Quando o espaço público vira oportunidade: uma lição de Porto Alegre que Santa Maria pode aproveitar – por Giuseppe Riesgo
“Um marco legal para a adoção de áreas públicas no município” já foi criado

Durante muitos anos, o Viaduto da Conceição simbolizou tudo aquilo que o poder público costuma evitar: abandono, insegurança e degradação. Quem passava por ali sentia isso na prática. Eu entendo esse problema não como um detalhe urbano, mas como um custo diário imposto à cidade. Foi por isso que decidimos enfrentar essa realidade em Porto Alegre de forma direta.
A requalificação do Viaduto da Conceição parte de uma ideia simples, mas poderosa: onde há gente circulando, trabalhando e empreendendo, há mais segurança e mais cuidado. Em breve, o espaço vai abrigar lancheria, ponto de xis, hamburgueria e até um salão de beleza. São negócios pequenos, cotidianos, mas que fazem toda a diferença quando ocupam áreas antes marcadas pelo medo e pelo vazio.
O modelo que adotamos é claro, lançamos edital, selecionamos empreendedores e cedemos o espaço sem cobrança de aluguel. Em troca, a cidade ganha manutenção, limpeza e uso permanente do local. Além disso, implantamos uma nova base da Guarda Civil Metropolitana no viaduto, garantindo presença constante do poder público e ampliando a sensação de segurança. Não se trata de uma ação isolada. Porto Alegre já conta com outros viadutos adotados e novas áreas em fase final de implementação. Isso é política pública com método, continuidade e visão de cidade.
Faço esse relato porque acredito que Santa Maria precisa olhar com atenção para essa experiência. Recentemente, a Câmara de Vereadores aprovou um projeto importante, de autoria do vereador Luiz Roberto Meneghetti, que cria um marco legal para a adoção de áreas públicas no município. Essa lei permite que empresas e a própria comunidade assumam a manutenção de praças, viadutos e outros espaços, em troca da exploração comercial, publicidade ou prestação de serviços.
O ponto central aqui é a segurança jurídica. Sem regra clara, ninguém investe. Com regra clara, surgem projetos, parcerias e soluções criativas. O que Porto Alegre demonstra, na prática, é que o modelo funciona quando há coordenação, edital bem feito e vontade política para transformar lei em ação concreta.
Santa Maria enfrenta desafios urbanos conhecidos: espaços subutilizados, áreas degradadas e sensação de insegurança em pontos estratégicos da cidade. Agora, com a lei aprovada, existe uma oportunidade real. Falta o passo decisivo: regulamentar, lançar editais e estimular o empreendedorismo urbano. Santa Maria tem, hoje, as ferramentas legais para fazer o mesmo, se decidir agir.
(*) Giuseppe Riesgo é secretário de Parcerias da Prefeitura de Porto Alegre e ex-deputado estadual pelo partido Novo. Ele escreve no site às quintas-feiras.





Resumo da opera. Problemas da urb são circulares, de tempos em tempos sempre os mesmos vem a tona. Soluções também. Magicas. Turismo. Turismo religioso. Carnaval. Hub logistico. Coisas do genero. E a cascata ‘vai movimentar o comércio e gerar tributos’. Nada é medido, tudo é no mimimi. Não se sabe quanto do orçamento da UFSM fica na cidade. E nem do que é gasto no comércio já que as redes não são daqui, inclusive as farmácias. Vamos combinar, UFSM mais HU com orçamento de 1,7 bilhão. Poder municipal com 1,4 bilhão orçado. Somando resulta em 3,1 bilhões por ano. População de 270 mil pessoas. Vendem que desejam chegar em algum lugar (economicamente), mas não tem a menor ideia de onde estão.
Urb é famosa pelos cascateiros também. Se for fuçar no Carnaval de Uruguaiana veremos que já não é mais o que dizem ser. Falam em impacto de 10 milhões em 2024. Para um orçamento municipal de pouco mais de 440 milhões. É um problema sair um em SM? Não, desde que não entre dinheiro publico. Mas o discurso é o mesmo, ‘por que o Tecnoparque não pode virar um Vale do Silicio em 50 anos?’.
Senão vejamos. Vermelhos defendem transporte publico gratuito. Segundo as contas do governo de plantão seriam necessarios 90 bilhões por ano para custear (ou seja, deve custar muito mais). O montante total gasto pelas empresas brasileiras é pouco superior a 17 bilhões por ano. A conta não fecha.
Mentalidade da aldeia é pagar um monte de tributos e ainda apelar para ‘parcerias publico-privadas’ onde a parte ‘privada’ tem um lucro tabelado.
Viaduto da Conceição tem 31 espaços comerciais. Uma base da Guarda Municipal. Adoção via contrato de 5 anos. Mais parecido com isto em SM é a Gare. Que esta como está.
‘O ponto central aqui é a segurança jurídica. Sem regra clara, ninguém investe.’ Sem segurança economica também não. Soluções magicas vindas de uma realidade diferente.