Dia das Bruxas: feriado comercial brasileiro – por Guilherme Bicca
“Confesso: sou um pobre tupiniquim colonizado que se rendeu ao Halloween”

Hoje é Dia das Bruxas. E sim… eu confesso: sou um pobre tupiniquim colonizado que se rendeu ao Halloween.
Principalmente depois que tive filhos. Porque, convenhamos, é praticamente impossível resistir. A internet inteira só fala nisso, os vídeos de “de gostosuras ou travessuras” e cabelo maluco pipocam nas redes. A criançada já acorda vestindo fantasia antes mesmo de escovar os dentes.
Mas, como tudo neste país, o Halloween também divide opiniões.
De um lado, há os motivos religiosos: dependendo da religião, o fiel não pode celebrar uma data que cultua bruxas, monstros e lendas sombrias.
De outro lado tem o pessoal que rejeita o imperialismo cultural norte-americano. Defende-se que, em vez de vestir o chapéu de bruxa, deveríamos vestir o gorro do Saci e celebrar o nosso folclore. Não comemorar Halloween, e sim o dia de São Cosme e Damião (o que é uma ótima festa. Lá em casa a gente comemora e poderia ser sim mais explorada).
E olha, eu entendo e dou razão aos dois lados.
Mas… em tempos tão difíceis pra economia, fica difícil condenar o Dia das Bruxas.
Em 2024, a data movimentou R$ 3,7 bilhões no Brasil. Um crescimento de quase 20% em relação ao ano anterior. Só no e-commerce, houve um salto de 34% na procura por produtos relacionados ao Halloween.
Ah, e no comércio físico, em uma pesquisa realizada pela Fecomércio do Distrito Federal, os lojistas relataram que o Halloween tem um impacto de 20% nas vendas, em comparação a outros meses.
Os setores mais beneficiados? Varejo, alimentação e entretenimento, claro.
Fantasias, decorações, doces, lanches temáticos, festas, sessões especiais de cinema, garantem o pacote completo de uma experiência que de aterrorizante não tem nada para as empresas.
O Halloween pode até não ter sido decretado como um feriado nacional (nem nunca será) mas já se consolidou como um feriado comercial brasileiro.
E, cá entre nós, do jeito que o brasileiro adora um pretexto pra festejar, e com a economia, principalmente no que diz respeito aos pequenos e médios negócios, precisando de cada impulso possível, o mais assustador seria deixar passar uma data que ajuda a movimentar tantos setores.
Então, quer saber? Que venham as abóboras de plástico, teias de aranha de barbante e morcegos de feltro. Se eles ajudam o caixa das empresas e ainda garantem diversão pra criançada, não vejo razão pra exorcizar essa festa.
Um ótimo Halloween pra quem vai se permitir.
(*) Guilherme Bicca é jornalista graduado na Universidade Franciscana (UFN) desde 2008. Nesses anos, especializou-se em assessoria de comunicação integrada, quando realizou trabalhos junto a instituições como Sociedade de Medicina; Apusm; Sindilojas; e, mais recentemente, CDL Santa Maria. Está à frente da comunicação de entidades como Adesm e Secovi Centro Gaúcho; presta assessoria especializada ao Fidem Bank; é redator sênior na Jusfy, legaltech eleita a startup mais escalável do último South Summit. Também é um dos âncoras do Semanário, programa veiculado aqui mesmo em claudemirpereira.com.br; e criador do podcast Bocas do Monte, da TV Santa Maria. Guilherme Bicca escreve às sextas-feiras no site.





Em tempo III. Existe diferença entre criar festas para monetizar e aproveitar festas populares para monetiza-las. Na aldeia a tentativa é copiar outros lugares (para variar) e incentivar o Carnaval (que é popular, mas é nichada). SM não tem uma oktober, uma festa do vinho, etc. Não tem festa nenhuma.
Em tempo II. No Mexico é muito forte o Dia de los Muertos. Finados aqui. Também comemorado na Ianquelandia. Sincretismo, catolicismo e religiões pré-colombianas.
Em tempo. Trouxas do ‘imperialismo ianque’. Ignorantes. Halloween é uma festa celta. Originariamente comemorada na Irlanda e UK. Migrou para o Novo Continente onde ficou famoso porque a produção audiovisual vem/vinha majoritariamente de la. Mesmo na Ianquelandia em alguns lugares não é tão comemorado assim.
Sem resumo. Trocentas decadas atras Luis Roberto Barroso era advogado dos sindicatos de emissoras. Segundo a lei mais da metade (ou 70% no minimo, não lembro) dos ‘acionistas’ deveriam ser nacionais. Entrava a internet no pais, queriam o mesmo dos que nela divulgavam noticias. Um dos argumentos do causidico era ‘daqui a pouco não estaremos mais comemorando São João e estaremos comemorando Halloween. Segunda festa citada ja era comemorada no pais.
‘Mas… em tempos tão difíceis pra economia, fica difícil condenar o Dia das Bruxas.’ Coisa de classe média, média alta. De cursinhos de idiomas.
‘[…] e sim o dia de São Cosme e Damião […]’. Foi muito tradicional na Bahia e no RJ. Existe sincretismo com religiões afro-brasileiras. Mas tem outro problema. Agnosticos, ateus e evangelicos/pentecostais cuja religião não tem santos.
‘[…] deveríamos vestir o gorro do Saci e celebrar o nosso folclore.’ É só sair na rua e perguntar para a geração Z o que é Saci. Na minha epoca aparecia no Sitio do Pica Pau Amarelo (Lobato foi ‘cancelado’ por racismo’). Também aparecia em algo que se comprava nas bancas, revistinha da Turma do Perere do Ziraldo. Alas, Geração Z é mais ligada em mangás e animes.
‘De outro lado tem o pessoal que rejeita o imperialismo cultural norte-americano.’ Um bando de trouxas anacronicos.
‘De um lado, há os motivos religiosos: dependendo da religião, o fiel não pode celebrar uma data que cultua bruxas, monstros e lendas sombrias.’ Basicamente uma festa pagã.