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A velha nova guerra – por Marionaldo Ferreira

A disputa ideológica entre capitalismo e comunismo está chegando ao fim?

A política internacional sempre foi, antes de tudo, um jogo de força, influência e alinhamentos estratégicos. Governos que desejam exercer hegemonia – isto é, liderar a ordem mundial – precisam construir acordos, alianças e equilíbrios de poder. Quando um projeto de poder ignora um ator central do sistema internacional, como a Rússia, corre o risco de produzir exatamente o oposto do que deseja: instabilidade e reação geopolítica.

Desde o fim da Guerra Fria, muitos analistas acreditaram que o mundo caminharia para uma ordem quase unipolar, liderada pelos Estados Unidos e baseada no capitalismo liberal. Porém, a história raramente segue roteiros lineares. A Rússia reorganizou sua capacidade militar e energética, a China emergiu como potência econômica global, e diversos países passaram a questionar a arquitetura política e econômica internacional criada após 1991.

Quando um governo tenta consolidar hegemonia sem considerar esses polos de poder, abre-se espaço para tensões estratégicas. A Rússia, por exemplo, não é apenas um país grande: é uma potência nuclear, energética e militar com enorme influência regional. Ignorar seus interesses ou tentar cercá-la geopoliticamente tende a gerar respostas duras, como o mundo vem observando nos últimos anos.

Mas há uma questão ainda mais profunda: a velha disputa ideológica entre capitalismo e comunismo está realmente chegando ao fim?

Na prática, ela já mudou de forma.

Hoje, o conflito não se apresenta mais como no século XX — dois blocos ideológicos rígidos disputando o planeta. O que vemos é algo mais complexo:

Economias capitalistas com forte presença do Estado.

Países oficialmente comunistas que operam mercados altamente capitalizados.

Disputas que envolvem tecnologia, energia, cadeias produtivas e influência geopolítica.

Ou seja, o embate atual é menos “capitalismo versus comunismo” e mais modelos de poder, soberania e controle da economia global.

O mundo caminha, na verdade, para um cenário multipolar. Nele, nenhuma potência consegue impor sozinha as regras do jogo. Estados Unidos, China, Rússia, União Europeia e outros atores relevantes disputam espaços de influência.

Por isso, qualquer projeto de hegemonia que ignore um desses polos estratégicos corre o risco de fracassar. Na política internacional, a regra continua sendo antiga, mas implacável:

quem quer liderar o mundo precisa primeiro entender como o mundo realmente funciona.

(*) Marionaldo Ferreira é especialista em governança pública, mentor de líderes e consultor em gestão e captação de recursos para municípios. Atua na formação de servidores e agentes públicos e é autor do livro Governança Pública e Suas Possibilidades.

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10 Comentários

  1. Resumo da opera. Analise nenhuma pode estar correta sem levar em conta o ponto de vista. ‘Especialistas’ dizem que um tal Aleksandr Dugin, uma espécie de Olavo de Carvalho russo, tem grande influencia por lá. Fala numa quarta teoria politica, num geopolitica para a Russia. Chineses tem uma mistura de comunismo, capitalismo de Estado e confuncionismo. Podem levar a perspectivas muito diferentes. Tratam até a passagem do tempo diferente. Vão anexar Taiwan, mas na hora certa. Não tem pressa.

  2. ‘Por isso, qualquer projeto de hegemonia que ignore um desses polos estratégicos corre o risco de fracassar.’ Depende da capacidade de cada ‘polo estratégico’ bancar sua influencia. O mundo não funciona na base do discurso.

  3. ‘Estados Unidos, China, Rússia, União Europeia e outros atores relevantes disputam espaços de influência.’ Ianques tem sérios problema internos, dentre eles a captura do Partido Democrata por neomarxistas. China tem uma economia que não cresce como antigamente, houve luta interna com consolidação do poder com repercussões futuras e um certo endurecimento do regime. Europa está em franca decadencia, meteram-se na Guerra da Ucrania, não quiseram perder o anel e arriscam-se a perder os dedos. Migração em massa abalou o Bem Estar Social em muitos paises. Alemanha desindustrializou e França tem o problema da divida estourando. Reino Unido tenta virar o Canadá com base no canetaço e vai colher os frutos da imigração ilegal desenfreada.

  4. ‘Economias capitalistas com forte presença do Estado.’ Esta é a imagem. Com exceção da China existe uma forte presença do capitalismo no Estado.

  5. ‘Economias capitalistas com forte presença do Estado.’ É um problema dos ‘ideólogos’ burros e ignorantes. ‘Estado’ não é algo etéreo flutuando no ar. É composto de pessoas com capacidades e interesses. Quando intefere não necessariamente, alas quase nunca, o resultado é positivo. Por que ‘as democracias estão em crise’? Porque os Estados arrecadam os tubos, prometem os céus e entregam ‘é o que tem para hoje’.

  6. ‘Mas há uma questão ainda mais profunda: a velha disputa ideológica entre capitalismo e comunismo está realmente chegando ao fim?’ Comunismo virou uma religião. Capitalismo tem uma caracteristica, se adapta, modifica. Comunistas querem terminar com o capitalismo, mas não têm nada além de receitas que não deram certo para colocar no lugar.

  7. ‘A Rússia, por exemplo, não é apenas um país grande: é uma potência nuclear, energética e militar com enorme influência regional.’ O PIB da Russia é do tamanho do PIB da cidade de Nova Yorque. Quando terminar a guerra deve haver um baque economico e instabilidade politica. Além disto tem muitos chineses se instalando na Sibéria.

  8. ‘[…] muitos analistas acreditaram que o mundo caminharia para uma ordem quase unipolar, liderada pelos Estados Unidos e baseada no capitalismo liberal.’ ‘Muitos’ é Francis Fukuyama. Resposta ao choque de civilizações de Samuel Huntington.

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