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Hamnet: a vida antes de Hamlet – por Roselâine Casanova Corrêa 

Candidato ao ‘Oscar’, é “um dos filmes mais impactantes dessa temporada”

O filme “Hamnet: a vida antes de Hamlet”, dirigido por Chloé Zhao e estrelado, dentre outros atores, por Paul Mescal (William Shakespeare), Jessie Buckley (Agnes/Anna Hathaway, a esposa), Jacobi Jupe (Hamnet/Hamlet, o filho) e Joe Alwyn (Bartolomew Hathaway, o irmão de Agnes), é baseado no livro histórico-ficcional “Hamnet”, de Maggie O’Farrell (2020), também co-roteirista do longa. Está nos cinemas no Brasil e pode ser visto no Prime Vídeo. Ganhou prêmios no Globo de Ouro, no Critics Choice Award e no Bafta (Melhor Atriz e Melhor Filme Britânico). Concorre em 8 categorias ao Oscar/2026. É considerado um dos filmes mais impactantes dessa temporada.

Shakespeare e sua esposa estão magnificamente retratados, em seus silêncios, em seus longos intervalos de ausência e na dor inigualável da perda. O casal reside em Stratford-upon-Avon, na Inglaterra (XVI). As locações, no entanto, ocorreram em ambientes que caracterizam a Era Tudor: Herefordshire e Londres. As cenas na floresta – tão importantes para a caracterização de Agnes – foram filmadas no Lydney Park Estate.

Essas ambientações conferem ao longa uma fotografia estonteante no mundo de Agnes e seus jardins não planejados, ao mesmo tempo em que o teatro de Shakespeare – o famoso Globe Theatre – foi elaborado por meio de uma réplica em dois terços da escala original. A companhia de Shakespeare – Lord Chamberlain’s Men – construiu o primeiro Globe Theatre, em Southwark, em 1599. 

A trama gira em torno do luto: do filho, do falcão de Agnes, da ausência do marido. O casal teve 3 filhos, um deles falecido aos 11 anos (Hamnet), provavelmente de peste bubônica.  Sua morte é especulada como inspiração para a peça Hamlet.

A narrativa é sob a perspectiva de Agnes, uma mulher que se sente mais à vontade na Inglaterra rural, porém incentiva o marido a morar em Londres, o que o possibilita a desenvolver a sua arte. Por seu lado, Will se sente mais confortável em uma escrivaninha sob a luz de uma vela, para iluminar seu caminho por meio do processo criativo.

A relação entre o Bardo e sua esposa tem várias camadas: do desejo ao compromisso; da alegria ao ressentimento; do apoio à tristeza; da adoração à irritação. Essa ambiguidade resulta em uma realidade devastadora, de acerto com a finitude inexorável – a morte do filho – mas ainda assim, com efeito na renovação e no renascimento.

Se Mescal está estupendo em seu Will mal-humorado e absorto em seus escritos, Buckley está extraordinária em sua Agnes que caminha da maternidade sofrida ao luto devastador. Sob um rosto manchado, cabelos em desalinho e um olhar carregado de emoções profundas. E sempre amparada pelo dedicado irmão Bartolomew.

Contudo, ambos expressam a dor de forma distinta. Enquanto Agnes representa o sofrimento da perda de forma intensa e visível, Shakespeare fica longos períodos em Londres e vive seu tormento por meio da arte: o teatro.

O resto é silêncio – para Agnes! Ou aplausos – para Will!Parte inferior do formulário

(*) Roselâine Casanova Corrêa é Professora de História. Graduada em História (UFN), com especialização em História do Brasil (UFSM); Museologia (UFN) e mestrado em História (PUC/RS). Foi membro do COMPHIC (2012-2022). Também é, com o jornalista Bebeto Badke, idealizadora do “Projeto Amnésia: descubra Santa Maria”.

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