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Quem inventou o Natal? – por Guilherme Bicca

Tradição que a gente cultua todo fim de ano não, não é invenção da coca-cola

Todo ano, ela reaparece. Uma “verdade nua e crua” compartilhada com ar de denúncia: o Natal como conhecemos foi inventado pela Coca-Cola e popularizado pelo mercado publicitário norte-americano.

Segundo essa versão, o Papai Noel seria um personagem criado para vender refrigerante. Um grande case de marketing, desses que mudam o comportamento do planeta inteiro.

A verdade verdadeira? Não.

A resposta correta exige um pouco mais de contexto.

A Coca-Cola, de fato, ajudou a popularizar e padronizar a imagem moderna do Papai Noel. Mas não o inventou. E, definitivamente, não foi a primeira a colocá-lo de vermelho.

A origem do personagem é bem mais antiga e bem menos mercadológica do que se imagina.

A figura do Papai Noel tem raízes em São Nicolau, um bispo do século IV na região da atual Turquia. Nicolau ficou conhecido por sua generosidade, especialmente por ajudar crianças e famílias pobres, muitas vezes de forma anônima. Com o tempo, sua fama se espalhou pela Europa, e sua imagem foi incorporada a tradições populares de diferentes países.

Cada cultura adaptou o personagem à sua maneira:  nomes distintos, características próprias e funções simbólicas semelhantes, como o presente e a ideia de generosidade associada ao fim do ano.

Foi só no século XIX que o “bom velhinho” começou a ganhar uma forma mais próxima da que conhecemos hoje. Um dos principais responsáveis por essa consolidação visual foi o ilustrador Thomas Nast, que, a partir da década de 1860, passou a desenhar Santa Claus para a revista Harper’s Weekly. 

Nast imaginou um personagem robusto, barbudo e vestido com roupas de inverno. Uma escolha quase inevitável para quem vivia o Natal no hemisfério norte. 

E, diga-se de passagem, mesmo antes da Coca-Cola entrar em cena, o vermelho já aparecia com frequência nessas representações. No Brasil, por exemplo, revistas das primeiras décadas do século XX já traziam ilustrações do então chamado Papá Noel, muitas delas com roupas vermelhas, ainda que sem padronização estética. 

O nome, aliás, vem do francês Père Noël: “Pai Natal”. 

A Coca-Cola só aparece em 1931, quando encomenda ao ilustrador Haddon Sundblom uma série de imagens publicitárias com o Papai Noel. 

Para isso, Sundblom se baseou no poema “A Visit from St. Nicholas”, de Clement Clarke Moore, escrito em 1822. O resultado foi um personagem mais humano, caloroso, sorridente e simpático. Ou seja, que combina com campanhas de fim de ano.

Aliás, a própria Coca-Cola reconhece que o vermelho não foi uma invenção sua e considera tudo uma “coincidência feliz”: a cor sempre estave presente, e combinava perfeitamente com a identidade da marca.

No início, Sundblom usava como modelo um amigo, Lou Prentiss, um vendedor aposentado. Depois de sua morte, passou a usar a própria imagem refletida no espelho para continuar pintando o personagem..

Portanto, não: o Natal não foi inventado por uma multinacional e o Papai Noel não nasceu em uma sala de reuniões. 

A tradição que a gente cultua todo fim de ano é bem mais antiga, complexa e interessante do que a versão reduzida de que foi inventada por uma empresa de refrigerante. 

E mesmo que a Coca-Cola não tenha inventado o Papai Noel, ela ajudou o mundo a uniformizar sua imagem..

E, convenhamos, para uma história que atravessa séculos, culturas e crenças diferentes, isso já é um feito e tanto.

(*) Guilherme Bicca é jornalista graduado na Universidade Franciscana (UFN) desde 2008. Nesses anos, especializou-se em assessoria de comunicação integrada, quando realizou trabalhos junto a instituições como Sociedade de Medicina; Apusm; Sindilojas; e, mais recentemente, CDL Santa Maria. Está à frente da comunicação de entidades como Adesm e Secovi Centro Gaúcho; presta assessoria especializada ao Fidem Bank; é redator sênior na Jusfy, legaltech eleita a startup mais escalável do último South Summit. Também é um dos âncoras do Semanário, programa veiculado aqui mesmo em claudemirpereira.com.br; e criador do podcast Bocas do Monte, da TV Santa MariaGuilherme Bicca escreve às sextas-feiras no site.

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3 Comentários

  1. Resumo da operara II. Não caiu a ficha para muita gente na publicidade. Transferiram para a internet (Youtube e quetais) o mesmo tipo de peça que faziam para tv aberta. Marreco é o cliente que paga este tipo de propaganda.

  2. Resumo da opera. Coluna é do autor, escreve o que bem entender. Mas se alguém perde tempo lendo é justo que se faça observações. Atualmente as informações estão muito mais disseminadas. O poder transferiu-se para a ‘audiencia’ que cria sua propria bolha. Este tipo de trivia servia para preencher algum espaço em branco em jornais ou era apresentados naqueles almanaques distribuidos no final do ano em farmácias. Traziam desde horoscopo até os melhores dias para pescar. As datas de plantio para determinadas culturas da horta. Hoje existe internet, Google e Wikipedia. Que para assuntos mais sérios tem um evidente viés a esquerda. Mas para abobrinhas serve.

  3. Do atraso e decadencia da aldeia e dos profissionais que aqui trabalham. Nem mencionou-se as saturnalias. Numa altura do campeonato os templos pagãos foram derrubados e construiram-se igrejas em cima. Com as datas não é muito diferente. Diz-se por ai que a verdadeira data do Nascimento é Dia de Reis. Total zero, o nome da efeméride na França não é ‘Natal’, é ‘Noel’.

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