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O Carnaval virou palanque? – por Giuseppe Riesgo

“Princípio da impessoalidade não é um detalhe técnico perdido na Constituição”

O Carnaval sempre foi espaço de crítica ao poder. Sempre foi palco de irreverência, contestação e liberdade criativa. Justamente por isso, causa estranheza ver a maior festa popular do país se transformar em vitrine para exaltação de quem está no exercício da Presidência da República.

Não estamos falando de um personagem histórico analisado à distância. Estamos falando do chefe do Executivo, no cargo, assumidamente pré-candidato à reeleição, em ano eleitoral, sendo homenageado em um evento que recebe financiamento público direto e indireto. Tudo isso transmitido em rede nacional na principal emissora de televisão do país. Isso muda completamente o cenário.

Quando há dinheiro do contribuinte envolvido, a discussão deixa de ser estética e passa a ser institucional. O Estado não pode, sob nenhuma circunstância, financiar a promoção simbólica de quem ocupa o poder. Esse é o ponto central.

O princípio da impessoalidade não é um detalhe técnico perdido na Constituição. Ele existe para proteger a democracia da captura da máquina pública. Governo é transitório. O Estado é permanente. Misturar os dois é corroer a base do regime republicano.

Se fosse um ex-presidente, a análise seria outra. Mas não é. É o presidente em exercício sendo celebrado num palco que depende de recursos públicos. Isso cria, no mínimo, um desequilíbrio simbólico no jogo democrático.

E aqui vale uma pergunta simples: se fosse um presidente de direita sendo exaltado nessas condições, qual seria a reação? Estariam chamando de aparelhamento, de propaganda, de abuso de poder. A regra não pode mudar conforme a ideologia de quem governa.

Não se trata de censurar artistas. Trata-se de estabelecer limites claros entre liberdade cultural e promoção institucional. O Estado não pode se tornar instrumento de construção de imagem do governante da vez.

Justamente por isso, nosso partido acionou a Procuradoria-Geral da República. Assim como eu, o Partido Novo acredita que a democracia não é torcida organizada. Se há indícios de propaganda antecipada ou uso indevido de recursos, isso precisa ser apurado com rigor.

E há ainda um elemento simbólico que não pode ser ignorado: a escola de samba que protagonizou essa homenagem acabou sendo rebaixada. Não se trata de comemorar o infortúnio de trabalhadores, artistas e comunidades que se dedicam o ano inteiro a um desfile. Mas é inevitável registrar a ironia. Quando se opta por transformar a avenida em palanque, assume-se o risco de que o julgamento não seja apenas político, mas também técnico.

O Carnaval é do povo brasileiro e jamais deve ser instrumentalizado como ferramenta eleitoral. A festa popular não pode servir de escada para projetos de poder, nem ser confundida com propaganda institucional disfarçada de manifestação cultural. A democracia exige limites, inclusive quando o espetáculo parece colorido e festivo.

(*) Giuseppe Riesgo é secretário de Parcerias da Prefeitura de Porto Alegre e ex-deputado estadual pelo partido Novo. Ele escreve no site às quintas-feiras.

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9 Comentários

  1. Resumo da opera II. ‘Republica’ tupiniquim, coisa que só existe no papel, passou do ponto sem volta ou não?

  2. Resumo da opera. Assunto é um tremenda perda de tempo. Enquanto isto os problemas verdadeiros do pais são empurrados com a barriga.

  3. Silencios ensurdecedores. OAB federal esta (ou estava) num rodizio. Dois mandatos para gente ligada aos Vermelhos. Dois mandatos para um zé ninguém que não sabe o cargo que ocupa ou não tem tarimba para tanto. Algumas Ordens estaduais se manifestam. No mais ‘tudo normal’.

  4. Cacoete do pessoal do juridico. ‘Tudo é normal’. A propaganda foi escancarada. Até numero apareceu. Resposta? ‘nosso partido acionou a Procuradoria-Geral da República’. Praticamente consenso: vai dar nada. Então finge-se que a coisa está ‘funcionando’. Na esperança de que no futuro aconteça algum milagre e as coisas voltem para os trilhos por conta propria.

  5. No meio de tudo isto escandalo do INSS e do Banco Master. Federação União Progressista, pelo menos a liderança, lança nota de apoio a Toffolli, provoca racha e prova sua irrelevancia.

  6. Rato Rouco não vai poder viajar todo o pais durante a campanha. Antecipação se explica. Organismo não aguentaria. Porém daqui duas semanas não se fala mais nisto. Também não podera discursar o dia inteiro. No final da jornada a voz viraria um ronco. O cansaço prejudica a tomada de decisão ainda por cima.

  7. Rato Rouco também está tentando usar relações exteriores como bandeira de campanha. Maioria não dá bola para isto. Falam em ‘SoberanIA’, a ‘inteligencia artificial soberana’. Entre os envolvidos a Telebras. Que virou um cabidão, era para disponibilizar banda larga baixo custo no pais inteiro, para isto recriaram a empresa. Um escritorio superpovoado de contratação de terceiros. Como se viu na pandemia não funcionou.

  8. Deixando o óbvio, ‘é Brasil, vai dar nada’. Pessoal do mercado financeiro, sem citar nomes, conjecturou a respeito da idade de Molusco com L., abstemio, honesto e famigerado dirigente petista. Na epoca da eleição vai estar com 81 anos praticamente. Deixando as imbecilidades de ‘ageismo’ de lado: com a idade o corpo não ajuda. A memoria falha. Os deslizes acontecem. Limite de idade para ser presidente do Itau é 62 anos.

  9. Vamos combinar que é uma falsa controversia que vai dar em nada. No maximo uma multa no TSE. Que vai cair no Supremo Tribunal Cumpanhero. Há que diga que o presidente da escola achou que colocando o Rato Rouco de homenageado não cairia para a segunda divisão. Não funcionou.

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