O poder do compromisso: o que o retorno de Abel Braga nos ensina sobre cultura de segurança – por Rosito Zepenfeld Borges
Lições a se extrair, não apenas para o futebol, da volta do veterano treinador

A decisão do Internacional de chamar Abel Braga de volta às vésperas das duas últimas rodadas do campeonato – num momento de crise, com o clube ameaçado de rebaixamento – revela mais do que uma simples troca de comando técnico: trata-se de uma aposta na simbologia, na história e no comprometimento de quem representa os valores do clube. Abel, ídolo histórico, com 340 jogos oficiais pelo time e recordista de passagens pelo clube, assume um desafio extremo motivado pelo vínculo afetivo e pela responsabilidade moral com a instituição.
No mundo corporativo, situações semelhantes ocorrem quando empresas enfrentam crises – financeiras, reputacionais ou operacionais – e procuram se reerguer confiando em profissionais experientes, comprometidos e identificados com a missão da empresa.
A liderança assertiva nesses momentos pode funcionar como um “salvavidas”, pois transmite segurança para a equipe: saber que alguém com história e comprometimento assume a responsabilidade inspira confiança e mobiliza os colaboradores para o esforço coletivo.
Anteriormente, nesse mesmo espaço, abordei o tema da cultura de segurança nas empresas. Essa volta por “amor ao clube” aponta para a importância de vínculos afetivos, pertencimento e propósito no ambiente organizacional, contribuindo para o tema.
Quando trabalhadores se sentem parte de algo maior, com valores compartilhados, tendem a se envolver mais, a cuidar não apenas de suas tarefas, mas do todo: da reputação, da segurança, do clima e da sustentabilidade da instituição como um organismo coletivo. Isso contribui para uma cultura de segurança mais robusta, onde todos se sentem responsáveis – não apenas porque há regras, mas porque existe compromisso com o coletivo.
Segundo conceitos contemporâneos de gestão de pessoas, lideranças que inspiram confiança e proximidade com os valores da organização têm papel crucial para transformar desafios em mobilização coletiva. Empresas que investem em cultura organizacional e no bem-estar dos colaboradores geralmente alcançam melhores resultados – não só em produtividade, mas em retenção, proatividade e resiliência diante de crises. Analogamente, a volta de Abel pode funcionar como catalisador para renovação do espírito de luta no clube.
Por fim, a história de Abel – que já havia anunciado aposentadoria – demonstra que, em momentos críticos, apelamos não apenas à técnica, mas à missão, à história e ao sentido de pertencimento. Para as empresas, isso significa que em gestão de riscos psicossociais e cultura de segurança, cultivar o sentimento de pertencimento, valorizar a experiência, reconhecer o comprometimento e reforçar a missão institucional pode ser tão estratégico quanto definir protocolos e rotinas.
Quando colaboradores acreditam no “porquê” da organização, estarão mais dispostos a se engajar ativamente – inclusive em práticas de segurança, respeito mútuo e cuidado com o coletivo.
(*) Rosito Zepenfeld Borges é Engenheiro de Segurança do Trabalho. Ele escreve no site às segundas-feiras.





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