
Por Guilherme Zanini (com foto de Nathan Oliveira) / Da Assessoria de Imprensa do Parlamentar (*)
Os altos índices de violência policial no Rio Grande do Sul fizeram a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa pedir explicações ao comando da Brigada Militar. Foi solicitada à corporação uma reunião com o corregedor-geral. A intenção é cobrar explicações, buscar providências e interromper os abusos cometidos durante abordagens.
Somente nos últimos dias, três casos geraram repercussão na mídia e comoção da sociedade gaúcha. Em Santa Maria, na região central do RS, um agricultor de 53 anos (*) foi morto dentro do próprio galpão por supostamente cortar lenha sem autorização. Em Guaíba, na região metropolitana, um homem está em coma após ser imobilizado com um golpe “mata-leão”, aplicado durante uma abordagem. Também causou forte reação a divulgação de um video em que um homem imobilizado é morto a tiros por um policial militar. O crime ocorreu em março de 2025, na cidade de Bom Jesus, região dos campos de cima da serra. À época, foi alegado que o jovem de 19 anos havia sido baleado por reagir com uma faca à abordagem.
Para o presidente da Comissão, o deputado estadual Adão Pretto Filho (PT), esse padrão de violência não pode ser tratado como exceção. “Não é legítima defesa quando a pessoa está rendida. A Brigada precisa proteger vidas, não tirar”, afirmou.
Nesta quinta-feira, foi confirmada a troca no comando da corregedoria da Brigada Militar do RS, com a saída do coronel Vladimir da Rosa, para a entrada do coronel Rodrigo Assis Brasil Ramos Aro. Mesmo diante da troca no comando, o presidente da CCDH acredita que será necessário manter a cobrança e diminuir os casos de violência policial – especialmente da Brigada Militar no Rio Grande do Sul.
“A Comissão quer investigações sérias, transparência e punições à altura. Não vamos aceitar versões oficiais que tentam normalizar a morte de quem já está imobilizado. Segurança pública tem que respeitar o direito mais básico de todos: o de viver”, concluiu Adão.
(*) Acréscimo do editor. Entre os casos citados está o do agricultor Valdemar Both, morto no interior santa-mariense, em operação da Brigada Militar, e cujo nome não foi referido pelo deputado.





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