O que significa, de fato, saúde? – por Luís Henrique Kittel
Sistema, como está estruturado, ainda é predominantemente voltado à doença

Abril nos convida a uma reflexão. É o mês da saúde, um período simbólico que deve, principalmente, servir como momento de virada de conceitos. Afinal, ainda insistimos em tratar saúde como sinônimo de ausência de doença, quando, na prática, ela é um estado muito mais amplo, que envolve equilíbrio físico, mental e social.
Essa distorção conceitual não é apenas teórica, pois ela molda políticas públicas, organiza sistemas e direciona investimentos. Vivemos em um modelo que reage à doença, mas pouco antecipa o cuidado. Falamos muito sobre enfermidades, filas, medicamentos e procedimentos, mas ainda falamos pouco sobre prevenção, autocuidado e promoção da saúde. E é justamente nesse ponto que precisamos avançar com mais responsabilidade.
Em Agudo, temos buscado promover uma mudança concreta dessa lógica. Um exemplo claro é o Espaço SER (Saúde, Equilíbrio e Reabilitação), que iniciou suas atividades há cerca de quatro anos com pouco mais de 20 participantes e, hoje, já atende mais de 200 pessoas, distribuídas em 15 atividades semanais.
Para além dos números, o que chama atenção são os resultados. Pacientes com dores crônicas relatam melhora significativa na qualidade de vida e casos de ansiedade têm sido acompanhados com evolução positiva. Isso não ocorre por acaso, mas por uma abordagem que entende o indivíduo de forma integral, reconhecendo que saúde não se constrói apenas com intervenção medicamentosa, mas com rotina, vínculo, escuta e cuidado contínuo.
No Espaço SER, as práticas integrativas e complementares em saúde deixam de ser periféricas e passam a ocupar um papel estratégico dentro da política pública municipal. Atividades como yoga, meditação, auriculoterapia, exercícios físicos orientados, aliados a oficinas terapêuticas, artesanato e fisioterapia atuam como instrumentos ativos de promoção de saúde. São atividades que fortalecem o autocuidado, reduzem a sobrecarga dos serviços tradicionais e ampliam a resolutividade do sistema.
Mas, fato é: o sistema de saúde, como está estruturado, ainda é predominantemente voltado à doença. A lógica assistencial, historicamente, se organiza para atender demandas já instaladas, o que gera sobrecarga, altos custos e, muitas vezes, baixa efetividade na melhoria real da qualidade de vida.
Mudar isso exige planejamento, investimento e, sobretudo, mudança de cultura, tanto por parte do poder público quanto da própria população. É claro que esse modelo não substitui a medicina tradicional. Pelo contrário, ele a complementa. Trata-se de ampliar o olhar, somar abordagens e oferecer caminhos mais completos para o cuidado da população. Em termos técnicos, significa avançar de um modelo estritamente assistencial para um modelo preventivo e promocional.
Não se trata de um caminho fácil ou imediato. Mas é, sem dúvida, o caminho necessário. Porque saúde, no seu sentido mais verdadeiro, não começa no hospital. Começa nas escolhas diárias, nos hábitos, no ambiente e nas políticas públicas que criamos para sustentar tudo isso. E é nessa direção que precisamos seguir.
(*) Luís Henrique Kittel, 40 anos, é jornalista formado pela então Unifra, atual UFN. É prefeito de Agudo (o único do PL na região), e é o atual presidente da Associação dos Municípios da Região Central (AM Centro) e já foi vice-presidente do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia. Ele escreve no site às quintas-feiras.





Resumo da opera. Politicos da região não mudam o discurso porque acham que perderiam votos devido a idade da população que não aceitaria outra coisa. Se não mudam nem o discurso muito menos as praticas. O resultado é o mesmo de sempre. Pelo jeito o pessoal está satisfeito.
‘Porque saúde, no seu sentido mais verdadeiro, não começa no hospital.’ Porque os 15800 habitantes de Agudo que não frequentam o espaço empulhativo não estão prevenindo, generalização, nada. Dentre o pessoal que frequenta deve haver fumantes. Que irão ter problema de pulmão, vasculares, etc. O pessoal de mais idade começou a ‘prevenir’ ontem, resultado não vai bater no sistema de saúde.
‘Mas é, sem dúvida, o caminho necessário.’ Porque a população esta envelhecendo e vai exigir cada vez mais do sistema de saúde. Que vai custar mais caro devido aos avanços da medicina. Que vai perder eficiencia porque estão formando médicos(as) sem a minima condição.
‘Mudar isso exige planejamento, investimento e, sobretudo, mudança de cultura, tanto por parte do poder público quanto da própria população.’ Exige menos conversa mole. Politicos colocando o funcionamento deficiente do SUS no ‘sistema’. Não é culpa de ninguém. Não há responsavel.
‘Mas, fato é: o sistema de saúde, como está estruturado, ainda é predominantemente voltado à doença.’ Porque é a maior demanda. Emergencias lotadas em POA e no HUM. Superlotação de hospitais. Demora para exames, inclusive preventivos.
‘No Espaço SER, as práticas integrativas e complementares em saúde […]’. Fecha para o almoço as 11:30 de manha, reabre a tarde e fecha as 17. Quem frequenta? Quem tem este tempo?
‘[…] com pouco mais de 20 participantes e, hoje, já atende mais de 200 pessoas, […]’. Atochada. Numeros redondos. Mais de 1% da população (uns 16 mil).
‘Falamos muito sobre enfermidades, filas, medicamentos e procedimentos, mas ainda falamos pouco sobre prevenção, autocuidado e promoção da saúde.’ Falam até encher o saco. Geralmente é sinalização da virtude de gente do ar condicionado. Questão simples. Prevenção demanda gerações para ter efeito. Existe um ‘estoque’ de gente doente. Que não previniu nada.