Na torcida são milhões de treinadores… não só na torcida – por Rosito Zepenfeld Borges
‘Diferença entre uma opinião e uma decisão responsável está no conhecimento’

“Na torcida são milhões de treinadores, cada um já escalou a seleção…” A conhecida letra da música retrata uma característica bastante presente na cultura brasileira, especialmente em períodos de Copa do Mundo. Durante o torneio, multiplicam-se as análises sobre escalações, esquemas táticos, substituições e decisões dos treinadores. O fenômeno não se limita ao futebol. Nas Olimpíadas, surgem especialistas em ginástica, judô e atletismo. Em qualquer assunto que ganha relevância pública, opiniões aparecem em abundância, muitas vezes acompanhadas da convicção de quem acredita dominar completamente o tema.
Esse comportamento tornou-se ainda mais evidente nos últimos anos. Durante as inundações que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, milhões de pessoas passaram a emitir opiniões sobre gestão de desastres, hidrologia, logística humanitária e defesa civil. Na pandemia de COVID-19, especialistas improvisados discutiam epidemiologia, vacinas e protocolos de saúde pública.
Em julgamentos de grande repercussão, como o dos réus da tragédia da Boate Kiss, multiplicaram-se análises jurídicas elaboradas por pessoas sem formação ou conhecimento técnico na área. Embora o debate público seja saudável e necessário, existe uma diferença importante entre participar de uma discussão e acreditar possuir conhecimento equivalente ao de profissionais especializados.
A psicologia oferece uma explicação para parte desse fenômeno por meio do chamado Efeito Dunning-Kruger, um viés cognitivo identificado pelos pesquisadores David Dunning e Justin Kruger. De forma simplificada, pessoas com pouco conhecimento sobre determinado assunto tendem a superestimar sua própria competência, justamente porque não possuem conhecimento suficiente para reconhecer suas limitações.
Em contrapartida, indivíduos verdadeiramente especializados costumam ter maior consciência da complexidade dos temas e, por isso, frequentemente são mais cautelosos em suas afirmações. O resultado é um cenário em que opiniões simplificadas podem parecer mais confiantes do que análises técnicas fundamentadas.
No ambiente de trabalho, esse comportamento pode representar riscos significativos. Organizações dependem de decisões baseadas em evidências, procedimentos, experiência e conhecimento especializado. Quando colaboradores, gestores ou equipes passam a desconsiderar orientações técnicas por acreditarem que já sabem o suficiente sobre determinado assunto, aumentam as chances de erros operacionais, falhas de processo e acidentes. Em segurança do trabalho, por exemplo, não é raro encontrar pessoas que minimizam riscos, ignoram procedimentos ou questionam medidas preventivas sem possuir conhecimento adequado sobre os perigos envolvidos.
Além dos riscos tangíveis, esse comportamento também está relacionado aos fatores psicossociais presentes nas organizações. Ambientes em que opiniões são valorizadas acima da competência técnica podem gerar conflitos, desgaste nas relações profissionais, perda de confiança nas lideranças e resistência à aprendizagem. Quando o conhecimento especializado é constantemente desafiado por percepções superficiais, cria-se uma cultura em que a tomada de decisão se afasta dos fatos e se aproxima de crenças pessoais, comprometendo a qualidade dos resultados e a segurança das operações.
Reconhecer os próprios limites de conhecimento é uma das competências mais importantes para qualquer profissional. Em um mundo cada vez mais complexo, a humildade intelectual tornou-se tão valiosa quanto o conhecimento técnico. Opinar é um direito de todos; aprender continuamente é uma necessidade. Afinal, seja no futebol, na gestão de desastres, na saúde pública, no direito ou na segurança do trabalho, a diferença entre uma opinião e uma decisão responsável está no conhecimento que a sustenta.
(*) Rosito Zepenfeld Borges é Engenheiro de Segurança do Trabalho. Ele escreve no site às segundas-feiras.





Resumo da opera II. Experiencia. Terceirizado entra numa fabrica para fazer um conserto. Ve uma marquise e decide que subindo nela fica ‘mais facil’. Pega uma magnifica escada de aluminio, sobe na marquise e puxa a escada para chegar onde tem que alcançar. Não presta atenção e encosta a escada na fiação com 13 mil volts que passa acima da marquise. Torra as mãos e explode os pés. ‘Conveniencia’, desrespeito pela sinalização e ‘comigo não acontece’. Mudança cultural leva tres gerações. E enquanto isto? Simples assim.
Resumo da opera. Problema da urb. Gente que nunca saiu daqui ou saiu por muito pouco tempo e não foi longe. Visão é muito diferente. Quem já viu com bastante tempo como as coisas acontecem sabe como as coisas aqui não tem como acontecer. Tem uma boa ideia sobre o que falta.
Futebol é um mundo aparte. Alguns acompanham fanaticamente. E jogam. Leva a uma confiança maior.
De novo a midia. ‘Especialistas’ são os ‘é o que deu para arrumar’ ou ‘os que irão dizer aquilo que eu desejo que seja dito’.
Outro aspecto é o ‘especialista’. Geralmente significa algum tipo de ‘credencial’, diplomas. Como se o conhecimento só pudesse ser transmitido de maneira formal através de escritos. Eis a grande verdade: só se dá importancia para a experiencia depois que se tem. UFSM, por exemplo. Quando montaram os primeiros cursos o corpo docente era majoritariamente de gente que atuava na profissão. Com o tempo passou-se a valorizar mais os titulos academicos (de novo, depende da area de conhecimento) e o conhecimento teorico. Dai o corpo docente tem muito pouca ou nenhuma experiencia pratica.
‘ O resultado é um cenário em que opiniões simplificadas podem parecer mais confiantes do que análises técnicas fundamentadas.’ Aconteceu uma mudança que poucos prestam atenção. Atualmente o ‘noticiario, os meios de comunicação, estão mais preocupados em gerar engajamento do que formar/informar (tentam hackear o sistema emocional, mas isto é outra historia). Antigamente era possivel ler uma ‘Gazeta Mercantil’ e aprender alguma coisa. Um dos poucos jornais que dava para ler de ponta a ponta (assinei a bagaça, mas quebrou). Atualmente tudo é muito superficial e a maioria acha que o que lá esta é suficiente. Pior, existe a tentativa de manipulação oriunda de Gregos e Baianos.
Efeito Dunning-Kruger geralmente atinge recém-formados. Dai a pirraça com a ‘exportação de cérebros’ tão incensada em SM. Criatura era estagiário(a) (sabia pouco mais do que nada), cursa meia duzia de cadeiras a mais e vira ‘cerebro’. Obvio que varia muito dependendo da area de conhecimento. Direito, jornalismo, licenciaturas ‘largam’ o pessoal mais perto do ‘produto final’ por exemplo. Não é o que acontece com medicina, engenharias, veterinária, etc.
‘A psicologia oferece uma explicação para parte desse fenômeno por meio do chamado Efeito Dunning-Kruger,[…]’. Sim e não. Em RH é tão conhecido como a piramide de Maslow. Melhor explicado por um grafico onde o eixo X e a competencia e o eixo Y é a autoconfiança. No inicio existe muita confiança e pouca competencia e a curva atinge um pico o ‘Monte Estupido’. Existe um ‘choque de realidade’ (algo que não acontece com o pessoal da internet) e apesar da competencia aumentar um pouco a curva atinge o ‘Vale do Desespero’. Depois acontece um aumento bastante gradual da competencia e da confiança a curva segue a ‘Rampa da Iluminação’. Finalmente vem a maturidade e o ‘Plato da Sustentabilidade’.