À frente do seu tempo… e da geografia – por Guilherme Bicca
Ele disse: “eu vou fazer!”. E fez. E o shopping lotou pela madrugada inteira

Hoje quero usar este espaço tão nobre ao qual tenho acesso para homenagear uma pessoa ímpar, que nos deixou na última semana: Sr. Ruy Giffoni, administrador de empresas que por décadas esteve à frente do Royal Plaza Shopping. Um dos principais empreendimentos de Santa Maria e que, quando finalmente deixou de ser apenas um projeto, contribuiu para mudar um tanto a cara da cidade.
Mas o Ruy (como todos o chamavam, sem formalidades) não esteve apenas à frente do Royal… ele esteve à frente do seu tempo. Um termo que, infelizmente, foi banalizado e, mais do que isso, usado para se referir a pessoas que não… não estavam. Então vou tentar adaptar aqui o termo e dizer que Ruy também estava à frente da sua geografia.
Por vezes, suas ideias pareciam não caber em Santa Maria. Muitos, ao espremer os olhos, com a mão sobre a testa, e tentar enxergar o que ele via, não conseguiam.
E sabe o que era mais lindo nisso tudo? Ele oferecia a mão e dizia “vem comigo que eu te mostro”. E ainda melhor: se não o davam a mão, ele ia lá e fazia sozinho.
Lembro de alguns anos atrás quando se criou um projeto com o objetivo de movimentar a cidade no período de black friday, motivando os consumidores a buscar promoções no comércio local, antes da internet. Dentre tantas ações, estava a de abrir lojas à meia-noite da fatídica sexta-feira. Isso já era tradicional nos Estados Unidos, berço da data promocional, e também em grandes centros.
Era algo que o empolgava muito. Acreditava que a ação tinha potencial de atrair, inclusive, pessoas das cidades vizinhas.
Derrotado, com os ombros caídos e cabisbaixo, eu mal conseguia olhar em seus olhos para dizer que não havia conseguido motivar e convencer uma loja sequer no centro da cidade a participar do movimento. A alegação era compreensível: falta de segurança.
Com o corpo inclinado pra frente, sobre a mesa, um olho aberto e outro fechado, como fazia quando seu cérebro processava algo na velocidade da luz, ele disse: “eu vou fazer!”.
E fez.
O shopping lotado, de madrugada, como no melhor dia de vendas da semana de Natal, tinha filas dentro e em frente às lojas. Na praça de alimentação, não havia lugar para sentar. A imprensa de toda a região foi até lá para conferir de perto. Carros enfileirados, até a Avenida Fernando Ferrari, esperavam para entrar no Royal.
Como disse, Ruy estava à frente do seu tempo e da sua geografia. Mas, apesar disso, ele era um ser humano à moda antiga. Leal, comprometido, amigo… daquele tipo que a gente tanto precisa hoje em dia.
Não importa o nível de relação que a pessoa tivesse com o Ruy. Ele sempre tratava essa relação como algo importante. E acima de tudo, ele era leal às pessoas que o cercavam.
Santa Maria perdeu um patrimônio.
Ruy vai fazer falta e só nos resta acreditar que de onde ele estiver, está cuidando e torcendo por nós.
(*) Guilherme Bicca é jornalista graduado na Universidade Franciscana (UFN) desde 2008. Nesses anos, especializou-se em assessoria de comunicação integrada, quando realizou trabalhos junto a instituições como Sociedade de Medicina; Apusm; Sindilojas; e, mais recentemente, CDL Santa Maria. Está à frente da comunicação de entidades como Adesm e Secovi Centro Gaúcho; presta assessoria especializada ao Fidem Bank; é redator sênior na Jusfy, legaltech eleita a startup mais escalável do último South Summit. Também é um dos âncoras do Semanário, programa veiculado aqui mesmo em claudemirpereira.com.br; e criador do podcast Bocas do Monte, da TV Santa Maria. Guilherme Bicca escreve às sextas-feiras no site.





Parabéns! Não é todo mundo que consegue resumir a vida de uma pessoa a um evento comercial de descontos! Alas, o ‘feito’ escolhido é uma copia do que outros no Brasil já tinham copiado. Acredito que a biografia de Giffoni é um pouco mais ‘eventuosa’ do que isto.