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Para fazer sentido – por Carine Prevedello

“Fazer sentido” é uma expressão que pode carregar uma série de significados diferentes. Para o senso comum, talvez, baste que entendamos que uma frase, uma construção de justificativas, ou um discurso qualquer, seja coerente. É aceitável, ou seja, faz sentido. Para a linguagem acadêmica, à qual estão inevitavelmente condicionados os estudantes de pós-graduação (é o meu caso), essa simples conclusão passa a não ser tão objetiva.

Quando falamos em “fazer sentido” no estudo da Comunicação, estamos falando em formas de gerar discursos (que pode ser um ato de falar, uma fotografia, uma atitude gestual, uma propaganda) que atribuem valores simbólicos a determinadas coisas, pessoas ou fenômenos sociais. As novelas trabalham a construção de sentidos a todo o momento, propondo uma espécie de visão da sociedade, trabalhando certos debates de interesse cultural, econômico ou mesmo político, ditando modismos a serem seguidos e hábitos a serem imitados. São sentidos circulando (da esfera da mídia para a esfera pública, ou seja, para os grupos sociais) e sendo assimilados, assumidos ou reelaborados.

Os sentidos são formados na imbricação das construções culturais e sociais, fundamentalmente. Aquilo que faz sentido para cada um de nós, evidentemente, passa pelas influências que tivemos, pelo conhecimento e ensinamentos que recebemos, mas também é testado e reformulado a todo instante pelas relações de amizade, afeto, compromisso formal ou familiar que estabelecemos. Assim como aquilo que faz sentido também está relacionado à cultura em que vivemos, às transformações políticas e econômicas a que estamos suscetíveis, às interferências que vem de todas as instituições a que estamos submetidos. O professor Antonio Fausto Neto, um dos mais importantes teóricos da Comunicação no Brasil, já disse que o sentido se constrói através “de um feixe de relações”, e por isso é inapreensível. O que quer dizer que o sentido depende da interpretação pessoal, e que por isso dificilmente conseguiremos compreender com exatidão os sentidos que determinados símbolos ou mensagens adquirem para cada pessoa.

Em todo o caso, é preciso, minimamente, perseguir uma linguagem, ou um discurso, que faça sentido para o ambiente em que estamos inseridos. E essa é uma preocupação que divido com os leitores desse espaço, após alguns retornos recebidos em relação ao primeiro artigo que publiquei neste sítio. Dedico-me, a partir de agora, independentemente do academiquês em que estou imersa, a buscar um sentido comum, que nos aproxime neste espaço.

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