Macalão e os deputados. Por que a mídia grandona gaúcha não dá muita bola para a denúncia?
O jornal Zero Hora saudou, outro dia, e o fez bem, o fato de um magistrado ter permitido que sua equipe tivesse acesso aos depoimentos de acusados de uma fraude na CGTE, estatal de energia controlada pelo governo federal. Mais que isso, os publicou, com nome e sobrenome dos acusados – ainda que não tenham sido julgados, menos ainda condenados. Ok, ok. Perfeito. Agiu no interesse público, e assim a Justiça entendeu.
Curiosamente, no entanto, não faz o mesmo alarido quando o assunto é muuuuito semelhante e também de interesse público. Ou você não gostaria de saber que há deputados estaduais (eleitos e pagos pelo contribuinte gaúcho) acusados de envolvimento na fraude dos selos? O principal (e por enquanto, único) exposto à opinião pública é um servidor da Assembléia Legislativa, Ubirajara Macalão, indicado pelo PTB (coisa que, aliás, também é esquecida pelo jornal), e que era o operador do esquema.
Afinal, na quarta-feira, Macalão depôs por mais de quatro horas na Polícia Civil, que está fazendo a sua investigação. E fez revelações pra de interessantes para o público. Que, no entanto, nada sabe, porque nada foi publicado. Ai, ai, ai, ai, ai. É por essas e outras que a tal imparcialidade da mídia se transforma em grossa lorota. Não li nada a respeito na Zero Hora desta quinta. E o Correio do Povo tem comportamento, acrescente-se, muito semelhante, para não dizer igual. Hein? E fica a pergunta lá do título: Por que a mídia grandona gaúcha não dá muita bola para a denúncia?
EM TEMPO: no depoimento, ignorado pela mídia, Macalão entregou à polícia um CD com fotos, gravações e documentos sobre o caso de que é (o principal, e único) acusado. Seriam a comprovação da entrega de mais de 100 mil selos a três deputados estaduais e a um ex-vereador de Porto Alegre, já falecido.
Ah, embora ZH e Correio do Povo nada informaram, outros veículos (da mídia pequenininha, mas esta sim independente, de Porto Alegre) já publicaram os nomes: os deputados estaduais seriam Paulo Brum (PSDB), Kalil Sehbe (PDT) e Edemar Vargas – este, ex-parlamentar do PTB. O vereador seria Isaac Ainhorn, do PDT, já falecido. Atenção: eles são acusados, não culpados. Até prova em contrário. Mas, para os dois jornais eles não são nada. Nem existem. Azar do público, que os veículos dizem defender.
SUGESTÃO DE LEITURA – confira aqui a nota Macalão e o silêncio seletivo da mídia, de Marco Weissheimer, na página RS Urgente, por ele editada.





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