El Niño – por Orlando Fonseca

Não há clima para falar do clima. Ora, direis falar do tempo, e eu responderei, no entanto, que foi tratando do tema de modo informal, no elevador, no táxi, ouvindo o motorista do aplicativo, sem maiores compromissos, que deixamos o clima livre, leve e solto. Tá calor, tá abafado, tá frio e úmido! Um jeito de sair pela tangente, claro, mas as polarizações políticas, que costumam levar ao debate sem fundamento, só esquentariam a discussão. Uma coisa é certa: politizar o tema, num ambiente minado por senso comum e fundamentalismos (de qualquer natureza), leva a chuvas e trovoadas ideológicas. Contudo, não podemos fugir do fato de que a situação desastrosa, ainda que seja um efeito colateral gerado pelo clima e pelo ambiente natural, tem fundamento na política. Os extremos ideológicos também são prejudiciais para a vida humana, e para tratar dos extremos climáticos precisamos, antes de tudo, ter apreço pelo nosso planeta, por habitarmos esta nossa casa, para a qual não há um plano B. Se bem que tenho desconfiado das maquinações sobre a Lua e Marte, e as notícias sobre o clima não são boas, é bem verdade.
De acordo com nota do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), divulgada semana passada, há 80% de chance de um El Niño se estabelecer no Oceano Pacífico no segundo semestre. Neste momento, não é possível afirmar se ele será moderado, forte ou muito forte. O desastre térmico, entre todos os estimados, é o único garantido e será sentido em todo o Brasil, com grande intensidade no Sudeste e no Centro-Oeste. Se o ano de 2024 foi o ano mais quente da História da Humanidade, prepare-se, caro leitor, pois 2026 poderá superar aquelas marcas calientes. Quando o calor é extremo e prolongado, forma-se o desastre, com agravamento de doenças e redução da produtividade, queimadas, perda de plantações e extinção de animais.
E aí se colocam as posições que, sem extremismos, podem ser conciliadas: de um lado está a exploração gerada pela busca ilimitada do lucro, de outro, a voz de pesquisadores que defendem mudanças de hábitos e projetos que atentam contra o ambiente natural. Assim como não é possível que se reconstruam, nos mesmos locais, as cidades que foram tomadas pelas águas na enchente passada, também é urgente que uma transição enérgica se faça de imediato, para que os níveis de poluição retornem aos padrões pré-revolução industrial. Entretanto, é preciso buscar as soluções pelo consenso, assim como a solidariedade se dá espontânea diante dos desastres. Com moderação, construir o diálogo em torno da agenda ambiental. Durante os anos da guerra fria, pregava-se o temor da extrema esquerda, hoje se vê o crescimento da extrema direita no mundo, com seu negacionismo (que não aceita o aquecimento global), com a xenofobia (pós o esgotamento da visão colonial) e a exclusão social (pelo privilégio das elites).
Deixando de lado os extremismos da questão, não é possível ignorar que a falta de investimento em políticas públicas, privatização de setores-chave como energia, água e saneamento, e o sucateamento do corpo técnico do Estado contribuem para a falta de prevenção e agravam as consequências de secas, ciclones extratropicais e enchentes (que vão se tornando comuns). Por aí se vê que devemos falar do clima com seriedade. A nota do Cemaden alerta que, se as chuvas ficarem acima da média na Região Sul, como costuma ocorrer em anos de El Niño, aumenta o risco de deslizamentos, sobretudo na faixa leste, entre o Paraná e parte sul de Santa Catarina, além da Serra Gaúcha, região metropolitana de Porto Alegre e áreas de Santa Cruz do Sul e Santa Maria no Rio Grande do Sul. Os eventos de El Niño tendem a favorecer não só chuvas acumuladas acima do normal, como episódios pontuais de chuva intensa, capazes de gerar enxurradas e alagamentos em áreas densamente povoadas, com destaque para as regiões metropolitanas de Porto Alegre. Ainda estão bem vivas em nossa memória as imagens de nossa capital embaixo de água. A nota do Cemadem se refere à nossa cidade, o que significa que não estamos longe dos eventos que podem assolar o Estado, mais um motivo para falar do clima, e tomar consciência do que podemos fazer para mitigar os seus efeitos, para além de um bate-papo descontraído.
(*) Orlando Fonseca é professor titular da UFSM – aposentado, Doutor em Teoria da Literatura e Mestre em Literatura Brasileira. Foi Secretário de Cultura na Prefeitura de Santa Maria e Pró-Reitor de Graduação da UFSM. Escritor, tem vários livros publicados e prêmios literários, entre eles o Adolfo Aizen, da União Brasileira de Escritores, pela novela “Da noite para o dia”.





Resumo da opera. Perda de tempo. Mais do mesmo parafraseado numa repetição interminavel. Vermelhos não podem ser acusados de poucas coisas, criativos e originais são duas delas.
‘[…] mais um motivo para falar do clima, e tomar consciência […]’. E fazer nada para nada mudar devido a propria irrelevancia.
‘Deixando de lado os extremismos da questão, não é possível ignorar que a falta de investimento em políticas públicas, privatização de setores-chave como energia, água e saneamento, e o sucateamento do corpo técnico do Estado contribuem para a falta de prevenção e agravam as consequências de secas, ciclones extratropicais e enchentes (que vão se tornando comuns).’ Ou seja, ‘culpa do neoliberalismo’.
‘[…] hoje se vê o crescimento da extrema direita no mundo, com seu negacionismo (que não aceita o aquecimento global), com a xenofobia (pós o esgotamento da visão colonial) e a exclusão social (pelo privilégio das elites).’ Vermelhices. Alas, 90% da construção de novas usinas de eletricidade a carvão no bienio 2024-2025 é na China. Fato.
‘[…] é preciso buscar as soluções pelo consenso, assim como a solidariedade se dá espontânea diante dos desastres. Com moderação, construir o diálogo em torno da agenda ambiental.’ Mimimi. Sinalização de virtude.
‘[…] é urgente que uma transição enérgica se faça de imediato, para que os níveis de poluição retornem aos padrões pré-revolução industrial.’ ‘Urgente’ e ‘transição energética’ não conversam. Coisa de quem passa a vida esfregando a barriga numa mesa dentro de uma sala com ar condicionado. Vide guerra e o impacto de cerca de 20% do petroleo mundial.
‘[…] de um lado está a exploração gerada pela busca ilimitada do lucro […]’. Ou seja, a ‘ganancia’.
‘[…] num ambiente minado por senso comum e fundamentalismos […]’. ‘Os extremos ideológicos também são prejudiciais para a vida humana, […]’. Autor querendo vender a idéia de que é ‘centro’. Kuakuakuakua!
‘ Contudo, não podemos fugir do fato de que a situação desastrosa, ainda que seja um efeito colateral gerado pelo clima e pelo ambiente natural, tem fundamento na política.’ Para quem tem só um martelo na mão todo problema é prego.