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Mídia. Pesquisa mostra uma realidade. Jornais discutem tudo, menos os próprios dramas

Com certeza, o trabalho não fará sequer um esboço de cócegas na moleira de algum veículo de comunicação, principalmente aos que os controlam. Especialmente os jornais. Mas é uma realidade. Pesquisa feita pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), com a chancela econômica da Fundação Ford, mostra isso com absoluta clareza: os jornais discutem qualquer assunto; exceto aqueles que tratam deles mesmos.

 

Não foi pouca coisa, o feito pela ANDI. Mais de 50 jornais, e também quatro revistas de circulação nacional, foram esquadrinhados pelos pesquisadores. Foram mais de mil textos que tratavam do tema “mídia”. O resultado? Leia você mesmo a entrevista concedida a Daniel Bramatti pelo pesquisador da Agência que patrocinou o trabalho, Guilherme Canela e confira o texto publicado no site Terra Magazine. A seguir:

“Imprensa não debate seus problemas, diz pesquisa

 

Os jornais e revistas brasileiros quase não falam sobre a própria imprensa. Quando o fazem, elegem a televisão como alvo prioritário, e evitam “temas espinhosos”, como o controle de jornais por políticos e regulação da propriedade de meios de comunicação, por exemplo. Os dados constam da pesquisa “Mídia e Políticas Públicas de Comunicação”, realizada pela Andi (Agência de Notícias dos Direitos da Infância), com apoio da Fundação Ford.

 

Os pesquisadores da Andi há anos monitoram a forma como os jornais retratam os problemas da infância no país. Agora, puseram a lupa sobre mais de mil textos publicados entre 2003 e 2005, de 53 diários e 4 revistas semanais, cujo conteúdo se relacionava com o “tema mídia”. Na média, cada jornal publicou apenas um texto sobre a imprensa a cada cinco dias.

 

É como se o chamado quarto poder só se preocupasse com os outros três. “A pergunta que se coloca, depois do resultado da pesquisa, é: por que o jornalismo não cobre a mídia como instituição relevante para a democracia?”, disse o cientista político Guilherme Canela, um dos autores do estudo.

 

Em entrevista a Terra Magazine, o pesquisador defende o debate sobre um novo marco regulatório para a imprensa. Ele considera que há uma “estratégia” dos empresários de mídia de relacionar à censura qualquer iniciativa de discussão sobre políticas públicas de comunicação.

 

A íntegra da pesquisa pode ser lida aqui. Leia a seguir a entrevista de Canela:

 

Terra Magazine – A imprensa brasileira dá ao “tema mídia” a importância devida? Como a imprensa se comporta quando fala de si própria?
Guilherme Canela –
Para responder essa pergunta vale ressaltar a seguinte premissa: nossa pesquisa partiu da convicção de que a mídia é uma instituição central para as democracias contemporâneas. Se isso é verdade, podemos medir se a mídia fala muito ou pouco dessa instituição. O resultado encontrado, na nossa visão, demonstra que a mídia não denota a si o espaço devido. Nos 53 jornais analisados, há um texto a cada cinco dias sobre o assunto. Responder se isso é pouco ou é muito só é possível se você assume ou rejeita a premissa inicial, que é a importância da mídia para as democracias contemporâneas. Entendemos que a mídia é uma instituição essencial, portanto uma matéria a cada cinco dias é muito pouco. Imagine se qualquer outra instituição relevante para a democracia, como o Judiciário, o Legislativo, o Executivo, tivesse uma cobertura tão exígua. A primeira pergunta que se faria é: por que a imprensa não cobre o Legislativo, por que não cobre o Executivo? A pergunta que se coloca, depois do resultado da pesquisa, é: por que o jornalismo não cobre a mídia como instituição relevante para a democracia?

 

A pesquisa conclui que a imprensa é “seletiva” ao falar de si própria. Que temas são desprezados ou não encarados como prioritários?
A conclusão inicial é que a midia fala muito pouco de si própria e se comporta de forma seletiva quando fala de si própria. São introduzidos temas que são menos espinhosos. Mais de 50% das matérias se concentram nas questões de conteúdo, ou seja, qualidade de programação, baixaria na programação, mas essas questões são a ponta do iceberg. A base da discussão da regulação das comunicações tem a ver com outras questões, que se somam a essas. Discussões relevantes são praticamente ausentes da cobertura, como mídia e democracia, mídia e regulação da propriedade, mídia e relação com politicos eleitos.
Nós verificamos na pesquisa qual é o principal meio de comunicação retratado na matéria. E 60% da cobertura focaliza a televisão. Só 18% focaliza jornais. Ou seja, a imprensa escrita fala pouco das políticas de comunicação; quando fala, se concentra em conteúdo e, sobretudo, na televisão. Os problemas e conteúdos complicados do jornalismo impresso são menos debatidos por eles mesmos do que as questões de um veículo concorrente, que é a TV…
”

 

SE DESEJAR ler a íntegra clique aqui.

 

 

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