Caso do Dossiê. Lula afasta coordenador da campanha. Assume gaúcho Marco Aurélio Garcia

A confissão do presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, que teve contato com representantes da revista IstoÉ, o que significou, na prática, uma confissão, obrigou Luiz Inácio Lula da Silva a afastá-lo do comando da campanha. Isso aconteceu no início da noite desta quarta-feira, quando foi anunciado o substituto: Marco Aurélio Garcia, assessor especial para questões internacional e autor do texto final do programa de governo.

Com a decisão, que pretende demonstrar o interesse de Lula em afastar-se do escândalo, a venda de um dossiê contra o candidato ao governo paulista pelo PSDB, José Serra, por suposto envolvimento com a máfia dos sanguessugas, o presidente candidato à reeleição manda mais um recado: o PT que se lixe, numa versão menos fina. Na mais educada, o PT que resolva seus problemas mas não atrapalhe “a minha reeleição”.

É. Pois é. Talvez valesse a pensa refletir sobre isso. Em todo caso, sobre os bastidores da queda de Berzoini e a assunção de Garcia, leia o que escreveu o jornalista Josias de Souza, da Folha de São Paulo, na sua página na internet:

”Cai Berzoini; Marco Aurélio é novo coordenador

O deputado Ricardo Berzoini (SP) não é mais o coordenador da campanha de Lula. Ele foi afastado em reunião realizada há pouco no Planalto. Estavam presentes Lula, Berzoini e o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais). Marco Aurélio Garcia é o substituto de Berzoini. Para dedicar-se exclusivamente à campanha, Marco Aurélio será será exonerado ainda nesta quarta-feira da função de assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais.

A cabeça de Berzoini é, por ora, o mais vistoso escalpo levado à bandeja pelo dossiêgate. Conforme divulgado aqui no blog na noite passada, Lula começou a cogitar o afastamento de Berzoini antes mesmo de deixar Nova York. Em diálogo telefônico que manteve, no meio da noite, com um de seus auxiliares palacianos, Lula deixara antever que a posição de Berzoini estava sob risco.

Pesou decisivamente na decisão uma informação repassada ontem a Lula. O presidente foi alertado para o fato de que a Polícia Federal considerava indispensável a intimação de Berzoini, para prestar esclarecimentos. Lula concluiu que a manutenção de Berzoini contaminaria sua campanha.

Lula disse que refletiria sobre a encrenca na viagem de volta ao Brasil. Afirmou que não decidiria nada antes de conversar, na volta, com o próprio Berzoini. Já em Brasília, reuniu-se com Berzoini pela manhã. Mas deixou o auxiliar em suspenso. À tarde, Lula realizou uma série de consultas. Foram majoritariamente favoráveis ao sacrifício de Berzoini. Superando uma dificuldade crônica de lidar bem o corte de cabeças, Lula chamou Berzoini ao Planalto e anunciou a sua decisão.

A situação de Berzoini se complicou com a divulgação de uma nota de Época. A revista disse ter sido procurada por dois petistas interessados em empurrar denúncias contra José Serra. Um deles informou que, “no PT, apenas o presidente do partido, Ricardo Berzoini, havia sido avisado do encontro (…), mas sem ter conhecimento do conteúdo do material”.

Berzoini programara uma entrevista coletiva para segunda-feira. Constrangido, cancelou o encontro com os repórteres. Preferiu falar por meio de uma nota, livrando-se da exposição ao contraditório. Informou que, de fato, tivera conhecimento do contato com a revista. Mas ressalvou: “Jamais tive ciência do conteúdo abordado nesse…”


SE DESEJAR ler a íntegra do artigo, pode fazê-lo acessando a página do jornalista na internet, no endereço http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/



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