Como as redes sociais influenciam o comportamento da população em um cenário de emergência – por Rosito Zepenfeld Borges
O incêndio e “a regra de ouro para todo mundo que pretende prestar ajuda”

Na sexta-feira, dia 26, por volta das 19 horas, a cidade foi balançada pelo trágico evento ocorrido no Colégio Marista em Santa Maria. Um incêndio de grandes proporções que danificou grande parte de uma estrutura centenária. Um evento que, felizmente, devido às circunstâncias, não gerou vítimas. Mesmo assim, falo em tragédia, pois os pilares da segurança contra incêndio são a preservação de vidas e patrimônio e, mais recentemente, preservação ambiental. No incêndio em questão, além do patrimônio perdido houve liberação de uma grande quantidade de fumaça na atmosfera, prejudicando consideravelmente a qualidade do ar.
Enfim, esse não é o objetivo do artigo. Gostaria de falar sobre o comportamento das pessoas em uma situação de emergência e o uso das redes sociais. Automaticamente, após o início do incêndio, tivemos uma invasão das diferentes plataformas com as mais variadas fotos e vídeos, adicionados de forma instantânea. Visto de todos os ângulos e com diversos meios de comunicação (oficiais e extraoficiais) transmitindo ao vivo o desenrolar da ocorrência.
Penso que esse excesso de exposição, como quase tudo na vida, tem pontos positivos e negativos. No meu entendimento, mais negativos do que positivos. Um ponto positivo que gostaria de destacar é a celeridade que as medidas de controle podem ser tomadas. A velocidade de detecção do incêndio influencia diretamente nas ações de combate, logo quanto mais cedo a notícia chegar aos responsáveis, mais prontamente serão mobilizados os recursos. Fatores como a qualidade e posicionamento das imagens podem contribuir positivamente na adoção de estratégias de enfrentamento.
Porém, o bombardeio de informações gera uma sensação de ansiedade coletiva, um opióide social. A população necessita de atualizações constantes, em tempo real. Acompanhando uma dessas transmissões, deparei-me com pessoas emitindo opiniões totalmente infundadas sobre questões técnicas complexas. Grande parte das pessoas não são capazes de filtrar uma opinião vinda de um leigo de uma informação gerada por um profissional, e isso gera desinformação, conhecida contemporaneamente como fake news. Outros utilizavam o evento para encaixar seus discursos políticos (no meio da transmissão com disputas entre direita e esquerda). Algumas pessoas faziam brincadeiras, muitas delas de péssimo gosto e algumas comparações infundadas com o incêndio da Boate Kiss.
Páginas de conteúdo sensacionalista criavam heróis instantâneos, movidos pelo alcance dos holofotes. Alguns, intencionalmente querendo chamar atenção para sua atuação em meio a ocorrência. Com certeza existiam populares que ajudaram de forma produtiva, não estou dizendo que isso não possa acontecer. Porém, a maioria das pessoas que em uma situação como essa migram para a área do evento quer produzir imagens; quer ser testemunhas oculares da história. E isso acaba gerando transtornos. Um exemplo foi a dificuldade que os caminhões do Corpo de Bombeiros tinham para voltar com carga de água em função do congestionamento de veículos gerado na Rua Cel Niederauer.
A regra de ouro para todo mundo que pretende prestar ajuda é: não devo me tornar parte do problema. Se a minha presença no local da ocorrência não for contribuir, certamente irá atrapalhar. Então, em uma situação de emergência como a que aconteceu, precisamos ter a seguinte premissa: se eu não tenho relação direta com o ocorrido e não possuo meios eficazes para auxiliar, devo ficar em casa. E dar espaço para as autoridades e demais pessoas qualificadas agirem.
Precisamos aprender com as tragédias para elaborar medidas de prevenção e proteção, mas, acima de tudo, desenvolver estratégias de resposta eficientes e seguras.
(*) Rosito Zepenfeld Borges é Engenheiro de Segurança do Trabalho. Ele escreve no site às segundas-feiras.





Resumo da opera III. Fica o caso da escada. Que ja tinha sido comentado por conta de predios de todo tamnho e o risco do ‘inferno na torre’. Gestao, so é problema para o politico quando bate na sala com ar condicionado. Senao e concentrar no que da votos e empurrar com a barriga. Quantas reunioes tosa de porco Aideti fez por conta do aparelhamento dos bombeiros?
Resumo da opera II. Cobertura da imprensa e trabalho dos bombeiros prejudicados pela epoca do ano. Maior preocupacao de uns era ‘entrevistar otoridades’. Grande coisa. Pessimo ja declarou a causa antes da pericia.
Resumo da opera. ‘[…] não são capazes de filtrar uma opinião vinda de um leigo de uma informação gerada por um profissional,[…]’. Engenheiro de Segurança do Trabalho. Escreveu sobre comunicação, psicologia, etc. Possivelmente baseado em ‘informaçoes’ disseminadas na midia tradicional.
Se “O Brando” entendesse o que é Segurança do Trabalho, certamente não faria esse comentário patético. Apenas coloquei a minha formação ao final do texto. “O Brando” faz colocações de que o que coloco é baseado em “Informações disseminadas pela mídia tradicional” sem saber que trajetória eu tenho dentro de operações e cenários de emergência, nem de que cursos e qualificações eu tenho além da Segurança do Trabalho para que eu possa ter escrito isso baseado em questões técnicas e científicas.
E sim… comunicação e psicologia faz parte sim da Engenharia de Segurança do Trabalho. Recomendo a leitura, por exemplo, dos textos de Christophe Dejours sobre o assunto.
‘Precisamos aprender com as tragédias para elaborar medidas de prevenção e proteção, mas, acima de tudo, desenvolver estratégias de resposta eficientes e seguras.’ E fechar o texto com uma exaltação genérica que acrescenta nada.
‘[…] se eu não tenho relação direta com o ocorrido e não possuo meios eficazes para auxiliar, devo ficar em casa.’ Outra perola do ar condicionado. Pessoas 100% ‘racionais’ 100% do tempo.
‘[…] a dificuldade que os caminhões do Corpo de Bombeiros tinham para voltar com carga de água em função do congestionamento de veículos gerado na Rua Cel Niederauer.’ Hidrante do Calçadão.
‘[…] a maioria das pessoas que em uma situação como essa migram para a área do evento quer produzir imagens; quer ser testemunhas oculares da história.’ Faz parte da natureza humana.
‘Grande parte das pessoas não são capazes de filtrar uma opinião vinda de um leigo de uma informação gerada por um profissional, e isso gera desinformação, conhecida contemporaneamente como fake news.’ Uma narrativa surgida no ar condicionado. Criada por gente ‘democratica’, gente com emprego a perigo e gente ‘todo mundo é lesado, menos eu’. Iterações são multiplas e acabam por filtrar as informações na verdade. Há quem creia em discos voadores, sempre haverá.
‘[…] deparei-me com pessoas emitindo opiniões totalmente infundadas sobre questões técnicas complexas.’ Como em todo acontecimento de repercussão.
‘No meu entendimento, mais negativos do que positivos.’ Ou seja, a população, criança a ser levada pela mão, tem que ter seus meios de informação controlados. ‘Democraticamente’.