Potências e impotências – por Orlando Fonseca
“Relógio do Fim do Mundo”, delírios imperialistas de Donald Trump e ainda...

A Guerra Fria do século 21 tem a ver com o clima, mas não por causa do aquecimento global, e sim por causa da disputa pelo território da Groenlândia, cuja média anual de temperatura é de aproximadamente -19°C e -20°C. E o clima, também, entenda-se para o caso, vai além das intempéries e avança pelas relações internacionais, em estado de ebulição.
O discurso de Trump, que já ordenou a intervenção na Venezuela, ameaça o Irã, Cuba e Canadá, tem elevado a pressão sobre a Europa, diante do anúncio de tomada daquele território gelado. Na força mesmo, Trump e troupe (estão blefando?) colocam no lixo os protocolos que a civilização levou milênios para construir.
Não é à toa que o Relógio do Juízo Final (Bulletin of Atomic Scientists) anunciou na semana passada que faltam 85 segundos para chegar até a meia-noite. O que indicaria a hora mais escura, sendo o menor valor da história, quebrando o recorde de 2025, quando os fatídicos ponteiros estiveram no ponto de 89 segundos para o fim da humanidade. Parece, tanto nos eventos políticos quanto climáticos, que o mundo mergulha em uma nova Idade das Trevas.
A concepção imperialista de Trump não está muito longe disso. O período da História mundial, conhecido por aquela designação, transcorreu entre os séculos V e XV, na chamada Idade Média. Havia um desmedido poder da Igreja sobre os destinos dos impérios; o controle sobre a produção cultural fez da Europa um lugar de ignorância generalizada (houve exceções); as disputas territoriais entre senhores feudais espalharam a barbárie, agravada pela miséria e pela Peste Negra, por grandes regiões do continente.
Muito antes disso, na chamada Antiguidade, grandes impérios se firmaram pela força bélica, com sua expansão baseada na força bruta e na tomada de territórios, fazendo dos vencidos escravos ou vassalos. Incluem os da Mesopotâmia (Acádio, Babilônico, Assírio), Egito, Pérsia (Aquemênida), Grécia e Cartago.
Já nos primeiros séculos da nossa era, o Império Romano e, neste lado do Atlântico, as civilizações pré-colombianas, como Maias, Astecas e Incas, marcados por avanços tecnológicos, organizacionais e culturais, dizimados pela sanha colonialista europeia, a partir do século XV. Diga-se, com o declínio do feudalismo, e pela busca de novos bens comercializáveis (junto com a expansão do poder que a Igreja tentava reconquistar).
Depois disso, as ideias imperialistas reaparecem nos delírios de Napoleão Bonaparte (após a Revolução Francesa) e Adolf Hitler, nos arroubos nazifascistas, após a Primeira Guerra. Para combater este último, tivemos a guerra mais abrangente da história, com mais de 100 milhões de militares mobilizados. Com a vitória dos aliados na Segunda Guerra, os acordos deram origem à Guerra Fria, e a tensão gerada pela formação da OTAN, organização criada para fazer frente à união Soviética, do bloco socialista, o qual, por sua vez, consolidou o Pacto de Varsóvia.
Com isso veio a corrida armamentista e nuclear e os avanços tecnológicos que colocaram o mundo no aquecimento global. O que estamos vivendo são os sintomas da febre disso tudo. Parte da piora está relacionada às bravatas dos Estados Unidos, comandado por Donald Trump. O país se envolveu em confrontos (Irã e Israel), além das famigeradas ameaças de controle da Groenlândia.
Por tudo isso o Bulletin of Atomic Scientists (criado em 1947, pelos cientistas do Projeto Manhattan) indica que vem diminuindo o tempo para atingir a meia-noite, quando uma troca nuclear ou mudança climática catastrófica pode acabar com a humanidade. Nos últimos anos, os cientistas acrescentaram o uso da Inteligência Artificial para a desinformação. Somados à falta de acordo sobre armas nucleares, em especial entre EUA e Rússia, os fatores que contribuem para o aumento da tensão não arrefecem.
Mas, ao contrário do que pareça, a organização pretende estimular as discussões sobre a necessidade da busca pela paz. Serve como alerta para a escalada que parece haver no discurso do presidente dos EUA e seus assessores. Não há mais espaço para arroubos imperialistas, como os que moveram os persas (ancestrais do Irã), os macedônios, gregos e romanos, mongóis, Ciro, Alexandre, Carlos Magno, Genghis Khan.
A verdade é que a Hora H, ou seja, se os ponteiros do Relógio do Fim do Mundo se encontrarem à meia-noite, ninguém vai ver. Não vai sobrar nada, nem heróis, para que alguém comemore vitória. Parece algo tão simples, que chega a ser ridículo estar imaginando.
(*) Orlando Fonseca é professor titular da UFSM – aposentado, Doutor em Teoria da Literatura e Mestre em Literatura Brasileira. Foi Secretário de Cultura na Prefeitura de Santa Maria e Pró-Reitor de Graduação da UFSM. Escritor, tem vários livros publicados e prêmios literários, entre eles o Adolfo Aizen, da União Brasileira de Escritores, pela novela “Da noite para o dia”.





Resumo da opera II. Mais do mesmo. Tudo de errado no mundo é culpa do Agente Laranja. No Brasil tudo de errado era culpa do Cavalão.
Resumo da opera. Todo o dia ‘o mundo vai acabar’ por algum motivo. Click-bait em alguns casos. Tatica do medo em outros. Não precisa de um conhecimento, antigamente enciclopedico, wikipedico para isto.
‘Mas, ao contrário do que pareça, a organização pretende estimular as discussões sobre a necessidade da busca pela paz.’ Podem ficar discutindo até o final do mundo. Ninguém dá bola. Alas, Nações Unidas está a beira do ‘colapso financeiro’. Mandaram uma carta para todos os membros, tem muita gente não pagando a mensalidade.
‘Somados à falta de acordo sobre armas nucleares, em especial entre EUA e Rússia, […]’. Russos não tem problema nenhum em virar um Estado satelite da China, ou um Estado buffer. Nem em perder um naco da Sibéria. Alas, Ianques estão construindo muitas fabricas de chips. Quando não precisarem mais dos que vem de Taiwan como é que fica?
‘Não há mais espaço para arroubos imperialistas,[…]’. Decretou o professor de portugues. Alguém tem que avisar o Agente Laranja que ele não pode ter mais ‘arroubos’. Kuakuakuakuakuakau!
‘Por tudo isso o Bulletin of Atomic Scientists (criado em 1947, pelos cientistas do Projeto Manhattan) […]’. Mais repetição para encher linguiça. Falta conteúdo.
Desde ‘O período da História mundial, […]’ até ‘[…] consolidou o Pacto de Varsóvia.’ é irrelevante. É só usar o Google ou a wikipedia (que de ‘neutra’ não tem nada).
Alas, Arabia Saudita está pressionando os ianques a atacarem o Iran. Alguns imbecis andaram falando que a rusga é só por conta de Israel.
O que tem no Artico? Estimam que 13% de reservas mundiais de petroleo ainda não explorado e 30% do gas natural. Isto disparou o ‘plano B’ no aquecimento global. Artico também teria reservas de niquel, cobre, diamantes, ferro, ouro e terras raras.
Mais Rubio. ‘Este é o hemisfério ocidental. É aqui que vivemos e não permitiremos que o hemisfério ocidental seja uma base de adversarios, competidores e rivais dos Estados Unidos’. Janeiro de 2026. ‘China está desafiando os EUA em todo lugar, desde a Africa até nosso hemisfério na América Latina’. ‘Nos temos visto nossos adversarios em todo planeta explorando e extraindo recursos, da Africa e de todos os outros países. Não vão fazer isto no hemisfério ocidental’. Em outro pronunciamento disse que era completamente inaceitavel a China montar instalações disfarçadas de interesses comerciais para acessar o Artico. Acrescento que não iriam deixar a Groenlandia depender da China. Alas, independencia da Groenlandia não é tão absurdo assim.
No começo de 2025 Rubio falou ‘[…] eles [os chineses] não consomem nada. Tudo o que fazem é exportar e inundar mercados, além das tarifas e barreiras comerciais que constroem […]’. Final de 2025, ‘Mesmo a mais rica, mais poderosa e mais influente Nação do mundo tem recursos limitados, tempo limitado e tem que ser habil para dedicar estes recursos e este tempo através de um processo de prioritização’.
‘A concepção imperialista de Trump não está muito longe disso.’ Na cabeça dos Vermelhos nada se cria, tudo se transforma. Reciclam conceitos e impedem a análise. ‘Se é imperialismo o pacote está pronto, não é necessario debater mais nada’. Lembrando que a China anexou o Tibet em 1950-51. E desde 2013 constrói ilhas artificiais, não só com fins militares, mas por conta dos recursos minerais no fundo do oceano.
‘Não é à toa que o Relógio do Juízo Final (Bulletin of Atomic Scientists) anunciou na semana passada que faltam 85 segundos para chegar até a meia-noite.’ Uma bobagem. Mamam na credibilidade dos fundadores. Critérios totalmente subjetivos de pessoas totalmente desconhecidas. Explicação da modificação. Risco nuclear que se for ‘as devas’ ninguém vai prestar atenção em relógio e se der m. não vai dar tempo de alterá-lo. Mudanças climáticas. Muita gente, muita gente mesmo, já fala em ‘Plano B’. E inteligencia artifical que é uma incognita, pode dar em tudo, inclusive nada.
‘[…] colocam no lixo os protocolos que a civilização levou milênios para construir.’ Em 1953 derrubaram Mohammad Mosaddegh, primeiro-ministro iraniano. Russia anexou territorio da Georgia em 2008. Hiperbole na propaganda é usual, mas chega uma hora que enche o saco.
‘[…] tem elevado a pressão sobre a Europa, […]’. Espanha aprovou anistia a 500 mil imigrantes ilegais. Vermelhos comemoram porque ajudarão no combate à ‘extrema-direita’. Importação de eleitores. Só dando risada. Mais guetos na CE.
Esta é daquelas. Vermelhos gostam disto. Não conseguimos um coleta seletivo de lixo decente na aldeia, mas vamos debater os problemas do planeta.