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Sem água não há vida nem desenvolvimento – por Luís Henrique Kittel

“Há temas que atravessam governos, ideologias, fronteiras e disputas políticas”

Há temas que atravessam governos, ideologias, fronteiras e disputas políticas. A água é um deles. Falar sobre água é falar sobre vida e sobre o futuro de todas as comunidades, sejam rurais ou urbanas, pequenas ou metropolitanas.

Ao longo dos últimos anos, o Brasil, em especial o Rio Grande do Sul, tem convivido com dois extremos que já não são exceções, as estiagens severas e as enchentes históricas. As duas faces de um mesmo problema: a falta de segurança hídrica. E segurança hídrica não significa apenas ter água, significa ter água na hora certa, no lugar certo e na qualidade certa.

Nas casas, a água é tão cotidiana que, às vezes, esquecemos sua importância. Ela está em tudo, desde o café que tomamos pela manhã, no banho apressado antes do trabalho, no preparo dos alimentos, na limpeza, na higiene e até no simples ato de oferecer um copo a quem chega. Mas o avanço das crises climáticas está tornando essa rotina menos garantida do que imaginamos.

Milhões de brasileiros ainda dependem de fontes inseguras ou irregulares. Em muitas comunidades rurais, a água potável é um desafio diário, seja pela falta de proteção das nascentes ou pela ausência de uma rede estável.

Nesse cenário, a agricultura, responsável pelo alimento que chega à nossa mesa, é uma das atividades que mais sentem a fragilidade hídrica. Aqui cabe o ponto crítico: não podemos continuar tratando a irrigação como luxo ou burocracia. É necessidade básica. Sem água, não há safra. Sem safra, não há economia funcionando.

O nosso país ainda precisa expandir soluções como irrigação inteligente, microbarragens, cisternas rurais e recuperação de nascentes. São investimentos que garantem produtividade e estabilidade social. Afinal, quando falamos em água potável, falamos em saúde. Fontes protegidas, cercamento de nascentes, gestão adequada de poços artesianos e estruturação de cisternas são políticas públicas fundamentais, mas ainda insuficientemente difundidas. A verdade é que cuidar da água é também cuidar das pessoas.

Governos precisam fazer sua parte, mas também produtores, empresas, famílias e cada cidadão. A água pede respeito, proteção e uso consciente. E pede, acima de tudo, planejamento. Embora esta coluna trate do tema em nível geral, não posso deixar de mencionar que, aqui em Agudo, temos buscado agir de forma responsável. Estamos ampliando redes, perfurando novos poços, estruturando cisternas, protegendo nascentes e investindo em soluções definitivas, especialmente após os eventos climáticos mais recentes.

Fazemos a nossa parte, mas o desafio é de todos. Não resolvemos tudo, e ninguém deveria fingir que resolve, mas a diferença está em encarar o problema com seriedade e planejamento. A água é um patrimônio universal, e cuidar dela é garantir que as próximas gerações possam viver com dignidade, produzir com segurança e beber com tranquilidade.

(*) Luís Henrique Kittel, 40 anos, é jornalista formado pela então Unifra, atual UFN). É prefeito reeleito do município de Agudo (o único do PL na região), foi vice-presidente do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia e atualmente é vice-presidente da Associação dos Municípios da Região Central (AM Centro). Ele escreve no site às quintas-feiras.

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