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Dois anos depois: preparar hoje para proteger amanhã – Rosito Zepenfeld Borges

Maio chega carregado de memória no Rio Grande do Sul. Dois anos após as inundações históricas que marcaram o estado, ainda ecoam imagens, perdas e lições que não podem ser esquecidas. Tragédias dessa magnitude não se encerram quando as águas recuam — elas permanecem como um alerta permanente sobre a necessidade de preparação, organização e, sobretudo, comunicação eficaz.

É nesse contexto que a Defesa Civil do Estado do Rio Grande do Sul promove, no dia 4 de maio, em Santa Maria, a 1ª edição da Capacitação em Comunicação de Risco para Municípios. Mais do que um evento técnico, trata-se de uma iniciativa estratégica que reconhece um ponto crítico nas situações de emergência: a forma como a informação chega até as pessoas.

Comunicar risco não é apenas informar. É traduzir cenários complexos em orientações claras, acessíveis e confiáveis, capazes de orientar decisões sob pressão. Em momentos de crise, uma mensagem mal interpretada pode custar vidas; por outro lado, uma comunicação bem estruturada pode ser o fator decisivo entre o caos e a resposta organizada. Por isso, capacitar gestores, agentes de defesa civil, profissionais da comunicação e até a comunidade acadêmica é investir diretamente na proteção das pessoas.

A proposta da capacitação dialoga com todas as fases da gestão de desastres — prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação. Isso é fundamental. Ainda há uma tendência cultural de associar a atuação em desastres apenas ao momento da resposta, quando, na verdade, os maiores ganhos estão na antecipação. Preparar significa reduzir danos, salvar vidas e minimizar impactos sociais e econômicos.

Outro aspecto relevante é o alcance regional da iniciativa, voltada aos municípios da 3ª Coordenadoria Regional de Proteção e Defesa Civil. Ao fortalecer capacidades locais, a estratégia reconhece que a resposta aos desastres começa no território. São os municípios que estão na linha de frente, que conhecem suas vulnerabilidades e que precisam estar prontos para agir com rapidez e eficiência.

A capacitação também lança luz sobre um elemento muitas vezes negligenciado: a confiança. Em situações de risco, as pessoas precisam confiar nas informações que recebem. Essa confiança não se constrói no momento da crise, mas sim ao longo do tempo, por meio de comunicação transparente, consistente e responsável. Treinar equipes para isso é fortalecer o vínculo entre instituições e sociedade.

Dois anos depois das enchentes, a pergunta que fica não é se novos eventos extremos ocorrerão — porque eles ocorrerão —, mas sim o quanto estaremos preparados quando isso acontecer. Iniciativas como essa demonstram que a resposta está sendo construída, passo a passo, com conhecimento, planejamento e compromisso coletivo.

No fim, a verdadeira medida de uma tragédia não está apenas no que foi perdido, mas no que se aprende com ela. E aprender, nesse caso, é agir antes que a próxima chuva comece.

(*) Rosito Zepenfeld Borges é Engenheiro de Segurança do Trabalho. Ele escreve no site às segundas-feiras.

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