ELEIÇÕES 2010. O cientista político e o drama da oposição, que tinha discurso e o perdeu para Lula

Este talvez seja o grande (e talvez incontornável) problema para a oposição, no caso da eleição para a Presidência da República. Governando oito anos com Fernando Henrique Cardoso, o PSDB criou uma série de bolsas. Elas foram consolidadas por Luiz Inácio Lula da Silva, que virou o grande benfeitor, através do Bolsa Família. Há outras situações, mas essa é talvez a mais visível.
De outra parte, é mais ou menos consensual, que credita-se ao atual presidente a correta manutenção dos princípios macroeconômicos implantados por FHC, que, porém, não consegue passar isso para a sociedade. E daí, como fica? De que forma a oposição conseguirá (ou não) faturar com seus próprios méritos?
Esses temas, entre outros, foram tratados em excelente entrevista concedida pelo cientista político Murilo Aragão a Sonia Racy, d’O Estado de São Paulo, em texto reproduzido pelo jornalista Luis Nassif. Vale a pena conferir. A seguir:
“PSDB teria de retomar o discurso de Lula…
… Não há como escapar: o Brasil vai atravessar 2010 mergulhado na disputa eleitoral. O governo vai ligar as trombetas e dizer que nunca o povo esteve tão bem e que a melhor saída é o continuísmo. E a oposição terá de se virar à procura de um discurso – porque perdeu o dela para Lula, e não soube retomá-lo.
É assim que o cientista político Murilo Aragão, presidente da ArkoAdvice, vê o cenário nacional – e tudo temperado por uma forte retomada da economia. “Vemos hoje o oposto do que ocorreu em 1994″, diz ele. “Naquela época, o PT tentou desqualificar o Plano Real, mas ele deu certo.” Na prática, alerta Aragão, PT e PSDB têm visões semelhantes do País e a decantada falta de discurso dos tucanos existe porque o partido não soube “desenvolver um discurso para se apropriar do discurso de Lula”. A seguir, trechos da entrevista.
Qual a paisagem à vista, para 2010?
Um mundo político totalmente focado nas eleições e, fora delas, a retomada da economia.
O que o sr. chama de “retomada”?
Os indicadores são muito positivos. Deveremos ter crescimento acima dos 5%. No transporte aéreo, por exemplo, já tivemos um aumento expressivo em 2009 e tudo indica que esse ritmo continua em 2010.
Há economistas alertando para o problema de investimentos. Eles virão na medida necessária?
O Brasil é, hoje, um destino atraente para o investidor estrangeiro. Já é o quarto maior destino – só perde para China, EUA e Índia. Mas vamos viver um período com um vetor de expansão econômica e outro de pressão sobre a política cambial.,,”
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SUGESTÃO ADICIONAL – confira aqui, se desejar, também outras reportagens, notas e artigos publicados e/ou comentados por Luis Nassif.





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