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As bestas e o apocalipse – por Orlando Fonseca

A besta do apocalipse já teve vários candidatos a protagonista ao longo da história, e devido ao pródigo medo do fim do mundo. O Demo, Napoleão, Hitler, Benito Mussolini, o papa, os EUA. Segundo o Livro Sagrado, os símbolos que envolvem esta figura escatológica vem do primeiro, o Dragão (seria Satanás?), que é a fonte do poder das bestas. São duas, a que sobe do mar, o Anticristo, líder político que se opõe ao poder divino e persegue os cristãos; e a que sobe da Terra, o falso profeta, líder religioso que anuncia a falsidade e prega a adoração à primeira Besta. Não seio qual era a dieta do apóstolo São João, na ilha de Patmos, mas ele estava ligadaço quando escreveu o livro do Apocalipse. Pelo sim, pelo não, dando uma olhada na conjuntura, dá para aumentar o receio ou ficar com as antenas bem ligadas.

O medo tem sido o pai do senso comum, capaz de criar inimigos onde não há, interpretando sem critérios o que significam as alegorias apocalípticas. Cheguei a imaginar que Trump pudesse estar na lista, considerando o uso popular do termo “besta”, coisa de regionalismo nordestino. Mas aí leio que John Hagee, um pastor que dá plantão espiritual na Casa Branca, afirmou a seus fiéis que os acontecimentos atuais indicariam a proximidade do chamado “fim dos tempos”. Estando no centro de onde têm partido as decisões que precipitaram esta nova (des)ordem mundial, eu diria: – É o fim! Fim da picada, bem entendido, dando seguimento à alegoria daquela besta comum nas estradas do agreste brasileiro.

E a coisa não fica por aí, no mais. Segundo reportagem publicada pelo Daily Mail, a organização civil Military Religious Freedom Foundation relatou que comandantes militares gringos, ligados ao presidente dos EUA, transmitiram mensagens religiosas a tropas americanas em meio ao conflito com o Irã. E o pior, afirmando que a guerra por lá é parte de um plano divino ligado ao “Armagedom”. As denúncias surgiram após queixas de soldados que dizem ter ouvido interpretações bíblicas sobre o conflito durante orientações internas. Essas teriam sido registradas em mais de 40 unidades espalhadas por cerca de 30 instalações militares dos Estados Unidos. Um sargento relatou que o comandante de sua unidade disse com todas as letras: “Donald Trump foi ungido por Jesus” para iniciar um evento que levaria à batalha final (Armagedom e retorno de Jesus Cristo). E foi orientado a transmitir essa interpretação religiosa às tropas. Se apenas olhamos o fundamentalismo do lado iraniano, é bom ficar atento ao fato de que Pete Hegseth, secretário de Defesa americano, é identificado como cristão renascido e promove encontros mensais de oração no Pentágono (no Pentágono!!!) e participa de estudos bíblicos na Casa Branca. Essas reuniões são conduzidas por um pastor defensor de que Deus abençoa aqueles que apoiam Israel, mesma posição de Paula White, televangelista, líder apostólica do movimento carismático, a qual também defende essa posição e incentiva cristãos a “ficarem ao lado de Israel”.

Trump é hipócrita ou tem um plano diabólico bem arquitetado. Ao que tudo indica, segundo suas próprias palavras (embora suas palavras não sirvam pra nada, pois as muda constantemente), tem planos bem comezinhos e terrenos. O reino dos céus não precisa de petróleo, nem dólares, diga-se. Como nos ensina o profeta Nei Lisboa, “pra viajar nos Cosmos não precisa gasolina”. O presidente dos Estados Unidos comparou a guerra contra o Irã à agressão que sequestrou o líder venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa em janeiro. A Venezuela, como sabemos, não tem nada de apocalíptico, tem é uma das maiores reservas para produção de combustível fóssil e minerais raros. E, ao que tudo indica, incendiar o barril de petróleo e pólvora do Oriente Médio está mais relacionado com reservas petrolíferas do que com o Armagedom. Também estou de acordo com os que acham que o “fim da humana aventura na Terra” não será como o profetizado pela Banda Eva, ao menos não com o alto astral de um trio elétrico, sem os sete cavaleiros sinistros. Mas não pretendo botar mais gasolina nesta fogueira. Entretanto, se não houvesse o “botão vermelho” à disposição de oficiais delirantes governando a maior potência do planeta, eu até ficaria mais tranquilo.

(*) Orlando Fonseca é professor titular da UFSM – aposentado, Doutor em Teoria da Literatura e Mestre em Literatura Brasileira. Foi Secretário de Cultura na Prefeitura de Santa Maria e Pró-Reitor de Graduação da UFSM. Escritor, tem vários livros publicados e prêmios literários, entre eles o Adolfo Aizen, da União Brasileira de Escritores, pela novela “Da noite para o dia”.

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12 Comentários

  1. Resumo da opera II. Cortina de fumaça. Gastança. Corrupção comendo solta. Filho de ladrão ladrãozinho é. Instituições desacreditadas. Preço do supermercado. Buracos nas ruas da urb. Transporte coletivo. Obras inacabadas. Decadencia economica. Coleta seletiva.

  2. Resumo da opera. Amontoado de truquezinhos antigos. Agora o acesso a informação é maior, não funcionam. O certo seria ignorar, não perder tempo desmentindo, não ‘engajar’, deixar falando sozinho.

  3. ‘Mas não pretendo botar mais gasolina nesta fogueira.’ Sim, o autor tem ‘importancia planetaria’! Kuakuakuakua!

  4. ‘[…] está mais relacionado com reservas petrolíferas do que com o Armagedom.’ Simplorios necessitam da versao simplificada. Capacidade cognitiva não permite lidar com a complexidade.

  5. ‘Trump é hipócrita ou tem um plano diabólico bem arquitetado.’ Tipo Taxad e Manuela Davila indo na missa antes da eleição?

  6. ‘Se apenas olhamos o fundamentalismo do lado iraniano,[…]’. Onde espancam mulheres ate a morte por ter parte do cabelo a mostra. Porque cabelo a mostra é uma ‘tentação sexual’ para os homens. Totalmente ‘equivalente’ ao que acontece na Ianquelandia.

  7. ‘[…] e promove encontros mensais de oração no Pentágono (no Pentágono!!!) […]’. Um encontro aconteceu, não é periodico. ‘[…] participa de estudos bíblicos na Casa Branca.’ Uma oração no Jantar dos Governadores.

  8. ‘E foi orientado a transmitir essa interpretação religiosa às tropas.’ The Guardian. Reclamação do sargento ‘estrategico’ englobou 15 pessoas.

  9. ‘Um sargento relatou que o comandante de sua unidade disse com todas as letras: “Donald Trump foi ungido por Jesus”’. Um. Não se sabe quem. La tem legislação de proteção a whistleblowers.

  10. ‘Segundo reportagem publicada pelo Daily Mail, a organização civil Military Religious Freedom Foundation relatou que comandantes militares gringos, ligados ao presidente dos EUA, transmitiram mensagens religiosas a tropas americanas em meio ao conflito com o Irã.’ Factoide. Uma ONG teria recebido 200 reclamações. Forças Armadas por la tem 1,4 milhao de cabeças.

  11. Kristi Noem era chefe do Homeland Security. Chamada de Barbie do ICE para baixo. Tabloides espalharam boatos de caso com assessor. Ambos casados. Sydney Kamlager-Dove, democrata, se prestou a perguntar se ela estava dormindo com o acessor. Numa audiencia no Congresso. Feminismo é só ferramenta. Midia cumpanhera ajudando. Se é contra Agente Laranja vale tudo. Sempre esta errado, nada do que faz ‘da certo’. Ruido, dificulta analise do que acontece.

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