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A UFSM desaprendeu a fazer vestibular? – por Guilherme Bicca

Aprendi a andar de bicicleta por volta dos meus oito anos. E a sabedoria popular diz que ninguém desaprende a andar de bicicleta. Mas tenho certeza de que se, hoje, eu subir em uma, não vou andar em linha reta nos primeiros metros.

O vestibular é a bicicleta da UFSM.

A UFSM ficou nove anos sem realizar o vestibular antes de retomá-lo em 2023. E parece que ainda não reaprendeu a fazê-lo.

Os relatos de quem esteve no campus durante o último final de semana foram os piores possíveis. Desde a escolha das ruas com trânsito interrompido e o despreparo das equipes escolhidas para orientar os vestibulandos que chegavam de carro, até a lambança feita pela Polícia Rodoviária Federal na avenida principal.

Sem contar com a Polícia Rodoviária Estadual que, posicionada em frente à rótula da Faixa Nova, no primeiro dia, impediu que boa parte dos motoristas convertessem à esquerda ou fossem em frente, na direção da Faixa Velha. O que obrigou uma viagem extra até o trevo do aeroporto.

Falando em aeroporto, já imaginou vir de longe e perder o vestibular porque a UFSM mudou o seu local de prova na noite anterior? Pois é… aconteceu. Há relatos de candidatos que ao chegar no prédio informado, descobriram que sua prova não seria mais ali e que a decisão foi tomada poucas horas antes.

Além disso, foi possível constatar que não houve uniformidade de condições para realização da prova. Pois em pleno mês de janeiro, algumas salas foram climatizadas. Outras não. Ou seja, enquanto alguns candidatos realizaram a prova em condições ideais de temperatura, outros enfrentaram, em hora nada propícia, o verão santa-mariense.

Mas isso não é nada se levarmos em consideração que alguns fiscais de prova sequer lembraram de ligar a luz da sala.

Daria também para criticar a distribuição dos turnos de prova. Mas isso é subjetivo. Apesar de que um intervalo com mais de duas horas para o almoço objetivamente favorece aqueles candidatos com melhor condição financeira. Principalmente aqueles que realizaram a prova no campus.

Enquanto alguns jovens se socorriam nos restaurantes ou almoçavam com a familia que esperava do lado de fora (muitos inclusive puderam descansar dentro do carro, no geladinho do ar-condicionado) outros só podiam contar com bolacha de água e sal se refugiando em alguma sombra no gramado.

E se você não vê disparidade nisso, nada que eu disser fará ver.

Enfim… pena que o vestibular não é mesmo uma bicicleta. Quem sabe assim, pedalando por mais um ano, o certame em 2027 seja menos cambaleante.

(*) Guilherme Bicca é jornalista graduado na Universidade Franciscana (UFN) desde 2008. Nesses anos, especializou-se em assessoria de comunicação integrada, quando realizou trabalhos junto a instituições como Sociedade de Medicina; Apusm; Sindilojas; e, mais recentemente, CDL Santa Maria. Está à frente da comunicação de entidades como Adesm e Secovi Centro Gaúcho; presta assessoria especializada ao Fidem Bank; é redator sênior na Jusfy, legaltech eleita a startup mais escalável do último South Summit. Também é um dos âncoras do Semanário, programa veiculado aqui mesmo em claudemirpereira.com.br; e criador do podcast Bocas do Monte, da TV Santa Maria. Guilherme Bicca escreve às sextas-feiras no site.

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13 Comentários

  1. É bom também falar das UniEsquinas locais, em que você entrega um quilo de açúcar, assina o contrato, paga o primeiro boleto, faz o sinal de cruz e sai matriculado rsrsrs Prova? Que prova?

  2. Resumo da opera II. Midia, jornalistas bem dizendo, nunca cobram resultados de politicos(as). Para estes basta o processo, as ‘boas intenções’. Responsabilidade só quando dá muita m. Para os demais se cobra a perfeição. Eles (e elas) mesmo apresentando um trabalho muita das vezes capenga.

  3. Resumo da opera. Quero crer que a grande maioria não teve que trocar de sala. E o pessoal que foi de onibus não teve problemas com o transito. Catação de milho é truque antigo da midia. Deste tipo geralmente é sintoma de que alguém relacionado ao autor, seja amigo ou parente, passou algum perrengue no certame. Pode ser só chatice também.

  4. ‘E se você não vê disparidade nisso, nada que eu disser fará ver.’ Como se a disparidade se resumisse a um vestibular.

  5. ‘[…] objetivamente favorece aqueles candidatos com melhor condição financeira.’ Luta de classes no vestibular. Não existem cotas? Inclusive socioeconomicas?

  6. ‘Mas isso não é nada se levarmos em consideração que alguns fiscais de prova sequer lembraram de ligar a luz da sala.’ Picuinha. Bobagem. Frescura. ‘Afetação, sensibilidade exagerada a pequenos inconvenientes ou deslizes; melindre excessivo’. Tem que existir nota de rodapé para os imbecis.

  7. ‘ Ou seja, enquanto alguns candidatos realizaram a prova em condições ideais de temperatura, outros enfrentaram, em hora nada propícia, o verão santa-mariense.’ A busca pela igualdade não sai do coração e da mente dos Vermelhos. Queria que desligasse o ar condicionado onde existia?

  8. ‘[…] descobriram que sua prova não seria mais ali e que a decisão foi tomada poucas horas antes.’ Mas os organizadores acordaram naquele dia e resolveram ‘acho que vamos trocar alguns lugares de prova de lugar’ ou aconteceu alguma coisa com a sala original que impediu o uso?

  9. ‘[…] até a lambança feita pela Polícia Rodoviária Federal na avenida principal.’ ‘[…] Sem contar com a Polícia Rodoviária Estadual […]’. Criticar uma decisão sem saber como ela foi tomada, qual o objetivo, etc. No futebol comentario de resultado.

  10. ‘Os relatos de quem esteve no campus durante o último final de semana foram os piores possíveis.’ Santamarienses são, dentre outras coisas, reclamões e gabolas. Simples assim.

  11. Cacoete de jornalista que faz cobertura de futebol. ‘Se o técnico tivesse escalado o time como eu sugeri não tinha perdido.’ Os ianques falam em ‘monday morning quarterback’.

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