Condessa de Egmont (conhecida como Septimanie de Egemont) – por Elen Biguelini
A talentosa para as letras, filha de Richelieu e conselheira eterna de rei suiço

Jeanne-Sophie (ou Jeanne-Louise-Armande-Élisabeth-Sophie-Septimanie) de Vignerot du Plessis era a filha do Duque e Marechal Richelieu (1696-1788), importante membro da política francesa setecentista e de sua esposa Élisabeth-Sophie de Lorraine (1710-1740). Nascida em primeiro de março de 1740 em Montpellier, no sul da França.
Foi educada e viveu junto a uma tia, a duquesa de Aguion, Anne-Charlotte de Crussol-Florensac (1700 – 1772) em um convento até seu casamento, em 10 de fevereiro de 1756. Seu talento para as letras e para o salão literário é consequência da educação que recebera tanto da tia quanto das freiras que a acompanharam.
Através desta união com Casimir Pignatelli, principe de Gavre e Conde de Egmont e de Braine, assim como Duque de Bisaccia (1727-1801), tornou-se condessa de Egemont. Nota-se que casou com apenas 15 anos e que a união não representou sua felicidade, tendo permanecido sem filhos e vivendo longe do marido a maior parte de seu casamento.
Em sua casa em Paris recebeu toda a gama de altos literatos do período. Entre eles Voltaire (1694-1778), Rousseau (1712-1778), Grétry, Monsigny, Ruthière, Roslin e outros. Seu salão rivalizava com o de Madame du Barry. Conheceu em seu salão um embaixador da suíça, o conde de Creutz, que a apresentou ao futuro rei, Gustavo III, com quem manteve uma correspondência até sua morte. Sendo filha de Richelieu e membro da elite literária e cultural, participava politicamente através de seus salões, especialmente através da rivalidade com a Du Barry.
Passou os três últimos anos de sua vida acamada, com uma amiga que lhe fazia companhia, a madame Feydeau de Mesmes, que continuou a auxiliar a amiga em suas cartas ao então rei suíço, o quem aconselhou até o final de sua vida.
Morreu em 14 de outubro de 1773 aos 33 anos, possivelmente de tuberculose.
Duas obras de autoria feminina francesa oitocentista celebram sua vida. “La Contesse d’Egemont” de Sophie Gay, 1836 e “La Contesse d’Egemont, fille du marechal de Richelieu, 1740-1773)” da Condessa de Segur, 1890. Este último em domínio público via Internet Archive: «https://archive.org/details/lacomtessedegmon00arma» E o primeiro via Biblioteca Nacional Francesa, Gallica. « https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k1422070z?rk=21459;2»
Referências
Seu retrato de autoria de Alexander Roslin. Acesso via : https://izi.travel/en/c58e-alexander-roslin-portrait-of-jeanne-sophie-de-vignerot-du-plessis-1763/en
Aquarela representando a condessa. Acesso via: «https://art.rmngp.fr/fr/library/artworks/carmontelle_madame-la-comtesse-d-egmont_mine-de-plomb_aquarelle_papier_gouache_sanguine_1758»
Página francesa sobre a condessa. Acesso via «https://fr.wikipedia.org/wiki/Jeanne-Sophie_de_Vignerot_du_Plessis»
Janin, Jules. “La contesse d’Edgemont”. Belgica, 1855. Acesso via Gallica: «https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k56612218.texteImage»
Leitão Bandeira, Lourdes. “Salões culturais abertos por figuras femininas: O salão ‘Universitas Gratie’”. Lisboa: Carvalho e Simões Lda, 2006. p. 109.
Sabran, Madame. “Septimanie Contesse d’Egemont”. Le fórum de Marie Antoinete. Acesso via« https://marie-antoinette.forumactif.org/t5807-septimanie-comtesse-d-egmont-1740-1773»
(*) Elen Biguelini é doutora em História (Universidade de Coimbra, 2017) e Mestre em Estudos Feministas (Universidade de Coimbra, 2012), tendo como foco a pesquisa na história das mulheres e da autoria feminina durante o século XIX. Ela escreve semanalmente aos domingos, no Site.





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