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Festa, multidão e prevenção: desafios da segurança no Carnaval – por Rosito Zepenfeld Borges

Festa “deixa uma lição clara: eventos de grande porte não admitem improviso”

Particularmente, não gosto de Carnaval. Na juventude lembro de ter participado dos Carnavais do Clube Recreativo Concórdia, na saudosa Boca do Monte. Mas sabemos que existe uma tradição enorme ao redor do evento. A festividade é reconhecida como uma das maiores manifestações culturais do Brasil e, ao mesmo tempo, como um dos maiores eventos de massa do mundo.

Milhões de pessoas ocupam ruas, sambódromos, clubes e espaços temporários em um curto período de tempo, exigindo planejamento, organização e controle rigoroso. Por trás da alegria e da celebração, existe uma complexa operação que envolve trabalhadores, estruturas provisórias, equipamentos, energia elétrica e gestão de multidões – um cenário que, sob a ótica da Segurança do Trabalho, é repleto de riscos.

Não raramente temos notícias de atos de violência, acidentes com adereços e, inclusive, um aumento significativo da sinistralidade nas rodovias, exigindo das autoridades um aumento significativo na fiscalização. A realização de grandes eventos como o Carnaval evidencia a importância da gestão preventiva de riscos.

Antes mesmo do início das festividades é necessário identificar perigos associados a montagens de palcos, arquibancadas, trios elétricos e sistemas de som e iluminação. A ausência de análise adequada pode resultar em quedas de altura, choques elétricos, colapsos estruturais e acidentes graves. Nesse contexto, ferramentas como a Análise Preliminar de Riscos (APR) e o planejamento de medidas de controle demonstram que prevenir é sempre mais eficaz do que agir após o acidente.

Outro fator crítico é a gestão de multidões e das emergências. Ambientes superlotados aumentam significativamente o risco de pisoteamentos, mal súbitos, incêndios e dificuldades de evacuação. O Carnaval ensina que rotas de fuga bem sinalizadas, brigadas de emergência treinadas e planos de resposta a incidentes não são burocracia, mas elementos essenciais para salvar vidas.

A mesma lógica se aplica aos ambientes de trabalho, onde a preparação para situações de emergência muitas vezes é negligenciada até que um evento crítico aconteça. Trabalhei, antes da Pandemia, no Carnaval de Cacequi. Um dos maiores carnavais de rua do centro do estado, onde todos os fatores mencionados acima puderam ser verificados para que o evento ocorresse nos melhores padrões de segurança.

Além dos riscos estruturais e coletivos, o Carnaval também expõe os desafios relacionados ao fator humano. Jornadas extensas, pressão por resultados, calor intenso e fadiga afetam diretamente a capacidade de atenção e tomada de decisão dos trabalhadores envolvidos no evento.

Esse cenário se assemelha ao cotidiano de muitas atividades profissionais, reforçando a necessidade de gestão adequada da jornada de trabalho, pausas, hidratação e condições ambientais, conforme preconizam as Normas Regulamentadoras.

Por fim, o Carnaval deixa uma lição clara, trazida pela Segurança do Trabalho: eventos de grande porte não admitem improviso. Cada detalhe precisa ser pensado com antecedência, desde o planejamento até a execução e o monitoramento dos riscos, para que a quarta-feira de cinzas não faça jus ao seu nome.

(*) Rosito Zepenfeld Borges é Engenheiro de Segurança do Trabalho. Ele escreve no site às segundas-feiras.

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