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Irgendwie, Irgendwo. De alguma forma, de algum lugar – por Jorge Luiz da Cunha

Cheguei em Stuttgart, capital do estado alemão de Baden-Württemberg, no último sábado, dia 31 de julho. Verão típico do sul do Brasil no sul da Alemanha. Num mesmo dia frio, calor, chuva e sol.

Encontrei a cidade ocupada com suas tradicionais festas de verão, especialmente a Christopher-Street-Day. Uma festa popular que lembra as primeiras manifestações de gays, lésbicas, travestis contra as agressões da polícia de New York em 28 de junho de 1968, na Christopher Street.

A opinião pública alemã continua ocupada com a tragédia que deixou 21 mortos e mais de 500 feridos, na última Love Parade de Duisburg, em 24 de julho passado. O desastre é considerado uma falha imperdoável da organização e irresponsabilidade dos políticos locais. Além disso, as sistemáticas denúncias sobre abusos sexuais por parte de membros do clero católico continuam ocupando as páginas dos principais jornais e revistas. Há, por aqui, também um vivo interesse quanto a inoperância e ineficácia das medidas necessárias à reconstrução do Haiti e pacificação do Afeganistão.

O que me chama a atenção de forma especial é o sentimento de desapontamento, generalizado entre os alemães, quanto às reformas colocadas em curso nos últimos anos no sistema educacional. A universalização da educação básica através da obrigatoriedade da frequência difundiu-se nos territórios da Prússia a partir de 1717 e efetivou-se no transcorrer do século 19 quando lenta e sistematicamente, foi suprimido o trabalho infantil em toda a Alemanha. O sistema educacional ganhou forma e efetividade com a Reforma de Wilhelm Humboldt, em meados do século 19. Os 13 anos de escola, concluídos após os estudos ginasiais com o Abitur – Allgemeine Hochschulreife, permitiam o ingresso na Universidade.

A educação superior é tradição e unanimidade por aqui. As primeiras universidades surgiram no começo do século 14, Heidelberg, em 1385, Colônia em 1388 e Erfurt, 1392. A marca da história das instituições universitárias neste país é a luta pela liberdade do ensino e da pesquisa. A flexibilidade dos currículos acadêmicos, a associação entre ensino e pesquisa desde os primeiros semestres, a flexibilidade dos tempos deformação, e a gratuidade eram a garantia de uma sólida formação profissional e humanista.

As consequências da globalização e os compromissos assumidos pela República Federal da Alemanha com a Comunidade Européia, através do Acordo de Bologna, em 1999, que previa a uniformização dos sistemas escolares e universitários num prazo de 10 anos, produziram efeitos discutíveis e controversos sobre a educação. Na maioria das universidades públicas, há alguns anos aboliu-se a gratuidade, paga-se semestralmente de 500 a 600 euros para estudar. Neste contexto de mudanças e transformações muitos cursos foram encurtados e introduziram-se os cursos de Bachelors (bacharelados) e Masters (mestrados) no lugar dos cursos profissionais de longa duração (Diplom-Studiengänge e Magister-Studiengänge). O sistema educacional alemão está em processo de franca transformação. Os objetivos somente poderão ser avaliados com o transcorrer do tempo. O resultado pode não ser o esperado!

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Um Comentário

  1. boas e más notícias do prof. Jorge da Cunha…a precarização do ensino não acontece só aqui, mas com nossos primos mais velhos e ricos também…um processo semelhante aqui a pseu-expansão do governo lula através do REUNI – “o resultado pode não ser o esperado”.
    grande abraço e boa viagem ao professor.

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