A região começa a virar a chave da previdência – por Luís Henrique Kittel
Municípios deixam para trás o improviso e “adotam visão regional, estratégica...”

O debate previdenciário, por muito tempo, foi tratado como um tema espinhoso demais para ser enfrentado coletivamente. Cada município lidava com suas dificuldades de forma isolada, muitas vezes postergando decisões por receio do desgaste político imediato. Mas essa realidade começa a mudar, e os municípios da Região Central dão sinais claros de maturidade institucional ao avançar de forma conjunta nessa agenda.
Nesta semana, realizamos uma reunião no Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, onde compreendemos que o desafio previdenciário não é local, e sim estrutural. O desequilíbrio dos Regimes Próprios de Previdência Social não surgiu de um único fator, nem de uma única gestão. Ele é resultado de décadas de mudanças demográficas, escolhas administrativas e, principalmente, da ausência de enfrentamento no tempo certo.
O que muda agora é a postura. Ao se reunirem, trocarem experiências e buscarem orientação técnica, os municípios mostram que estão deixando para trás a lógica do improviso e adotando uma visão regional, estratégica e de longo prazo. Isso é um avanço significativo.
A articulação liderada pela Associação dos Municípios da Região Centro representa uma mudança de cultura na gestão pública: a compreensão de que problemas complexos exigem soluções compartilhadas, diálogo permanente e decisões responsáveis.
Outro ponto importante desse movimento é o papel pedagógico que o debate passa a exercer. Quando prefeitos, técnicos, vereadores e órgãos de controle sentam à mesma mesa para discutir previdência, cria-se um ambiente de transparência e entendimento coletivo. Isso reduz ruídos, evita interpretações equivocadas e fortalece a legitimidade das decisões que inevitavelmente precisarão ser tomadas.
Também é relevante destacar que esse avanço regional não significa a adoção de medidas uniformes ou padronizadas. Cada município possui sua realidade fiscal, seu perfil de servidores e seu histórico previdenciário. O que se constrói, na verdade, é uma base comum de conhecimento e responsabilidade, que permite decisões mais seguras e sustentáveis.
Ao promover esse diálogo, a região demonstra que enfrentar o tema previdenciário não é uma escolha política circunstancial, mas uma necessidade administrativa permanente. Não se trata de retirar direitos, mas de garantir que eles possam ser honrados no futuro. Não se trata de números frios, mas de segurança para servidores e estabilidade para os municípios.
O maior avanço, portanto, talvez não esteja nas medidas específicas que virão, mas na consciência coletiva que começa a se consolidar: a de que governar com responsabilidade exige coragem para tratar dos temas difíceis antes que se transformem em crises irreversíveis.
A nossa região dá um passo importante ao transformar um problema silencioso em uma agenda pública, técnica e cooperativa. E quando municípios avançam juntos, o futuro deixa de ser uma preocupação isolada e passa a ser um compromisso compartilhado.
(*) Luís Henrique Kittel, 40 anos, é jornalista formado pela então Unifra, atual UFN. É prefeito de Agudo (o único do PL na região), e é o atual presidente da Associação dos Municípios da Região Central (AM Centro) e já foi vice-presidente do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia. Ele escreve no site às quintas-feiras.





Resumo da opera. Conversa mole. Querem transformar um conjunto de c@g@d@s em algo positivo através do discurso.
‘[…] ao transformar um problema silencioso em uma agenda pública, técnica e cooperativa.’ Quem depende da previdencia municipal deveria estar preopado.
‘[…] a de que governar com responsabilidade […]’. Não vai acontecer porque é coisa de pais serio. Uma auditoria para verificar o destino que deveria ir para os fundos de previdencia e não foi.
‘[…] fortalece a legitimidade das decisões que inevitavelmente precisarão ser tomadas.’ Outra conversinha mole antiga: o fato consumado. ‘Quebrou a previdencia e não tem jeito, vamos ter que aumentar impostos, criar um fundo, etc.’ Concordar com isto é compulsório.
‘[…] representa uma mudança de cultura na gestão pública: […]’. Obvio que não. Deixar o problema se avolumar, ficar insoluvel a nivel local e depois começar a batalhar por uma ‘politica publica’ e um ‘o governo federal vai ter que ajudar’. Acaba no ‘temos que arrecadar mais impostos’.
‘[…] não surgiu de um único fator, nem de uma única gestão. Ele é resultado de décadas de mudanças demográficas, escolhas administrativas e, principalmente, da ausência de enfrentamento no tempo certo.’ Repasses não foram feitos, a população vai envelhecer só que não no meu mandato e dinheiro que não existe não pode ser aplicado para render juros e ajudar a pagar a conta.
‘[…] onde compreendemos que o desafio previdenciário não é local, e sim estrutural.’ Sim, um monte de incompetentes juntos é um problema coletivo.
‘[…] postergando decisões por receio do desgaste político imediato.’ Empurravam com a barriga.