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Entre o ruído interno e o estrondo externo, há um espaço decisivo para o Brasil: liderar pela diplomacia – por José Renato Ferraz da Silveira

A ação dos Estados Unidos reverbera no debate interno brasileiro. A opinião pública tende a se dividir entre leituras ideológicas opostas, reativando discussões sobre imperialismo, democracia, direitos humanos e alinhamentos internacionais.

As redes sociais já mostram esse embate, que pressiona o governo a se posicionar rapidamente, tendo em vista o interesse nacional.

O risco é transformar política externa em combustível para polarização doméstica. Administrar esse ruído será tão importante quanto lidar com os efeitos diplomáticos externos.

Com a captura de Nicolás Maduro, a América do Sul entra em um território pouco explorado desde o fim da Guerra Fria.

O uso aberto da força por uma potência externa redefine regras, enfraquece normas jurídicas e amplia a instabilidade regional.

Para o Brasil, o desafio central será agir como fator de equilíbrio.

Defender a legalidade internacional, preservar seus interesses nacionais e evitar que a região mergulhe em uma lógica de confrontos permanentes.

Em um cenário em que a força volta a falar alto, insistir na política como instrumento legítimo de mediação deixa de ser idealismo e passa a ser necessidade estratégica.

Em última instância, a crise venezuelana não testa apenas governos, mas a maturidade política da região.

O Brasil será chamado a decidir se reage aos fatos ou se ajuda a moldar os rumos do continente. Entre o ruído da polarização interna e o estrondo das armas externas, há um espaço estreito – porém decisivo – para a diplomacia responsável. Ocupá-lo não será sinal de fraqueza, mas de liderança. Em tempos de força bruta, sustentar a política como linguagem do poder é, paradoxalmente, o gesto mais realista que um Estado pode oferecer.

(*) José Renato Ferraz da Silveira, que escreve às terças-feiras no site, é professor Titular da Universidade Federal de Santa Maria, lotado no Departamento de Economia e Relações Internacionais. É Graduado em Relações Internacionais pela PUC-SP e em História pela Ulbra. Mestre e Doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP. Colunista do Diário de Santa Maria. Participou por cinco anos do Programa Sala de Debate, da rádio CDN, do Diário de Santa Maria. Contribuições ao jornal O Globo, Sputnik Brasil, Rádio Aparecida, Jornal da Cidade, RTP Portugal. Editor chefe da Revista InterAção – Revista de Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) (ISSN 2357- 7975) Qualis A-2. Editor Associado da Scientific Journal Index. Também é líder do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP).

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