A terra pede socorro. E muitas vezes ela fala através da água – por João Luiz Vargas
Chuvas mineiras agora, no RS em 2024: “natureza não negocia com a omissão”

Nossos irmãos mineiros, mais duramente atingidos, e também paulistas e cariocas enfrentam fortes manifestações climáticas. Chuvas torrenciais caem com volumes impressionantes, rios transbordam, pontes são arrastadas e a água abre caminhos por onde antes existiam ruas, casas e histórias. Em poucas horas, o que levou anos para ser construído desaparece sob a força da natureza.
Para nós, gaúchos, essa realidade não é distante. Nos últimos anos, especialmente em 2024, o Rio Grande do Sul viveu situações que pareciam inimagináveis. Famílias ficaram desabrigadas, rodovias foram destruídas e comunidades inteiras precisaram recomeçar.
Mas, em meio à dor, também se revelou algo que nos define como povo. A solidariedade. De todos os cantos do Brasil chegaram alimentos, água, roupas e materiais de higiene. Gestos simples que mostraram que, diante das dificuldades, ainda sabemos estender a mão a quem precisa.
Ao mesmo tempo, o mundo acompanha mudanças climáticas cada vez mais intensas. Fenômenos que deixam de ser exceção e passam a exigir mais do que discursos. Exigem planejamento, responsabilidade pública e decisões políticas que coloquem a proteção da vida e do meio ambiente entre as prioridades do nosso tempo.
Que essas tragédias sirvam não apenas como memória de destruição, mas como um alerta para governos e para a sociedade. A natureza não negocia com a omissão nem espera pela lentidão das decisões humanas. Quando a terra pede socorro, ela nos lembra que cuidar do planeta também é uma escolha política e um compromisso com o futuro.
(*) João Luiz Vargas, ex-prefeito de São Sepé, ex-deputado, ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado). Ele escreve no site às sextas-feiras.





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