O jansenismo foi um movimento teológico e político que pretendia um retorno às doutrinas de Santo Agostinho.

No final de sua vida, exilou-se novamente junto ao Convento Carmelita no qual havia sido educada, especialmente após o falecimento de um de seus filhos, em 1672. Outro de seus filhos renunciou o titulo que herdaria para se tornar um frei jesuíta.

Faleceu em Paris, em 5 de abril de 1679, tendo vivido seus últimos anos reclusa, devido à saúde debilitada.

Referências:

Retrato da duquesa, de autoria de Charles Beabrum. Acesso via: https://www.meisterdrucke.pt/impressoes-artisticas-sofisticadas/Charles-Beaubrun/703733/Anne-Genevieve-Bourbon-Conde-1619-1679,-Duquesa-de-Longueville,-meados-do-s%C3%A9culo-XVII..html

Retratos da duquesa, encontrados no Museu do Louvre. Acesso via: https://collections.louvre.fr/en/ark:/53355/cl020113090

Leitão Bandeira, Lourdes. “Salões culturais abertos por figuras femininas: O salão ‘Univeristas Gratie’”. Lisboa: Carvalho e Simões Lda, 2006. p. 78.

Página sobre a duquesa de Longueville na Enciclopedia Brittanica. Acesso via: https://www-britannica-com.translate.goog/biography/Anne-Genevieve-de-Bourbon-Conde-Duchesse-de-Longueville

Página sobre a duquesa de Longueville na Encyclopedia. Acesso via: https://www.encyclopedia.com/women/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/longueville-anne-genevieve-duchesse-de-1619-1679

(*) Elen Biguelini é doutora em História (Universidade de Coimbra, 2017) e Mestre em Estudos Feministas (Universidade de Coimbra, 2012), tendo como foco a pesquisa na história das mulheres e da autoria feminina durante o século XIX. Ela escreve semanalmente aos domingos, no Site.

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