Fome aguda – por Orlando Fonseca
“Some-se a isso o fato de que o mundo está ficando menos solidário”

Quando se fala em fome, genericamente, já se tem a impressão de condições de degradação, perda de dignidade, humanidade em sua mais vil posição. Das necessidades fundamentais, aquela que mais nos aproxima, como seres humanos, dos instintos básicos – portanto, próxima dos animais – é a fome. De modo que um qualificativo que torne este substantivo mais radical apresenta-nos um sinal de alerta dos mais incisivos.
É o que nos aponta o Relatório da ONU, divulgado semana passada: a fome dobrou na última década. No ano que passou, mais de 266 milhões de pessoas enfrentaram “fome aguda” em 47 países e territórios. Para deixar muito clara a situação, o conceito de fome aguda indica que a falta de alimentos é tão grave que ameaça a vida, exigindo ação humanitária urgente. Ao fundo posso ouvir a canção “você tem fome de quê”? E o que me ocorre de imediato é o que nos diz a bem-aventurança dos Evangelhos: fome de justiça.
No entanto, e nem precisamos de um relatório de organismos internacionais para perceber, o mundo está menos solidário. O que explica a situação global. Dois grandes conflitos bélicos dão testemunho de que a preocupação de líderes de grandes potências passa muito ao largo da miséria e da fome. Segundo os dados da ONU, em conjunto com a União Europeia, guerras e condições climáticas, especialmente a seca, vão piorar a situação nos países mais vulneráveis.
No leste da África, a falta de chuva agrava a crise em países como Somália e Quênia. Parece óbvio, mas é preciso destacar: as crianças é que são as mais afetadas. Em 2025, mais de 35 milhões sofreram desnutrição aguda, e quase 10 milhões em estado grave. Sem especular muito sobre os dados, podemos dizer sem errar que, em alguns casos e em algumas regiões de nosso planeta, as futuras gerações estão comprometidas. Por isso é urgente que se atente ao que nos diz o relatório.
Resultado do trabalho de 18 entidades, entre elas o Banco Mundial, a União Europeia e a ONU, o Relatório Global sobre Crises Alimentares de 2026 indica que o financiamento para programas humanitários caiu quase 40% em um ano, enquanto a assistência ao desenvolvimento sofreu uma redução de pelo menos 15%. Não por acaso, pela primeira vez, foram declaradas duas situações de fome generalizada no mesmo ano: na Faixa de Gaza e no Sudão.
O conflito no Oriente Médio deve causar choques nos preços dos alimentos pelos próximos seis meses, e a interrupção prolongada do comércio de energia e fertilizantes pode se espalhar pelos mercados globais de alimentos. Devido à redução (ou à interrupção) dos fluxos de energia e de fertilizantes, em rotas como o Estreito de Ormuz, elevam-se os custos de produção e de transporte, provocando nova alta no preço dos alimentos em escala mundial e escassez.
Some-se a isso o fato de que o mundo está ficando menos solidário. A fome dobrou na última década. Segundo o chefe do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola da ONU, Alvaro Lario, a “principal mensagem é que a insegurança alimentar não é mais uma questão isolada e está pressionando a estabilidade global”.
As guerras apresentam custos operacionais diários elevados: só no caso do Oriente Médio, os EUA gastaram cerca de US 28 bilhões em dois meses. As despesas incluem mísseis, munições e logística, pressionando estoques estratégicos. Israel também enfrenta um alto custo de defesa. O custo da guerra na Ucrânia, desde 2022, é devastador e afeta diversas frentes, incluindo gastos diretos de defesa, reconstrução e impactos globais na economia.
Em 2025, custou à Ucrânia, em média, 172 milhões de dólares por dia; para a Rússia, as despesas militares subiram de 3,6% do PIB (em 2021) para 7,1% em 2024; operando em “economia de guerra”, os gastos militares já atingiram cerca de 109 a 149 bilhões de dólares em 2024/2025. No meu juízo pacifista, a guerra é a suprema manifestação da estupidez humana, quando se fala em mortes (especialmente de jovens), e mais ainda, quando se olham os números da economia voltada para a destruição, em vez de combate humanitário à miséria.
Para encerrar, com uma pontinha de esperança, lembro de outra canção da MPB, “gente é pra brilhar, e não para morrer de fome”.
(*) Orlando Fonseca é professor titular da UFSM – aposentado, Doutor em Teoria da Literatura e Mestre em Literatura Brasileira. Foi Secretário de Cultura na Prefeitura de Santa Maria e Pró-Reitor de Graduação da UFSM. Escritor, tem vários livros publicados e prêmios literários, entre eles o Adolfo Aizen, da União Brasileira de Escritores, pela novela “Da noite para o dia”.





Resumo da opera III. Como na Somalia na decada de 90, recursos para combater a fome são desviados. Corrupção não é privilegio tupiniquim.
Resumo da opera II. Estatistica de organismos internacionais é coisa de burocrata. Mandam um email e o governo responde informando a ‘estimativa’. Pensar num ianque sair de um pais desenvolvido para ir para o meio de uma guerra civil na Africa é otimismo. Alas, a propria ONU realizou investigação e descobriu que 9 funcionarios da instituição participaram de alguma forma dos ataques de outubro de 23. Israel diz que são bem mais.
Resumo da opera. Melhor maneira de fazer nada é se preocupar com problemas grandes, ‘importantes’ e longinquos. Lembra um edil da aldeia que faz nada por aqui e vivia ‘combatendo’ o capitalismo, o sistema financeiro, nacional e internacional. xx
Resumo da opera. Melhor maneira de fazer nada é se preocupar com problemas grandes, ‘importantes’ e longinquos. Lembra um edil da aldeia que faz nada por aqui e vivia ‘combatendo’ o capitalismo, o sistema financeiro, nacional e internacional.
‘[…] lembro de outra canção da MPB, “gente é pra brilhar, e não para morrer de fome”. Caetano Veloso. Que gosta muito de coberturas no Leblon e agora mora num duplex e é vizinho de integrante da familia Marinho. Também tem um apartamento no East Village em NY. Onde o prefeito comuna quer tributar imoveis acima de 5 milhões de dolares de gente que não mora permanentemente por lá (já mexeu no mercado imobiliario e acelerou exodo). Vermelhos querem que os outros gastem o dinheiro deles em causas que os Vermelhos acham importantes.
‘ O custo da guerra na Ucrânia, […]’. Que iniciou porque o governo democrata ianque tirou um boneco de Putin do governo para colocar o proprio. Virou uma ‘proxy war’ com a China. Como no caso iraniano.
‘No meu juízo pacifista, a guerra é a suprema manifestação da estupidez humana, quando se fala em mortes (especialmente de jovens), e mais ainda, quando se olham os números da economia voltada para a destruição, em vez de combate humanitário à miséria.’ Fora a sinalização de virtude e a encheção de saco dos outros muda nada. Vermelhos são um bando de gente chata.
‘Some-se a isso o fato de que o mundo está ficando menos solidário.’ Dois aspectos. Um é truquezinho antigo, quem não fizer o que os Vermelhos querem não é ‘solidário’. Saiu o ‘taxista, mensalista, dentista, etc.’ e entrou os ‘humanismos’ furados da boca para fora. Quem define, na cabeça deles, quem é o que são eles. Segundo aspecto, surgiu a expressão ‘solidariedade suicida’. Contexto das migrações ilegais em massa. São tão ‘solidarios’ com tanta gente, as custas dos outros obvio, que desorganizam a propria sociedade e todo mundo se lasca. Não a toa tiveram que chamar o exercito na Suecia devido a violencia das gangues.
‘O conflito no Oriente Médio deve causar choques nos preços dos alimentos pelos próximos seis meses, […]’. Ou seja, a economia brasileira na beira do precipicio não é culpa de Molusco com L., abstemio, honesto e famigerado dirigente petista. Repetiu as medidas de Dilma, a humilde e capaz, mas com discurso diferente acharam que o resultado seria diferente.
‘Não por acaso, pela primeira vez, foram declaradas duas situações de fome generalizada no mesmo ano: na Faixa de Gaza e no Sudão.’ Faixa de Gaza? Se tivessem gasto todo o dinheiro que foi para lá para outras coisas que não armas e construção de tuneis estariam em situação melhor. Se não tivessem atacado em outubro de 23 estariam em situação melhor. Sudão esta em guerra civil que tem fundo religioso. Padrão, vão deixar o ‘pau torar’ para ver quem sobra. Sudão do Sul é diferente.
Alas, Batalha de Mogadíscio de 1993. Senhores da guerra estavam interceptando alimentos da ajuda internacional por conta da fome. Emboscaram tropas da ONU que pouco faziam. Ianques foram la por determinação de Bill Clinton, democrata, amigo de Epstein e pegador de estagiarias. Deu m. Derrubaram tres helicopteros. Vermelhos comemoraram os cadavares de ianques mortos arrastados no meio da rua. Pelos proprios famintos. Gerou o filme ‘Falcão Negro em Perigo’, livros e documentarios.
‘Dois grandes conflitos bélicos dão testemunho de que a preocupação de líderes de grandes potências passa muito ao largo da miséria e da fome.’ Lideres das grandes potencias têm obrigação de resolver os problemas das grandes potencias. Não as do mundo. Para isto foram eleitos. Ou não. Os ‘lideres’ dos outros lugares que tem que resolver os problemas de seus paises. Alas, ‘lider’ é uma coisa, ocupante de cargo é outra.
‘No entanto, e nem precisamos de um relatório de organismos internacionais para perceber, o mundo está menos solidário.’ Para quem acredita nestes relatorios. Estou vendendo uma universidade no bairro Camobi. A bem da transparencia tem uma parte que funciona e outra que é lotada com malucos que só falam bobagem.