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O recomeço de uma região que não desiste – por Luís Henrique Kittel

Divisor: “reconstrução da ERS-348 representa muito mais do que uma obra”

A reconstrução da ERS-348 representa muito mais do que uma obra. Ela é o reconhecimento, finalmente materializado, da importância da nossa região para o Rio Grande do Sul. Não podemos esquecer que, quando a maior tragédia climática da nossa história destruiu a rodovia em 2024, ficamos meses aguardando enquanto outras regiões recebiam investimentos e soluções mais imediatas. Foi graças às prefeituras que se garantiu um acesso provisório, o único responsável por manter a ligação da Quarta Colônia até que a obra definitiva fosse iniciada.

É fato que ERS-348 merecia mais atenção do que recebeu após a enchente. Essa rodovia é um eixo que mantém vivo o comércio de Agudo. Por ela passam produtores rurais, empreendedores, turistas, caminhões de abastecimento, serviços essenciais e centenas de trabalhadores todos os dias. Cada dia de estrada interrompida significou prejuízo, isolamento, perda de competitividade e desgaste emocional para milhares de pessoas.

Agora que boa parte das prioridades de outras regiões foi atendida, a região central começa a receber a atenção que merece. Nesta semana, o governo do Estado autorizou o início das obras no trecho mais destruído entre Agudo e Dona Francisca, totalizando 13 quilômetros que receberão investimento de R$ 169,76 milhões. Somados os demais segmentos e pontes, o valor ultrapassa R$ 229 milhões. A obra será executada pelo Daer e começa pelo lado de Agudo, onde já iniciaram os trabalhos de limpeza, retirada de materiais, reconstrução dos aterros e abertura dos caminhos de serviço para futuros viadutos.

O próprio governador ressaltou que a rodovia se tornou um símbolo da devastação causada pelas enchentes de 2024 e lembrou que não basta reconstruir o que existia. É necessário criar uma estrada nova, elevada e resiliente, capaz de suportar eventos climáticos cada vez mais extremos. Todo esse planejamento técnico exigiu estudos detalhados e consumiu tempo, que acabou gerando prejuízos para o comércio, os produtores, o turismo e para todas as famílias que dependem dessa via.

Também é importante destacar que a reconstrução da ERS-348 não beneficia apenas Agudo. Municípios como Dona Francisca, Faxinal do Soturno, São João do Polêsine e Ivorá foram diretamente afetados pelo isolamento viário, e suas comunidades sentiram o impacto da falta de infraestrutura. Por isso, a obra que começa agora precisa ser tratada como prioridade regional e estadual, e não como uma ação isolada. Quando a estrada parou, toda a economia sofreu.

Hoje é justo reconhecer que o Estado dá um passo importante para restaurar a mobilidade e a segurança da região central. Fica aqui meu registro de agradecimento. Celebramos essa conquista e seguiremos acompanhando cada etapa, cobrando prazos e a qualidade que a população merece. Que este momento marque um verdadeiro divisor de águas.

(*) Luís Henrique Kittel, 40 anos, é jornalista formado pela então Unifra, atual UFN). É prefeito reeleito do município de Agudo (o único do PL na região), foi vice-presidente do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia e atualmente é vice-presidente da Associação dos Municípios da Região Central (AM Centro). Ele escreve no site às quintas-feiras.

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