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Acima da Direita e da Esquerda, o STF precisa voltar à caixinha da Constituição – por Fernando Silveira de Oliveira

A “transparência não fragiliza o (Poder) Judiciário; ao contrário, o fortalece”

Muito além da disputa ideológica que tenta reduzir qualquer crítica ao Supremo Tribunal Federal a um embate entre Direita e Esquerda, os fatos recentes exigem uma reflexão mais profunda. As revelações sobre a proximidade de ministros da Corte com o banqueiro Daniel Vorcaro, em meio às controvérsias envolvendo o Banco Master, lançam sombras que não podem ser ignoradas.

Não se trata de prejulgamento, mas de reconhecer que a aparência de independência é tão relevante quanto a independência em si. Quando a mais alta Corte do país se vê associada a episódios cercados de questionamentos, o dano institucional ultrapassa qualquer narrativa partidária.

A reação institucional veio com a proposta do presidente do Supremo, ministro Luiz Edson Fachin, de instituir um código de conduta específico para os membros da Corte. A iniciativa é necessária, ainda que tardia. Tribunais de justiça estaduais e cortes superiores já adotam normas dessa natureza, aplicáveis inclusive a magistrados de primeiro grau. Não há inovação alguma na ideia, apenas o reconhecimento de que regras claras são instrumento de proteção da própria instituição. Transparência não fragiliza o Judiciário; ao contrário, o fortalece.

O problema maior não está apenas em encontros ou relações sociais, mas na crescente percepção de que o Supremo tem extrapolado os limites que lhe foram traçados pela Constituição. Decisões monocráticas com efeitos amplos, intervenções em temas de nítido caráter legislativo e posicionamentos que parecem responder ao clima político do momento alimentam a sensação de protagonismo excessivo. O Supremo é guardião da Constituição, não substituto do Congresso Nacional nem ator político de ocasião.

A credibilidade de uma Corte constitucional não se sustenta apenas pela autoridade formal de seus julgados, mas pela confiança pública de que seus integrantes atuam com sobriedade, distanciamento e autocontenção. Quando essa confiança é abalada, instala-se um risco institucional silencioso. A erosão da legitimidade não ocorre de forma abrupta; ela avança gradualmente, a cada episódio mal explicado, a cada gesto que sugere proximidade indevida com interesses privados ou alinhamentos circunstanciais.

O debate que se impõe, portanto, não é ideológico. É institucional. O Supremo precisa se recolocar no espaço que lhe foi reservado pelo constituinte: o de intérprete último da Constituição, não o de protagonista permanente do cenário político. Um código de conduta é um passo, mas não suficiente. É preciso reafirmar limites, restaurar a confiança e lembrar que, acima de qualquer corrente partidária, está a Constituição. Sem essa centralidade, o equilíbrio entre os Poderes deixa de ser cláusula viva e passa a ser apenas promessa escrita.

(*) Fernando Silveira de Oliveira, advogado sócio do Jobim Advogados Associados, consultor de empresas, pós-graduado em Direito Administrativo e Gestão Pública pela Fundação do Ministério Público – RS e vereador reeleito de Santiago.

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12 Comentários

  1. Resumo da opera IV. Ayn Rand, para horror dos Vermelhos. ‘Nós podemos ignorar a realidade, mas não podemos ignorar as consequências de ignorar a realidade’.

  2. Resumo da opera III. Pessoal do juridico tem vicios. Irritantes as vezes. Um é a ‘normalização’, o absurdo ‘justificado’ porque tem uma decisão ‘fundamentada’. Outro é uma mistura de ingenuidade, excesso de otimismo, esperança, estado de negação, esperteza. ‘Vamos deixar assim, passar maionese e engolir, porque lá na frente, num futuro indeterminado, tudo vai funcionar como está no papel’.

  3. Resumo da opera II. Na politica e na opinão publica não existe onus da prova e muito menos presunção de inocencia.

  4. Resumo da opera. Estão querendo criar a cidade Gilmarlandia no Mato Grosso. Toffoli largou a relatoria de uma ação. Base legal não se sabe qual foi. Caronas de avião a parte, Fachin arquivou ação contra o sujeito. Imprensa noticia que aconteceu um acordão. A historia do ‘amigo do amigo do meu pai’ está sem explicação.

  5. ‘[…] o equilíbrio entre os Poderes deixa de ser cláusula viva e passa a ser apenas promessa escrita.’ Este trem também ja partiu faz tempo.

  6. ‘ O Supremo precisa se recolocar no espaço que lhe foi reservado pelo constituinte: o de intérprete último da Constituição, […]’. Este genio não volta mais para a garrafa. Toffoli tem quase 20 anos a mais de Tribunal (se não acontecer nada diferente). Xandão idem. Enquanto estiverem lá toda decisão produzirá ruido na opinião publica.

  7. ‘Quando essa confiança é abalada, instala-se um risco institucional silencioso.’ Não de hoje a CF88 subiu no telhado e olha da beirada o chão la embaixo.

  8. ‘[…] mas pela confiança pública de que seus integrantes atuam com sobriedade, distanciamento e autocontenção.’ Este trem já saiu da estação faz tempo.

  9. ‘ O Supremo é guardião da Constituição, não substituto do Congresso Nacional nem ator político de ocasião.’ Problema sério. Mudanças legislativas e influencia da doutrina. Repercussão geral aproximou o sistema tupiniquim da Common Law. Barroso e outros doutrinadores defendendo a efetividade das normas constitucionais, direitos fundamentais. Some a distinção entre principios e regras. Virou o fio. A fala de ‘vanguarda iluminista’ não é gratuita.

  10. ‘[…] instituir um código de conduta específico para os membros da Corte.’ Mais cortina de fumaça que outra coisa. Não respeitam a LOMAN vão respeitar codigo de conduta que eles mesmo produziriam e interpretariam? Numa coisa ele acertou, ou o Tribunal se autolimita ou uma hora ou outra a tentativa de limitação vem de fora. Crise institucional a vera.

  11. O juridico entrou na politica e a politica retribuiu. Quem consegue poderes adicionais vai ‘brigar’ para mante-los. Exceção tende a se tornar a regra.

  12. ‘[…] o STF precisa voltar à caixinha da Constituição […]’. Aqui já tem um problema. Nunca devia ter saído. Establishment resolveu acabar com o Cavalismo, jogaram um monte de propaganda em cima para ‘justificar’ as exceções. Que não tinham base legal nenhuma, tudo na base do canetaço.

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