A educação que acontece fora da sala de aula – por Luís Henrique Kittel
“A juventude mudou. E muitos adultos ainda fingem que nada aconteceu”

Há algum tempo, educar deixou de ser apenas ensinar conteúdos. Hoje, talvez o maior desafio dos professores seja disputar a atenção dos jovens com um mundo dominado por telas, imediatismo e excesso de informação. A sala de aula mudou. A juventude mudou. E muitos adultos ainda fingem que nada aconteceu.
Nunca tivemos tantos estímulos, tanta tecnologia e tanta conexão digital. Ao mesmo tempo, nunca vimos tantos jovens ansiosos, desmotivados, sedentários e desconectados da convivência real. O celular, que deveria ser ferramenta, muitas vezes virou prisão silenciosa. A dificuldade de concentração cresce. A impaciência aumenta. E o relacionamento humano vai sendo substituído por curtidas em vídeos de poucos segundos.
Nesse cenário, o desafio dos professores se tornou gigantesco. Além de ensinar matemática, português ou ciências, ou seja, o conteúdo propriamente dito, eles precisam competir diariamente com redes sociais programadas para capturar atenção o tempo inteiro. Ainda têm o dever de motivar, acolher, orientar e, muitas vezes, ajudar a reconstruir vínculos sociais básicos que estão se perdendo.
É justamente por isso que iniciativas ligadas ao esporte e à integração escolar se tornam cada vez mais importantes. Nesta semana, Agudo viveu um exemplo claro disso durante as Olimpíadas Estudantis dos Anos Finais, que reuniu cerca de 500 jovens de nove escolas do município.
Enquanto muitos discutem apenas índices e números da educação, talvez estejamos esquecendo do essencial: jovens precisam conviver, se desafiar, aprender a ganhar e perder, trabalhar em equipe e sentir que pertencem a algo maior. E o esporte entrega tudo isso. Nas provas de atletismo, como corridas, revezamentos, saltos e lançamentos, vimos disciplina, incentivo entre colegas, respeito e superação. Vimos alunos saindo das telas para ocupar pistas, campos e espaços de convivência.
O esporte continua sendo uma das mais importantes ferramentas de formação humana. Ele ensina limites, fortalece a responsabilidade, desenvolve disciplina e ajuda a construir autoestima. Um jovem envolvido com esporte, cultura e educação dificilmente estará vazio de perspectivas ou sem direção.
Momentos como as Olimpíadas Estudantis mostram que investir na juventude vai muito além de obras ou estruturas físicas. Significa criar experiências capazes de aproximar pessoas, despertar propósito e fortalecer vínculos sociais. Porque formar cidadãos não é apenas transmitir conteúdo dentro da sala de aula, mas também estimular nossos jovens a reencontrarem conexão com o mundo real, consigo mesmos e com a comunidade onde vivem.
(*) Luís Henrique Kittel, 40 anos, é jornalista formado pela então Unifra, atual UFN. É prefeito de Agudo (o único do PL na região), e é o atual presidente da Associação dos Municípios da Região Central (AM Centro) e já foi vice-presidente do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia. Ele escreve no site às quintas-feiras.





Resumo da opera. Atividade esportiva é importante. Mas alguém disse há um tempo atrás ‘Mens sana in corpore sano’.
‘[…] as Olimpíadas Estudantis dos Anos Finais, que reuniu cerca de 500 jovens de nove escolas do município.’ E nas olimpiadas de matematica, portugues e ciencias quantos participam?
‘Nesse cenário, o desafio dos professores se tornou gigantesco.’ Se tentarem fazer as coisas como sempre foram feitas vai ser uma luta ingloria. Professores tem que mudar, se adaptar.
‘Além de ensinar matemática, português ou ciências, […]’. Coisas que os Vermelhos não conseguem captar. Matematica desenvolve o raciocinio logico e a capacidade de resolver problemas. Portugues a capacidade de se comunicar, de compreender o que é dito e escrito. Ciencias é uma descrição de como funciona a natureza, desenvolve o senso critico. Dai o pessoal que defende a ‘formação da cidadania’ acha que alguém pode desempenhar o papel social (no publico e no privado) sem estes atributos.
‘Hoje, talvez o maior desafio dos professores seja disputar a atenção dos jovens com um mundo dominado por telas, imediatismo e excesso de informação.’ Existe uma generalização perigosa neste discurso. Generalização puxa a superficialidade. Que facilita a manobra e os erros. De qual ‘jovem’ se trata, os que moram num morro no RJ, na periferia de SM, num bairro de luxo em Curitiba ou na beira de um rio na Amazonia?