A COP 30 e os desafios educacionais – por Amarildo Luiz Trevisan
“O tripé ambiental, econômico e social pede tradução pedagógica objetiva”

Belém do Pará receberá a COP 30 na próxima semana. Já estão confirmadas mais de 190 delegações para discutir caminhos de enfrentamento à crise climática. O Brasil estará no centro desse debate. A conferência é um evento diplomático e técnico. Contudo, seus efeitos dependem de algo mais básico. Educação pública de qualidade que traduza metas globais em práticas locais.
Sustentabilidade não é somente proteção ambiental. Inclui dimensões econômica e social, em linha com a virada conceitual que ganhou força desde a ECO 92. O princípio que orienta é claro: atender às necessidades do presente sem comprometer as necessidades das gerações futuras. A escola precisa transformar esse enunciado em competência cidadã. Isso significa desenvolver habilidades para interpretar dados, argumentar com evidências e decidir com responsabilidade.
O filme “O Mundo Depois de Nós” oferece um alerta útil. Diante de um apagão, duas famílias revelam dependência excessiva da tecnologia, reações marcadas por desconfiança e racismo, dificuldade de diálogo. A mensagem central não está no colapso das máquinas. Está no colapso das relações humanas. Para a educação, a lição é direta. Há muito interesse em produzir tecnologias limpas em substituição ao petróleo. Porém, sem cultura de convivência e escuta, tecnologias verdes não resolvem conflitos cotidianos, não reduzem desigualdades, não geram cooperação.
O tripé ambiental, econômico e social pede tradução pedagógica objetiva. Pede letramento científico e midiático. Estudantes devem aprender a diferenciar dado de opinião e evidência de boato. Os riscos das fake news para o discurso da sustentabilidade levam à necessidade de combater essa forma de violência informacional.
Boatos, sátiras, críticas falsas, desinformação, anúncios falsos, teorias da conspiração e declarações falsas de políticos são algumas das formas pelas quais as fake news se manifestam. Essas informações têm propósito de enganar o leitor na manipulação intencional por meio de notícias fabricadas com intenção maliciosa, comprometendo a integridade do discurso da sustentabilidade.
Um exemplo elucidativo de desinformação nesse contexto é apresentado por Paul N. Edwards em seu livro A Vast Machine: Computer Models, Climate Data, and the Politics of Global Warming. Ele observa que, no caso dos chamados “países em desenvolvimento”, ganhou força a narrativa de que o aquecimento global não passa de um complô arquitetado pelos países ricos com o objetivo de barrar o progresso econômico das nações mais pobres.
Essa ideia, amplamente difundida, reforça um senso de desconfiança em relação à agenda climática global, tratando-a como uma ferramenta de dominação política e econômica, em vez de uma resposta urgente a um desafio coletivo que transcende fronteiras nacionais.
Essa percepção equivocada ilustra como a desinformação tem o poder de distorcer debates científicos, desviar a atenção de questões críticas e dificultar a construção de soluções colaborativas para problemas globais, como as mudanças climáticas. A disseminação de narrativas falsas ou simplificadoras não apenas fragiliza o entendimento público sobre fenômenos complexos, mas também reforça dinâmicas de polarização e inércia diante de crises urgentes.
Segundo ponto importante no avanço da agenda climática nas escolas é a criação de projetos integrados ao território. Escolas podem mapear consumo de água e energia, propor soluções simples e mensurar impacto. Terceiro, educação para a convivência: mediação de conflitos, repertório para lidar com diferenças e racismo, práticas de participação estudantil em conselhos e assembleias.
A COP 30 produzirá documentos, metas, compromissos. Para que saiam do papel, redes de ensino precisam de rotinas claras. Planos de aula com foco em problemas reais, parcerias com universidades e secretarias, avaliação que considere processo e resultado.
O desafio é alinhar linguagem técnica e científica com linguagem cotidiana. As escolas podem transcender sua função tradicional para se tornarem esferas públicas sustentáveis, espaços de debate crítico que fomentem o pensamento disruptivo. Professores e estudantes podem trabalhar relatórios e notícias em formatos acessíveis.
Uma planilha com consumo de água ao lado do preço do feijão, uma tabela de emissões ao lado do trajeto diário dos estudantes, um gráfico de resíduos ao lado do cardápio da merenda. A conexão entre números e vida prática aumenta a relevância do conteúdo e reduz a distância entre conferências internacionais e a sala de aula.
Em síntese, a COP 30 abre muitas janelas de oportunidade. A educação pode agir ao menos em quatro frentes complementares. Letramento científico e midiático. Projetos de sustentabilidade ancorados no território. Cultura de convivência que previne preconceitos e reduz violência. Comunicação pública de resultados simples e verificáveis. E isso vale também para as universidades. Com esses passos, metas climáticas ganham vida e lastro social. A conferência passa, os hábitos ficam e a cultura evolui.
(*) Amarildo Luiz Trevisan é licenciado em Filosofia, mestre em Filosofia (UFSM), doutor em Educação (UFRGS) e pós-doutor em Humanidades pela Universidade Carlos III de Madri. Tem formação teológica pela Diocese de Goiás. É Professor Titular aposentado da UFSM e atua como Professor Visitante no Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRN. Publicou diversos trabalhos, entre eles o livro Terapia de Atlas: Filosofia da educação no contemporâneo (EDUCS, 2020). Ele escreve no site aos sábados.





Resumo da opera III. Mais do mesmo. Ideologia que vira ‘religião’. Toda solução de problemas passa pela ‘religião’.
Resumo da opera II. Emissões per capita de CO2 da Ianquelandia em 2000 eram 21,35 toneladas. China 2,87. India 0,93. Em 2023 ianques emitiram 14,3 toneladas. China 8,37 toneladas. India 2,13 toneladas. Media mundial é mais otimista, em 2012 4,86 toneladas por cabeça. Em 2023 4,67 toneladas por cabeça. China deve reduzir suas emissões, trabalha para isto. India já é mais complicado. Conclusão é que as emissões diminuem, não no ritmo ‘revolucionario’, mas diminuem.
Resumo da opera. Trump, Xi Jinping, Putin e Narandra Modi não irão participar da COP30. Quem decide não vem. Não vai ser debates em escolas que vai mudar isto.
‘Terceiro, educação para a convivência: mediação de conflitos, repertório para lidar com diferenças e racismo, práticas de participação estudantil em conselhos e assembleias.’ Revolução Cultural vai ter que criar soviets também?
‘Escolas podem mapear consumo de água e energia, propor soluções simples e mensurar impacto.’ Escolas tem ensinar portugues, matematica, o basico que não estão fazendo direito. Revolução Cultural de Mao na versão mirim é perda de tempo.
‘Os riscos das fake news para o discurso da sustentabilidade levam à necessidade de combater essa forma de violência informacional.’ Censura nas redes sociais.
‘Porém, sem cultura de convivência e escuta, tecnologias verdes não resolvem conflitos cotidianos, não reduzem desigualdades, não geram cooperação.’ Meta modesta, a natureza humana tem que ser modificada em escala planetaria para ‘encaixar’ no conceito vermelho de ‘humano’. Só 8 bilhões de pessoas. Se não for possivel nada que um governo autoritario não resolva.
‘Sustentabilidade não é somente proteção ambiental. Inclui dimensões econômica e social,[…]’. Ilusões dos vermelhos. Para corrigir o problema climatico e proteger o ambiente ‘temos que acabar com o capitalismo e instaurar um governo centralizado mundial’.
Em 1992 Luc Ferry publicou o livro ‘Le Nouvel Ordre écologique’. Uma critica da ‘ecologia profunda’. ‘Os movimentos ecológicos tradicionais, ou “ecologia democrática”, buscam proteger o meio ambiente das sociedades humanas; são pragmáticos e reformistas. Mas outro movimento tornou-se o refúgio tanto de contrarrevolucionários nostálgicos quanto de ilusões de esquerda. Trata-se da “ecologia profunda”. Descrição do livro na Amazon.
Para quem não lembra, decada de 70 principalmente, teve uma onda ecologica. Pizarro aqui em SM. José Lutzenberger no nivel estadual. Não foi falta de ‘conscientização’.
Nada disto vai acontecer. Simples assim. No maximo algo para ingles ver.