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A mulher que um homem não pode perder – por Marcelo Arigony

Antes que... ‘Lá em casa também cozinho, lavo e carreteio criança o dia inteiro’

Esta pequena garatuja foi escrita no Dia Internacional da Mulher. Não é tese, tampouco tratado. Apenas algumas observações sobre certas mulheres cuja falta faria muita diferença na vida de um homem.

Quando duas pessoas resolvem viver juntas, dois mundos se encontram.

Com eles chegam os jeitos de viver, as manias, os valores, os hábitos – e até os cheiros que cada um carrega da própria história. Alguns ótimos, outros nem tanto.

Faz parte.

Tirante escancaradas traições, relações raramente terminam por um grande motivo.

Quase sempre vão se desgastando aos poucos: pequenas irritações, diferenças de temperamento, hábitos que cada um trouxe da própria vida e insiste em manter dentro da vida em comum.

E nas relações que duram, uma coisa costuma aparecer com clareza: a mulher faz muita diferença.

Não por submissão. Nem por obrigação.

Por importância.

É ela quem ocupa o centro emocional da relação.

Simplesmente porque é ela.

E antes que alguma feminista resolva me exorcizar: lá em casa também cozinho, lavo e carreteio criança o dia inteiro.

Mas a constatação continua de pé.

Isso aparece nas pequenas coisas.

Na maneira carinhosa de ajeitar a gravata e lamber a ponta do dedo para domar um cabelo teimoso que se levantou na sobrancelha dele antes de sair para o trabalho.

Muito mais do que em gestos menores – como uma omelete feita do jeito que ele gosta.

Ou no gesto simples de, numa festa, perceber que ele ainda não comeu nada e lhe colocar um salgado direto na boca.

Mas aparece, sobretudo, em algo maior: na forma como mantém a harmonia do lar.

Na sensibilidade de perceber quando o clima começa a azedar.

Na capacidade de baixar o tom antes que pequenas irritações virem tempestade.

Na atenção silenciosa com que mantém a família respirando em paz.

Não é pouca coisa.

Ambiente emocionalmente desorganizado vira campo de batalha.

Ambiente equilibrado vira porto seguro.

E isso, goste-se ou não da constatação, muitas vezes passa pelas mãos da mulher.

Depois vêm os filhos.

Crianças observam tudo: como o pai fala com a mãe, como a mãe fala com o pai.

Percebem se existe respeito ou se a convivência virou guerra.

Casa educa muito mais do que qualquer discurso.

Talvez por isso, em algum momento da vida, muitos homens olhem para a mulher ao lado e cheguem a uma conclusão silenciosa.

Não é poesia.

É constatação.

Existe mulher que, se o sujeito perder, perdeu muito.

E existe mulher que, se perder, perdeu só o tempo.

(*) Marcelo Arigony é Advogado e Professor, ex-Delegado da Polícia Civil. Ele escreve no site às quartas-feiras.

https://arigonyadvocacia.com

Observação:a imagem (do casal) que ilustra esse texto foi produzida por Inteligência Artificial.

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