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Visando 2010 (3). Um problemão para Schirmer: tem que administrar duas pretensões ao poder

Você, mais até que este (nem sempre) humilde repórter, está careca de saber que a amplíssima coligação que conduziu Cezar Schirmer (foto) a uma vitória histórica em 5 de outubro passado foi, mais que um projeto de poder, uma aliança eleitoral. Com tudo o que isso significa.

 

Assim, os compromissos de campanha obrigaram (e é assim na política; nada há de extraordinário nem a opor) o agora prefeito municipal a atender aos reclamos dos variados, e nem sempre coincidentes, dos grupos que lhe deram a vitória. Não, não, não. O discurso é uma coisa (principalmente quando diante dos microfones), o cotidiano da governança é bem outro.

 

Nesse primeiro ano, a tarefa de administrar as diferenças até que não é tão complicada. No entanto, desde já há questões que precisam ser arbitradas pelo prefeito, sob pena de comprometer o seu projeto de poder. Sim, existe um, de Schirmer, e que deve ser considerado o principal, mas que precisa ser adequado aos interesses dos demais parceiros.

 

O prefeito está politicamente capacitado a desenvolver essa intrincada cadeia de vontades? Está. Pelo menos não lhe falta experiência política para tanto. Mas perderá o resto dos cabelos para buscar o equilíbrio entre, por exemplo, três candidaturas fortes a deputado. Mesmo que, até as pedras sabem, sua preferência e esforços de toda a natureza estarão concentrados no peemedebista (e seu pupilo desde sempre) Tubias Calil.

 

Mas não poderá, sob pena de comprometimento do governo (esse é o desafio), desconsiderar os outros dois nomes: José Farret, do PP, e Jorge Pozzobom, do PSDB. O primeiro, concorrente direto de Calil, para a Assembléia Legislativa; o segundo, concorrendo à Câmara dos Deputados, onde, por dever partidário, o PMDB daqui terá que apoiar (pelo menos do ponto de vista formal e legal) nomes peemedebistas, ainda que forasteiros.

 

É, como escrevi no título desta nota, um problemão. Para o qual, imagina-se, Schirmer está bem consciente. Mas não só isso: diante do quadro estadual (exposto na nota imediatamente anterior a esta, logo abaixo), é certo que a disputa ao Piratini oponha o PMDB do prefeito e de Tubias, pelo menos, ao PSDB de Pozzobom. Que tal?

 

Se a tua cabeça, leitor (e a do repórter também) já está dando nó, imagina a do Chefe do Executivo. Ele não pode perder o apoio político que obteve para se eleger. Ainda mais se tem (e tem, claro) pretensão de ficar oito anos no Centro Administrativo. Mas também terá que apoiar explicitamente seu próprio partido. Que tal?

 

Tenho a convicção que este assunto voltará ao sítio. Os desdobramentos são inevitáveis. No médio e no longo prazos, com certeza. No curto… Quem sabe?

 

 

PS. Aqui não se escreveu de uma possibilidade (mais na mídia e na cabeça de uns e outros, que na prática) de união entre PMDB, PT e PTB (com Germano Rigotto ou José Fogaça, Tarso Genro e Sérgio Zambiasi). Ela é, no mínimo, bastante improvável. Mas, se por uma hecatombe hoje inimaginável se transformar em realidade, aí sim é que Cezar Schirmer (com seu discurso antipetista, não só por ele, mas principalmente por alguns de seus correligionários mais próximos) terão um problemaãoãoãoãoão).

 

PS 2. Também não se escreveu aqui de outro fato, este também relevante e, cá entre nós, não de todo improvável. Aliás, bastante possível: uma união do PMDB com o PT para a sucessão de Lula. Aí, além de problemática, a situação será, digamos, engraçada, pois Schirmer estará no mesmo palanque que ninguém menos Valdeci Oliveira. Mas essa análise ainda pode esperar mais tempo, se o leitor permitir.

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