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Reforma Administrativa ameaça educação, saúde e outros serviços essenciais – por Everton Picolotto

Uma avaliação da proposta “em discussão acelerada no Congresso Nacional”

Uma nova proposta de Reforma Administrativa, em discussão acelerada no Congresso Nacional, ameaça precarizar e diminuir drasticamente os serviços públicos essenciais para a população, especialmente para os mais pobres. Com a promessa de combater privilégios, a reforma pode, na prática, desmontar a estrutura do serviço público (nos municípios, estados e união), abrindo caminho para a instabilidade dos servidores, a redução de concursos e a fragilização do atendimento em áreas cruciais como saúde, educação e segurança.

Articulada por um Grupo de Trabalho da Câmara dos Deputados, a reforma visa extinguir supersalários e benefícios abusivos, como os 60 dias de férias concedidos a menos de 0,3% dos servidores, especialmente no Judiciário. Contudo, os exemplos desses poucos privilegiados – cujos excessos devem ser coibidos – são usados como pretexto para atacar todo o funcionalismo. A verdade é que a grande maioria dos servidores recebe salários baixos, em comparação com os pagos no setor privado para o mesmo nível de formação.

Propõe várias outras mudanças, como facilitar a contratação de servidores temporários em larga escala (com base num banco nacional de inscrições), em vez de realizar concursos para cargos efetivos. Essa medida pode extinguir a necessidade de concursos públicos, criando um exército de trabalhadores com vínculos frágeis e sem estabilidade, o que impacta diretamente a continuidade e a qualidade dos serviços prestados. A estabilidade do servidor público não é um privilégio, mas uma garantia de que ele poderá atuar com isenção, sem sofrer pressões políticas ou perseguições, assegurando que o serviço seja prestado ao cidadão e não a governos específicos. A reforma visa fragilizar essa garantia, permitindo demissões por avaliação de desempenho com critérios vagos e sem a necessidade de processo administrativo adequado, o que pode abrir portas para o apadrinhamento político.

Para professoras e professores das universidades e escolas públicas, por exemplo, a reforma pode significar o fim da progressão na carreira como a conhecemos, permitindo a contratação direta para cargos mais altos (postos) e acabando com a valorização por tempo de serviço e qualificação. Além disso, a proposta de unificar carreiras, criar 20 níveis para todas elas e um sistema de bônus por desempenho, pode gerar uma competição interna prejudicial e um achatamento salarial, desestimulando os profissionais que dedicam a vida ao serviço público.

Na prática, essas mudanças contra as quais lutamos significam menos médicos nos postos de saúde, menos professores nas escolas e universidades públicas e menos profissionais na segurança. A redução de servidores efetivos levará a um sucateamento ainda maior do Sistema Único de Saúde (SUS), da educação pública e da segurança, serviços que são a única alternativa para os/as que vivem do trabalho. O ataque aos servidores e aos serviços públicos é um golpe contra a democracia e os direitos garantidos pela Constituição. É fundamental que a sociedade compreenda que a luta contra essa reforma não é apenas uma defesa dos direitos dos servidores, mas a defesa do direito de todo cidadão a serviços públicos de qualidade.

Vamos todos/as nos manifestar contra esses retrocessos no serviço público. Vamos à luta pelos direitos do povo!

(A Sedufsm integra a Frente Única de Servidores Contra a Reforma Administrativa)

(*) Everton Picolotto é Professor do Departamento de Ciências Sociais da UFSM, atual presidente da Seção Sindical dos Docentes da UFSM (Sedufsm). O artigo acima foi publicado originalmente no site da entidade (AQUI) e reproduzido com a autorização do autor.

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13 Comentários

  1. Resumo da opera. Espantalho para manter a ‘mobilização’. Sempre entraram em greve com ‘por melhores condições de trabalho e melhores salarios’. Vinha o salario e as melhores condições que se explodam. Querem privatizar dinheiro publico e socializar os proprios problemas, só pensam no deles.

  2. ‘Vamos à luta pelos direitos do povo!’ Servidor publico agora é ‘pôvú’! Kuakuakuakuakuakuakua!

  3. ‘O ataque aos servidores e aos serviços públicos é um golpe contra a democracia e os direitos garantidos pela Constituição.’ Adoram um chavão acéfalo. Por que não ‘é um golpe contra a ciencia’ tambem? Kuakuakuakuakuakua!

  4. ‘[…] e menos profissionais na segurança.’ O salario inicial para um soldado PM de primeira classe no RJ é 4300 reais. Para subir morro e trocar tiro com traficantes.

  5. ‘Na prática, essas mudanças contra as quais lutamos significam menos médicos nos postos de saúde, menos professores nas escolas e universidades públicas e menos profissionais na segurança.’ Faltam medicos nos postos de saude porque os salarios são risiveis. Professores nas escolas já faltam porque as licenciaturas foram abandonadas. Universidades não deve mudar muito. Professores não tem que cumprir horario, não tem ponto. Ferias dilatadas porque alungos estão de ferias (exceção os pesquisadores, tem gente que trabalhar). Ainda tem ‘horario de verão’.

  6. Cargos mais altos necessitam da qualificação necessaria. Anos atras cogitaram de um vereador concorrer a reitoria. Só esqueceram de consultar a legislação, ele não tinha titulação necessaria.

  7. ‘Para professoras e professores das universidades e escolas públicas, por exemplo, a reforma pode significar o fim da progressão na carreira como a conhecemos, permitindo a contratação direta para cargos mais altos (postos) e acabando com a valorização por tempo de serviço e qualificação.’ Progressão por decurso de prazo. Intersticio e avaliação de desempenho ‘cumpanhera’. Qualificação é ficticia. Universidades contratam docentes com doutorado porque tem capacitação para pesquisar e muitos não pesquisam. A outra desculpa é ‘como sabem mais dão aulas melhores’. Em toda instituição tem gente que trabalha e tem os que esperam que o mundo termine em barranco para morrer escorados.

  8. ‘A reforma visa fragilizar essa garantia, permitindo demissões por avaliação de desempenho com critérios vagos e sem a necessidade de processo administrativo adequado, o que pode abrir portas para o apadrinhamento político.’ Primeiro, CF88, art 5ª, clausula petrea: ‘ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;’. Alas, qual a alternativa? Nenhuma avaliação de desempenho? Ou feita pelos(as) ‘cumpanheros(as)’? Apadrinhamento politico existe em CC’s e FG’s. Salario maior, pouca coisa para fazer. Se fizer nos cargos inferiores a criatura teria que trabalhar, as coisas tem que minimamente funcionar, e o salario é menor.

  9. ‘A estabilidade do servidor público não é um privilégio, mas uma garantia de que ele poderá atuar com isenção, sem sofrer pressões políticas ou perseguições, assegurando que o serviço seja prestado ao cidadão e não a governos específicos.’ Garante que o(a) servidor(a) que não concordar com o governo de plantão pode sentar em cima das mãos e fazer nada. Um exemplo bem proximo. Iniciativa privada comprou licença de software e doou para uma determinada prefeitura. Objetivo otimizar/agilizar analise de projetos. Servidores resolveram que não iriam utilizar o software e quem não gostasse que chupasse um prego até virar alfinete.

  10. ‘Essa medida pode extinguir a necessidade de concursos públicos, criando um exército de trabalhadores com vínculos frágeis e sem estabilidade, o que impacta diretamente a continuidade e a qualidade dos serviços prestados.’ Como se tivessem uma qualidade suiça. Grande verdade é que as funções para as quais se deseja extinguir a estabilidade e o concurso serão desempenhadas no futuro por AI.

  11. ‘A verdade é que a grande maioria dos servidores recebe salários baixos, em comparação com os pagos no setor privado para o mesmo nível de formação.’ Obvio que não. Alas, a comparação nem é feita desta forma. Compara-se o CLT publico versus o CLT privado e o estatutario versus o CLT privado. Dependendo do cargo do bagrinho o salario no setor publico chega quase ao dobro do salario da mesma função privada. Não é de hoje. https://portalantigo.ipea.gov.br/agencia/images/stories/PDFs/mercadodetrabalho/bmt53_nt02_diferencial.pdf
    https://valor.globo.com/brasil/noticia/2019/06/26/ibge-salarios-no-setor-publico-crescem-mais-que-na-inciativa-privada.ghtml

  12. ‘[…] são usados como pretexto para atacar todo o funcionalismo.’ É o problema do Brasil não ser uma Republica. Serviço publico é um feudo cujos donos são os servidores.

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