A arquitetura do poder: os tentáculos dos Estados Unidos no mundo contemporâneo – por Marionado Ferreira
Pois então: “no fundo, o que está em jogo é a disputa por narrativa e controle”

Ao observar a dinâmica geopolítica atual, é difícil ignorar a presença contínua e estratégica dos Estados Unidos na organização do sistema internacional. Não se trata apenas de uma potência entre outras, mas de um ator que historicamente construiu – e ainda busca manter – uma posição de centralidade nas decisões que moldam economias, governos e conflitos ao redor do mundo.
A atuação americana não se dá apenas por meios explícitos, como intervenções militares ou tratados formais. Ela opera, sobretudo, por uma rede complexa de influência política, econômica, cultural e institucional – verdadeiros “tentáculos” que se adaptam a cada contexto regional.
Na América Latina, por exemplo, a relação com a Argentina ilustra bem essa lógica. Em momentos de fragilidade econômica, o país se torna mais suscetível às diretrizes de organismos multilaterais, muitos dos quais refletem interesses alinhados à política econômica americana. Não é uma dominação clássica, mas uma indução: condicionantes financeiras, acordos estratégicos e alinhamentos ideológicos que moldam decisões internas. A soberania permanece formalmente intacta, mas, na prática, passa a ser negociada.
No Oriente Médio, o caso de Israel revela uma relação ainda mais direta e estrutural. Mais do que um aliado, Israel funciona como um ponto de sustentação da presença americana na região. O apoio militar, tecnológico e diplomático não apenas fortalece o Estado israelense, mas também garante aos Estados Unidos uma base de influência em uma das áreas mais sensíveis do planeta. Nesse contexto, interesses estratégicos – energia, segurança e equilíbrio regional – se entrelaçam com narrativas políticas e históricas.
O que se desenha, portanto, não é um domínio uniforme, mas um modelo de atuação adaptativo. Em alguns lugares, a influência é econômica; em outros, militar; em muitos, cultural. A exportação de valores, padrões de consumo e modelos institucionais complementa essa estratégia, criando uma espécie de hegemonia difusa – difícil de delimitar, mas profundamente eficaz.
Essa busca por protagonismo global levanta uma questão essencial: estamos diante de uma liderança necessária para a estabilidade internacional ou de um projeto de poder que reorganiza o mundo a partir de interesses próprios?
A resposta não é simples. Por um lado, a presença americana já foi determinante para evitar colapsos econômicos e conter conflitos. Por outro, essa mesma presença frequentemente redefine prioridades locais, desloca autonomias e cria dependências estruturais.
No fundo, o que está em jogo é a disputa por narrativa e controle. Ao tentar ser o protagonista do “novo mundo”, os Estados Unidos não apenas influenciam o cenário global – eles procuram moldá-lo à sua imagem, aos seus valores e, sobretudo, aos seus interesses.
Resta aos demais países um desafio estratégico: compreender esse sistema de influência, negociar com inteligência e, sempre que possível, construir caminhos próprios que preservem autonomia sem ignorar a realidade do poder global.
(*) Marionaldo Ferreira é especialista em governança pública, mentor de líderes e consultor em gestão e captação de recursos para municípios. Atua na formação de servidores e agentes públicos e é autor do livro Governança Pública e Suas Possibilidades.





Resumo da opera. E os chineses? Não fazem nada? São ‘bonzinhos’ que só querem o bem da humanidade? Sun Tzu. ‘A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar.’
‘Resta aos demais países um desafio estratégico: […]’. Dançar uma musica que não escolheram. O resto é conversa mole.
‘No fundo, o que está em jogo é a disputa por narrativa e controle.’ Teorias antigas aplicadas a novas realidades. Umberto Eco. “a internet deu voz a uma legião de imbecis”. Que agora tem o mesmo direito de opinar que um ganhador do Nobel. Vide a quantia de ‘especialistas’ em oriente medio que surgiram recentemente. Teoria fala em ‘subjetividade da experiencia’. Informação descentralizada, distribuida, nichada. Como ‘controlar a narrativa’ no meio de tanto ruido? Narrativa não é unica nem na Ianquelandia. Tem gente que defende que o inicio da guerra foi por causa do Epstein. Teorias da conspiração não faltam. Talvez tenham sido os alienigenas.
Nenhum outro pais tem o padrão de vida dos ianques com as mesmas liberdades. Doutrina Weinberger dá uma pista. Seis pontos. O primeiro chama atenção. ‘Os EUA não devem colocar tropas em combate a menos que interesses nacionais vitais dos Estados Unidos ou de seus aliados estejam em jogo’.
‘[…] estamos diante de uma liderança necessária para a estabilidade internacional ou de um projeto de poder que reorganiza o mundo a partir de interesses próprios?’ Vermelhos sempre atras de um ‘paizao’ para lhes dizer o que fazer. Marx, Lenin, Stalin, Fidel, Chavez, Rato Rouco, Mao, Pol Pot.
‘A exportação de valores,[…]’. Coisa que só existe na teoria. America Latina é majoritariamente catolica. Ianques ‘protestantes’ (Weber?). Padrão de consumo é impossivel, aqui no sul a renda é muito baixa. No Brasil ‘empreendedorismo’ é questão de politica publica, por la é cultural. Arbitragem por questões estruturais é comum por la, aqui tudo vira processo. Lista interminavel. Alas, ditado antigo, ‘Monkey see, monkey do’. Virou programa infantil no Prime Video. A imitação de animais para conhece-los. Faz parte de certas ideologias.
‘O apoio militar, tecnológico […]’. Israel não depende tecnologicamente dos Ianques. Exemplo é o F-35. Compraram dos ianques. Mas os dispositivos de guerra eletronica, sensores avançados e integração de armamentos é toda israelense dentre outras coisas. Armas diferentes, tanques de combustivel invisiveis ao radar maiores, etc.
‘Mais do que um aliado, Israel funciona como um ponto de sustentação da presença americana na região.’. Estados Unidos tem bases no Qatar, Bahrain, Kuwait, Emirados Arabes, Arabia Saudita, Iraque e Jordania.
‘ Em momentos de fragilidade econômica, o país se torna mais suscetível às diretrizes de organismos multilaterais, muitos dos quais refletem interesses alinhados à política econômica americana.’ Quem são os responsaveis pela ‘fragilidade economica’? Querem cheque em branco, continuar fazendo a mesma coisa que não deu certo? E roubando ainda por cima?
Por partes. America Latina não é prioridade para os ianques. Como o Brasil. Não gera grandes problemas e nem proporciona grandes ‘soluções’. Nesta hora as viuvas da Guerra Fria vão lembrar montes de coisas. Teoria do Dominó jã não é mais empregada.