
Por Ezequiel Redin / da UFSM
A Caminhada Internacional na Natureza – Eco-Trilha Cerro da Vigia, realizada em 26 de abril de 2026, em São Francisco de Assis (RS), não foi apenas mais uma atividade ao ar livre. Foi uma demonstração concreta de como a articulação entre extensão rural, turismo e organização comunitária pode gerar impacto real no território. Com vagas esgotadas em menos de 10 horas, o evento reuniu 115 participantes efetivos e mobilizou diretamente agricultores, instituições públicas e a comunidade local.
Os números confirmam a relevância: foram 143 pré-inscritos, 100 cafés da manhã e 168 almoços servidos, além de uma movimentação financeira de R$ 6.850,00, distribuída entre a comunidade rural e feirantes locais. Ao todo, 30 pessoas atuaram na organização e 17 membros da comunidade estiveram diretamente envolvidos na recepção, alimentação e apoio ao percurso – evidenciando o protagonismo local.
O evento integra a estratégia do município dentro do Projeto Geoparque Raízes de Pedra, valorizando a geodiversidade, as paisagens e os saberes locais como ativos de desenvolvimento. O percurso de aproximadamente 12 km, entre trilhas e estradas rurais, percorreu propriedades da agricultura familiar, mirantes naturais, o rio Inhacundá e o Cerro da Vigia, conectando natureza, cultura e produção em uma experiência territorial completa.
Essa abordagem está alinhada aos preceitos mais modernos do turismo rural, que superam a lógica tradicional centrada apenas na produção agropecuária. Aqui, o rural é apresentado como espaço de vivência, cultura, bem-estar e identidade. A presença de café colonial, almoço típico, feira de produtos e apresentações culturais – com destaque ao ritmo da Querência do Bugio, símbolo local – reforça essa multifuncionalidade do território.
A atuação conjunta da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), da Emater/RS-Ascar e da Prefeitura Municipal foi determinante. A extensão rural, nesse contexto, não aparece como apoio, mas como eixo estruturante: organiza, articula e qualifica a experiência, conectando agricultores, visitantes e políticas públicas. Ignorar esse papel é comprometer qualquer tentativa de estruturar o turismo rural de forma consistente.
A iniciativa também dialoga diretamente com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente ao promover a agricultura familiar (ODS 2), fomentar trabalho e renda no meio rural (ODS 8), incentivar práticas de consumo responsável (ODS 12) e valorizar a conservação ambiental (ODS 15).
Para mais informações, os interessados podem acessar as redes sociais do projeto @caminhadasufsm ou na comunidade de avisos do WhatsApp.
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