Trump foi vaiado, mas a extrema direita segue o seu plano de governo nos EUA – por Carlos Wagner

Na segunda-feira (8), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (republicano), 79 anos, recebeu com aparente frieza a estrondosa vaia que levou durante a execução do hino nacional americano dos torcedores do New York Knicks e do San Antonio Spurs, que disputavam o terceiro jogo da final da NBA (liga de basquete) no Madison Square Garden, em Nova York. No dia seguinte, terça-feira (9), Trump disse que as vaias eram aplausos vindos das arquibancadas. Repetiu a estratégia que usa sempre que enfrenta vaias. Há muitas reportagens sobre o episódio disponíveis na imprensa.
Abri a nossa conversa citando essa notícia para contar uma história. Parte importante das vaias tem a ver com o processo acelerado de desgaste da imagem pública de Trump. Vou lembrar os motivos. No final do mês de fevereiro, o presidente americano e o primeiro-ministro de Israel, Benjamim Netanyahu, 76 anos, fizeram uma aliança para atacar o Irã. A previsão de que seria uma “guerra relâmpago” não se confirmou. Muito pelo contrário, virou um atoleiro que acabou envolvendo toda a economia mundial. Nos primeiros dias de guerra, os iranianos bloquearam o Estreito de Ormuz, um estrangulamento de mar que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e que é uma rota marítima estratégica, porque por ali passa diariamente 20% do petróleo consumido no mundo, além de outras matérias-primas como fertilizantes. Devido ao bloqueio, nos Estados Unidos o preço do galão (3,8 litros) de gasolina, que custava pouco mais de US$ 3 antes do conflito, pulou para mais de U$ 5, em média. Aos danos causados à economia americana e mundial pela guerra contra o Irã somam-se os prejuízos resultantes da estratégia do governo Trump de impor tarifas para os países que exportam para os Estados Unidos. O resultado foi a aceleração da inflação, que acumulou 4,2% nos últimos 12 meses (encerrados em maio), segundo dados divulgados nesta quarta-feira (10) pelo Departamento de Trabalho. Perguntado pelos jornalistas sobre a aceleração da inflação, Trump respondeu: “Amo isso. Os números foram ótimos. Sabe o que realmente amo? Eu amo a inflação porque ela irá cair como uma pedra quando a guerra com o Irã acabar”. Hora depois da declaração do presidente, os militares americanos bombardearam o Irã. Essa situação é apontada como a responsável pela inédita queda na popularidade de Trump para 35% e pela desaprovação do seu governo ter superando os 60%. Eu fazia parte do contingente de jornalistas que pensava que, devido às eleições de novembro, quando serão escolhidos 435 congressistas (equivalente a deputado federal), um terço dos senadores, governadores, prefeitos e legisladores estaduais e municipais, Trump iria focar a sua administração na solução dos problemas que causaram o desgaste da sua imagem. Estava enganado. O presidente americano focou a sua atuação em atacar a imprensa e encher as redes sociais de fake news. Ou seja: atirou no mensageiro. Por quê? Desinteressou-se pela política porque a Constituição americana não permite que concorra a um terceiro mandato? E nos dias atuais é forte o boato que o seu vice-presidente, J.D. Vance, 41 anos, e o secretário de Estado, Marco Rubio, 55 anos, estão disputando a indicação do Partido Republicano para concorrer à presidência em 2028?
Descobri que não era nada disso. A história começou no primeiro mandato de Trump (2017 – 2021). Na época, o presidente e seu círculo pessoal de aliados tinham um esboço do que iriam colocar em prática. Lembro que Steve Bannon, 72 anos, o estrategista político do governo, navegava no sucesso de ter sido o principal organizador da campanha que elegeu Trump na disputa com a democrata Hillary Clinton, 78 anos, dona de um respeitável currículo político – matérias na internet. A estratégia de Bannon foi simples e eficiente. Para a surpresa dos jornalistas, Trump chamava todos de “mentirosos” e não cumpria a sua agenda de entrevistas. Logo nos primeiros meses de governo, Bannon foi encarregado de tirar do papel a promessa de campanha de fazer um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México para barrar a imigração ilegal e o narcotráfico. A obra não foi concluída e aos poucos foi se formando uma aliança entre funcionários de carreira do governo com pessoas que ocupavam cargos de confiança na administração Trump. Essa aliança boicotou o que considerava exageros do presidente. O primeiro movimento de Trump no seu atual governo foi só colocar nos postos-chave pessoas que tinham 100% da sua confiança. Todas as ações do atual governo fazem parte de um plano esmiuçado no livro O Projeto – Como a extrema direita está transformando os Estados Unidos, escrito pelo jornalista americano David A. Graham. Em 175 páginas, Graham esmiúça os detalhes do Projeto 2025, um conjunto de ideias e diretrizes nascidas e criadas no berço da extrema direita americana que tem a intenção de mexer na estrutura democrática do país. Estou lendo o livro. Nada no governo americano é ao acaso. Tudo tem um objetivo político. Um exemplo: ao contrário do que nós jornalistas acreditamos, o “tarifaço do Trump” não trará de volta as indústrias que saíram do país em busca de mão de obra mais barata e outros incentivos. O pessoal ao redor do presidente não só acredita como aposta nisso. Mas mesmo que as indústrias voltassem para os Estados Unidos, elas não dariam mais o mesmo número de empregos porque usam a tecnologia dos dias atuais, em que a mão obra vem sendo substituída por robôs e inteligência artificial.
Para arrematar a nossa conversa. Por mais absurda que as iniciativas de Trump possam parecer aos nossos olhos, nós jornalistas devemos ficarmos atentos porque se trata do presidente da maior potência militar e econômica do planeta. Sobre a vaia recebida por Trump. Os ingressos mais baratos para assistir às finais da NBA no Madison Square Garden custam na faixa de US$ 3,5 mil a US$ 4 mil, aproximadamente R$ 17,5 mil a R$ 20 mil. Portanto, tinha muita gente do “andar de cima” assistindo ao jogo. Descontando a influência dos democratas na região, a vaia foi qualificada.
PARA LER NO ORIGINAL, CLIQUE AQUI.
(*) O texto acima, reproduzido com autorização do autor, foi publicado originalmente no blog “Histórias Mal Contadas”, do jornalista Carlos Wagner.
SOBRE O AUTOR: Carlos Wagner é repórter, graduado em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo, pela UFRGS. Trabalhou como repórter investigativo no jornal Zero Hora de 1983 a 2014. Recebeu 38 prêmios de Jornalismo, entre eles, sete Prêmios Esso regionais. Tem 17 livros publicados, como “País Bandido”. Aos 75 anos, foi homenageado no 12º encontro da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI), em 2017, SP.




Resumo da opera. É um mistério. Vermelhos usam o Agente Laranja como cortina de fumaça para tirar atenção do Rato Rouco que quebrou o Brasil para se reeleger. Quero ver a hora que chegar a conta.
‘Portanto, tinha muita gente do “andar de cima” assistindo ao jogo. Descontando a influência dos democratas na região, a vaia foi qualificada.’ Como se não existisse socialista de iPhone. Walter Salles, herdeiro bilionario da fortuna do Unibanco. Rubens Ometto do açucar. José Seripieri do Qsaúde. Lista não é pequena. Mas é comprometimento puramente ideologico, nada a ver com dinheiro. Kuakuakuakuakuakua!
‘[…] da maior potência militar e econômica do planeta.’ Em decandencia, mas ainda é. Alás, minha vez de espalhar boato. Falam por lá que o chefe de gabinete do Slow Joe formou um comite para decidir as coisas quando o sujeito estava ‘fora do ar’. O que explicaria a assinatura mecanica em muitos documentos oficiais. Agente Laranja não é um representante dos ‘bons tempos’ da politica. E o Partido Democrata não tem um(a) candidato(a) natural na proxima eleição presidencial. Cereja do bolo: divida publica explodindo. Até Elon Musk já disse que não tem conserto, vai estourar uma hora.
‘O pessoal ao redor do presidente não só acredita como aposta nisso.’ Isto é mais um tremendo chute.
‘Mas mesmo que as indústrias voltassem para os Estados Unidos, […]’. Micron esta investindo 100 bilhões de dolares em Nova York. Intel outros 100 bilhões em Arizona e Ohio. Texas Instruments, 60 bilhões no Texas e em Utah. TSMC, saindo de Taiwan, 165 bilhões no Arizona. Samsung 40 bilhões no Texas. Graças a uma lei do Slow Joe. Se sair do ‘qualitativo’ e ir para o mundo real a coisa muda de figura.
‘Nada no governo americano é ao acaso.’ Se fosse não era ‘governo’. Um barco sem ninguém no timão. Dãããããã. Chavão.
David A. Graham é um propagandista anti-Agente Laranja. Jornalista da ‘The Atlantic’. Assinei a dita cuja uma época, como a ‘Piauí’. Vermelhos tomaram conta e não valem o papel que estão impressas.
‘Essa aliança boicotou o que considerava exageros do presidente.’ Elegeram Slow Joe. Um numero entre 10 e 20 milhoes de imigrantes ilegais entraram nos EUA.
‘E nos dias atuais é forte o boato […]’. Comentar boato é perder tempo. Como a recapitulação furada.
‘[…] Trump iria focar a sua administração na solução dos problemas que causaram o desgaste da sua imagem.’ Classico da analise de informações. Mirror Bias. Viés do espelho. ‘[…] viés do espelho ou tendência de espelho) é um viés cognitivo em que projetamos nossas próprias crenças, valores, motivações ou processos de pensamento nos outros, assumindo que eles pensam e agem da mesma forma que nós.’ Ajuda de IA para a definição. No caso projetando o que um politico ‘convencional’ tupiniquim faria. Alas, politicos por aqui não solucionam problemas, fazem marketagem que estão resolvendo, produzem fotos e anuncios.
‘[…] recebeu com aparente frieza a estrondosa vaia que levou durante a execução do hino nacional americano dos torcedores do New York Knicks e do San Antonio Spurs,[…]’. Quer dizer que o Agente Laranja entrou num ginásio numa cidade majoritariamente democrata que elegeu um prefeito comunista e não sabia que iria ser vaiado?