Indicação de Flávio é o capítulo final da novela “O substituto de Bolsonaro”? – por Carlos Wagner
Avaliação, com informações, sobre o cenário atual na pré-campanha de 2026

Vou lembrar ao leitor e aos colegas repórteres uma afirmação que tenho feito sobre a carreira do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL), 70 anos. Tenho escrito que ele não é dono de uma inteligência superior e muito menos é um exímio articulador de estratégias políticas. Pelo contrário. Durante três décadas foi um integrante do baixo clero da Câmara dos Deputados, como são conhecidos os parlamentares sem projetos.
Mas é um cara muito esperto e astuto na disputa política. E um mestre na arte do improviso. Tem a marca do perfil político de Bolsonaro a indicação do seu filho Flávio, 44 anos, senador pelo PL do Rio de Janeiro, para substituí-lo na corrida presidencial de 2026 contra o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 80 anos, que concorrerá à reeleição.
Este é o final inesperado de uma novela que começou em junho de 2023, quando Bolsonaro foi declarado inelegível até 2030 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Imediatamente, uma fila de candidatos formou-se na porta do ex-presidente, disputando a sua indicação para substituí-lo. No último ano, um deles se consolidou como o preferido, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), 50 anos, ex-ministro e afilhado político de Bolsonaro.
No início do ano, em março, a candidatura do governador a substituto de Bolsonaro começou a ser implodida por outro filho do ex-presidente. Eduardo, 41 anos, deputado federal (PL) por São Paulo, acusou Tarcísio de negociar uma aliança com parlamentares do Centrão e grupos de empresários paulistas para usar eleitoralmente o prestígio político do seu pai, mas sem se comprometer com as bandeiras do bolsonarismo, principalmente a anistia geral e irrestrita para os condenados por tentativa de golpe de estado.
No dia 25 de novembro, Bolsonaro começou a cumprir, numa cela da Polícia Federal, em Brasília, a pena de 27 anos que recebeu por ser um dos mentores de uma série de eventos que se iniciaram em novembro de 2022 e culminaram com a depredação, em 8 de janeiro de 2023, do Palácio do Planalto, do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília.
Além de Bolsonaro, 36 ex-ministros e funcionários do primeiro escalão do seu governo foram acusados de tentativa de golpe. O ex-presidente e outros sete já cumprem as suas penas. O restante ainda está sendo julgado. O início do cumprimento da sentença instalou na família de Bolsonaro uma luta pela escolha do seu substituto em 2026. Ele acabou com a briga indicando Flávio e exigindo obediência de todos.
Aliás, a bem da verdade, a indicação do senador começou a ser costurada pelo ex-presidente em outubro, quando enviou Flávio aos Estados Unidos para se avistar com Eduardo, que se mudou para lá no início do ano com a missão de fazer lobby junto ao governo do presidente Donald Trump (republicano), 79 anos, para pressionar Lula a anistiar Bolsonaro e os demais envolvidos na trama golpista.
Nos Estados Unidos, Flávio e Eduardo conversaram sobre dois assuntos: a realidade da política brasileira e a relação entre Lula e Trump. Pelo que li e ouvi, é do conhecimento do ex-presidente, de Eduardo e de Flávio que é quase impossível vencer Lula em uma eleição sem fazer um acordo com o Centrão e os empresários paulistas.
Mas eles apostam em duas coisas: atrair o interesse do eleitor revivendo o discurso radical que elegeu Bolsonaro em 2018. E que, caso percam as eleições, o movimento bolsonarista continuará sob o controle da família e, portanto, eles permanecerão no jogo. Lembro-me de uma frase muito repetida por Eduardo: “Nós ganhamos perdendo”.
A indicação de Flávio derrubou a bolsa de valores na sexta-feira (a maior queda diária desde 2021) e fez disparar a cotação do dólar, o que, na opinião dos analistas, sinalizou a desaprovação dos mercados, que apostavam no governador paulista para derrotar Lula. É do jogo. Flávio ainda não esquentou o assento na posição de indicado para concorrer no lugar do pai e muitos observadores já apostam que ele não resistirá até o meio do ano.
Chamo a atenção dos colegas para o seguinte. O objetivo principal da indicação do senador foi manter o controle no movimento bolsonarista com a família. Vamos partir do princípio de que Flávio vai ser cabeça de chapa. Se Tarcísio concorrer à reeleição em São Paulo, como vem dizendo, ele fará campanha para o senador? Tem que esperar para ver.
Também é real a chance do governador concorrer a presidente em uma aliança com o Centrão e grupos de empresários paulistas. Se isso acontecer e o governador atacar Flávio durante a campanha, os bolsonaristas irão detoná-lo. Por quê? Ele se elegeu graças ao prestígio político do ex-presidente.
Lembro que todos os aliados que se voltaram contra Bolsonaro nunca mais conseguiram se eleger síndico do prédio. Nos próximos dias devem começar a circular listas de possíveis nomes para vice de Flávio. Será que ele vai escolher um “bolsonarista raiz”? Nos quatro anos do mandato do ex-presidente nós jornalistas aprendemos que Bolsonaro é uma pessoa desconfiada por natureza. Logo, não vai escolher para vice alguém que possa fazer sombra ao filho. Como se dizia nos tempos das barulhentas máquinas de escrever nas redações, vai ser uma disputa interessante.
Arrematando a nossa conversa. Essa será a primeira eleição depois que o ex-presidente da República, generais e outras pessoas foram julgados, condenados e estão cumprindo pena por terem atentado contra a democracia brasileira. Sou um velho repórter, 75 anos, 40 e tantos de redação e muitos quilômetros percorrendo as estradas em busca de histórias para contar. Lembro-me que quando comecei a trabalhar, em 1979, a imprensa era censurada pelos militares que haviam tomado o poder em 1964. Quando saíram, em 1985, deixaram uma bagunça administrativa e econômica que resultou na hiperinflação e um rastro de torturados, mortos e desaparecidos.
Não me lembro de nenhum deles, ou de seus aliados civis, ter sido preso e julgado pelos seus crimes. Os responsáveis pelos atentados contra a democracia em 2022 e 2023 foram julgados, condenados e estão na cadeia. Uma situação que nem nos mais malucos papos entre jornalistas nos botecos nos anos 70 se podia imaginar que iria acontecer um dia. Mas aconteceu.
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(*) O texto acima, reproduzido com autorização do autor, foi publicado originalmente no blog “Histórias Mal Contadas”, do jornalista Carlos Wagner.
SOBRE O AUTOR: Carlos Wagner é repórter, graduado em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo, pela UFRGS. Trabalhou como repórter investigativo no jornal Zero Hora de 1983 a 2014. Recebeu 38 prêmios de Jornalismo, entre eles, sete Prêmios Esso regionais. Tem 17 livros publicados, como “País Bandido”. Aos 75 anos, foi homenageado no 12º encontro da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI), em 2017, SP.





Resumo da opera. A gastança continua cumpenhero. Quero ver a hora de pagar. Pelo jeito o BC só vai baixar os juros lá por abril, maio. Quando os efeitos na inflação não puderem mais influenciar o pleito.
Resumo da opera. Tendencia atual é sair diversos candidatos a presidência pela direita. O mais votado depois recebe apoio dos outros. Mote? ‘Vamos tirar o PT’. Nenhuma surpresa, até porque já cumpriram o papel de tirar o Cavalão do jogo.
Resumo da opera. Esta ‘novela’ é uma cortina de fumaça. Tem gente graudíssima neste caso Banco Master. Uma encrenca destas com oferta de compra do Banco de Brasilia e Fictor, uma empresa de investimentos que atua na industria alimenticia, infraestrutura e setor financeiro, é no minimo suspeito. Viagens de avião, sigilo total, dinheiro indo para escritorios de esposas de ministros. O nome do filme é ‘Banestado II, a missão’?
Retrospectivas desnecessarias. Sem importancia. Papo de velho. Nesta hora algum(a) imbecil vai falar em ‘ageísmo’. Que vá plantar batatas. Pensando bem, na sala com ar condicionado não é possivel.
‘[…] depois que o ex-presidente da República, generais e outras pessoas foram julgados, condenados e estão cumprindo pena por terem atentado contra a democracia brasileira.’ Para variar midia cumpenhera e Vermelhos ficam martelando algo que a grande maioria não da importancia.
‘ Logo, não vai escolher para vice alguém que possa fazer sombra ao filho.’ Rato Rouco escolheu José Alencar e Picolé de Chuchu. Dilma, a humilde e capaz, ficou com Temer.
‘Nos quatro anos do mandato do ex-presidente nós jornalistas aprendemos que Bolsonaro é uma pessoa desconfiada por natureza.’ Para quem confia em jornalistas quero lembrar que estou vendendo um viaduto na BR158. Bonitaço, tem uma curva no meio. Da para fazer bungee jumping.
‘ Nos próximos dias devem começar a circular listas de possíveis nomes para vice de Flávio.’ A lógica manda escoher alguém do nordeste.
‘Também é real a chance do governador concorrer a presidente em uma aliança com o Centrão e grupos de empresários paulistas.’ Jornalistas, ao menos na cabeça deles, nunca erram. Teimoso é quem teima com teimoso.
‘Se Tarcísio concorrer à reeleição em São Paulo, como vem dizendo, ele fará campanha para o senador?’. O que Tarcisio disse? ‘O Flavio vai contar com a gente’. Caterva não consegue lidar com alguém que tem palavra.
O dado mais importante para mercado de capitais. O bonus dos operadores é pago semestralmente. A visão deles é de curtíssimo prazo. Apesar disto precificaram (começaram a) uma possivel reeleição do Rato Rouco.
‘A indicação de Flávio derrubou a bolsa de valores na sexta-feira (a maior queda diária desde 2021) e fez disparar a cotação do dólar, o que, na opinião dos analistas, […]’. Existem mitos ligados ao mercado financeiro. Muitos ‘bilionários’ por lá são bilionarios em real. Muitos não moram no pais, tem domicilio fiscal fora. Uma das maiores empresas é a Petrobras (que junto com a Vale tem um peso enorme no indice). Ultimo IPO (uma empresa abrindo capital) na bolsa de valores brasileira aconteceu em 2021. Condições econômicas. Moviemento inverso aconteceu, empresas comprando as ações e fechando capital.
‘[…] o movimento bolsonarista continuará sob o controle da família […]’. Um movimento sem ninguém com o sobrenome da familia nele? Existe uma tradição tupiniquim. Em 2021 faleceu Bonifacio de Andrada, tetraneto de José Bonifacio. Juliana Brizola. Simone Tebet. João Henrique Campos. Helder Barbalho. Renan Filho. Parece a lista de professores da UFSM embora esta seja menor.
‘[…] atrair o interesse do eleitor revivendo o discurso radical que elegeu Bolsonaro em 2018.’ Zero um declarou que Cavalão não quis tomar vacina, mas ele tomou duas doses. Esta se vendendo como um cavalista moderado.
‘Pelo que li e ouvi, é do conhecimento do ex-presidente, de Eduardo e de Flávio que é quase impossível vencer Lula em uma eleição sem fazer um acordo com o Centrão e os empresários paulistas.’ A reciproca é verdadeira. Obvio.
‘Nos Estados Unidos, Flávio e Eduardo conversaram sobre dois assuntos: a realidade da política brasileira e a relação entre Lula e Trump.’ Ou seja, o óbvio precisa virar ‘noticia’ porque os tabacudos não podem chegar a esta conclusão sozinhos. O detalhe: nada importante é conversado por telefone por possibilidade de grampo. Ainda mais com Xandão no circuito.
‘Aliás, a bem da verdade, a indicação do senador começou a ser costurada pelo ex-presidente em outubro, quando enviou Flávio aos Estados Unidos para se avistar com Eduardo, […]’. Se sabe o teor da conversa entre os irmãos por que não divulga tudo? Porque é chute! Não tem a menor idéia dos assuntos tratados.
‘[…] a candidatura do governador a substituto de Bolsonaro começou a ser implodida por outro filho do ex-presidente.’ Narrativa. Midia cumpanhera sempre sai com uma versão que é negativa para o Cavalismo. Truquezinho antigo. É o ‘racha’ na questão Ciro Gomes. É o ‘enquadramento’ de Michelle. Aproveitam as lacunas na informação. Tarcisio visitou duas ou tres vezes o Cavalão mesmo ele estando preso. Alguém acha que não foi comunicado da indicação do 01? Alguém acha que Van Hattem visitou Cavalão e não falaram em politica? Alguém acha que não tem muita coisa combinada que não vaza para a midia cumpanhera? Lembrando que estou vendendo um viaduto na BR158. Baratinho.
‘No último ano, um deles se consolidou como o preferido, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas […]’. Preferido de quem? Do Centrão. Das viúvas do tucanato. Da classe média bunda-mole que ‘está cansada da polarização’. Da classe média bunda-mole e dos Vermelhos que desejam enterrar o Cavalismo (imbecis acham que a historia é algo fácil de ser conduzida, os fatos; não conseguem mais nem controlar as narrativas). Do PT porque Tarcisio poderia ser derrotado na eleição a presidencia e ainda por cima abriria um vácuo em SP que viabilizaria uma candidatura do Picolé de Chuchu ou do Taxad.
‘No último ano, um deles se consolidou como o preferido, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas […]’. Circo. Tarcisio tem inúmeras entrevistas gravada em vídeo. Discurso sempre o mesmo. Deve muito ao Cavalão e é leal a ele. Muitas obras que devem se concluir somente no proximo mandato e que ele deseja ver concluídas. Não concorreria a presidencia, mas apoiaria quem quer que fosse indicado pelo Cavalão.
‘Tenho escrito que ele não é dono de uma inteligência superior e muito menos é um exímio articulador de estratégias políticas.’ Kuakuakuakuakuakua! Dizem os jênios do jornalismo. Chegou a presidencia totalmente por acaso. Achou a faixa presidencial na calçada. Kuakuakuakuakuakua!