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BLEFE? Maciel só sai do PMDB com a “janela dos vira-casacas”. E talvez nem assim

João Carlos Maciel, o varejo e o problema com o eleitorado

Faz pelo menos nove dias que se tornou pública uma dita insatisfação do vereador João Carlos Maciel com o PMDB. Mais que isso, sua vontade de, em último caso, deixar o partido e concorrer a prefeito pelo PSB, sob as bênçãos da maior liderança da sigla no Estado, o deputado federal e secretário de Infraestrutura, Beto Albuquerque.

Quem primeiro tratou do caso foi a colega Priscila Abrantes, do Diário de Santa Maria, em nota publicada na coluna APARTE (em 30 de abril). Depois, mereceu artigo AQUI, pelo jornalista Gilson Piber. E na última semana, recebeu quase uma página em reportagem do jornal A Razão. Todos considerando a possibilidade de Maciel, com seus oito mil votos conquistados para a vereança, alçar-se a uma disputa mais elevada – não obstante a sua propalada amizade com o atual comandante do Executivo, Cezar Schirmer, grande patrocinador político do político/radialista desde a chegada dele a Santa Maria.

São duas questões a considerar. Uma de natureza legal. Outra, política. Ambas, objetivamente, não sustentam a pretensão do vereador – admitindo-se, obviamente, que ela exista, de fato. O que este editor, respeitosamente, duvida. Mas, como superar esses dois obstáculos, nenhum pequeno?

Politicamente, desde o início do mandato de Schirmer, Maciel tem demonstrado insatisfação com o desempenho do prefeito junto às classes que o ajudam a ser campeão de votos. Exatamente os moradores da periferia, que escutam seu programa de rádio e beneficiários da prática assistencialista (e aqui não é crítica, que poderia ser, mas constatação). Como o vereador cuida do varejo, se vê em dificuldades (ah, estar no poder é beeeem diferente de ser oposição) cada vez que alguém reclama de alguma coisa do governo dele, Maciel. E aí ele vai para a tribuna e tasca fogo na administração. Para atacá-la? Não, para manter seu salvo-conduto político/eleitoral. Nada além disso – que não é pouco.

Assim, como resolver o problema, no caso do PMDB, para manter seu edil, se assim entender? Ora, resolvendo as questões propostas com a presteza que ele exige. É possível? Talvez sim, talvez não. Governar não é fácil, ainda mais com um aliado tão pedichão. Palpite claudemiriano: alguma coisa será feita, mas não tudo – porém o suficiente para acalmar o inquieto edil.

E a segunda questão, a de natureza legal? Simples: a menos que queira perder o mandato (que imediatamente será requisitado pelo PMDB, com chances plenas de êxito), Maciel não poderá deixar o partido. Com o que se inviabilizaria a candidatura a prefeito. Admita-se, porém, que Maciel se disponha a assumir isso, colocando a perda do cargo como trunfo junto ao seu eleitorado. Será? Ano e pouco sem a tribuna da Câmara, somada aos quatro meses fora do rádio, não é muito para quem precisa de mídia para desenvolver seu proselitismo?

Trata-se de avaliação a ser feita por Maciel. Mas é real a hipótese de deixar o parlamento. O que faria, então? Um cargo estadual e/ou federal de visibilidade, garantido pelo (novo) padrinho político, Beto Albuquerque? Queeeem sabe?! (Essa dica, é bom dizer, foi repassada ao editor por um militante de experiência, e merece ser levada em conta).

Há uma possibilidade, nem tão remota assim, de a reforma política (se acontecer, claro) ser aprovada, mesmo parcialmente, em seguida. Nesse caso, um dos itens cotados para ser chancelado no Congresso, é exatamente a tal “janela da infidelidade” – ou “dos vira-casacas” -, a ser aberta, tchan-tchan-tchan-tchan, exatamente em setembro. Que tal? Nesse caso (nem tão impossível), Maciel poderia ir para onde quisesse, inclusive o PSB, em tempo de qualificar-se à disputa de 2012.

Para fechar, a opinião claudemiriana: João Carlos Maciel continuará, tanto quanto lhe for permitido, fazendo essa dupla função. Isto é: de um lado alisando o governo, para não ficar mal com os aliados (que já andam embrabecidos, cá entre nós); de outro, batendo no governo, para agradar aos eleitores. No fim das contas, tudo fica como está hoje. E ele puxará os votos, quem sabe elegendo mais um ou dois peemedebistas, em 2012. E é isso.

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7 Comentários

  1. cargo estadual ou federal? como explicar isso p/ o eleitor dele? … e de ideologias não se fala mais? tem coisas que meu raciocínio não consegue mais acompanhar … é a idade, acho.

  2. Tem dois ditados populares que resumem o fato . “tudo como dantes na casa de Abrantes” e outro “muito grito e pouca lã (tosquia de porco)” …
    Ora. O Maciel é homem de partido e se elegeu com o coeficiente eleitoral do PMDB, portanto deve sim o fato de ser vereador ao PMDB e a seu amigo Prefeito Schirmer que sempre dentro das suas possibilidades atendeu as demandas de Maciel.
    Com relação a Maciel tenho claro q seus compromissos tbm devem ser com seus eleitores e o que baliza alguma de suas manifestações.
    Estaremos todos juntos em 2012 pois os ditados populares resumem o fato. Assunto encerrado, espero.

  3. O Maciel tem todo o direito de trocar de partido. Quando ele se elegeu, o partido e o prefeito disseram que ele era pareceiro. Agora estão tratando o maior número de votos da cidade muito mal. Espero

  4. Claudemir, te esqueceste da terceira questão: ele não precisa trocar de partido para perder o cargo, quando cassado ele perderá tudo durante oito anos, correto?
    (NOTA DO SÍTIO – Depende de sentença judicial condenatória transitada em julgado. Por enquanto, o edil foi sequer julgado. E não há qualquer julgamento ainda do caso, em em primeira instância, e que, inclusive, pode redundar na absolvição do parlamentar – que tem o mais amplo direito de defesa, como manda a a democracia.)

  5. A troca de partido é um direito de todos. Agora agir como o vereador esta fazendo é muita cara de pau, oportunismo puro. Mas o que poderia se esperar de uma pessoa que a qualquer momento poderá ser cassado por dividir salário dos seu assessores. O MP é coisa séria e não brinca em serviço.

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