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A opção pela “pequenez” não ajuda o Rio Grande nem o Brasil – por Valdeci Oliveira

“Não se trata mais somente de esquerda ou direita, mas de soberania”

Há momentos na vida das sociedades em que o posicionamento e a opinião política dos seus líderes diante dos fatos servem tanto para elevá-los ao respeito público quanto para mostrar o tamanho da sua pequenez. Ao ser questionado por jornalistas do Correio do Povo na semana passada, sobre o que achava das medidas cautelares impostas naquele dia pelo STF ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o governador Eduardo Leite não deixou dúvidas de que lado está. Está do lado dele próprio.

A abordagem foi no âmbito do inquérito que investiga a articulação de ações junto ao governo Trump, que resultaram na maior taxação – sem justificativas verdadeiras – imposta ao Brasil por uma nação estrangeira, e que claramente configuram como de lesa pátria e traição ao povo brasileiro – suas indústrias, agricultura, empregos e Justiça incluídos.

Como um mussum, liso e escorregadio, de forma a não se comprometer contrariamente à parte considerável do eleitorado ou esperar para ver de que lado o vento sopraria durante o dia, iniciou dizendo que não sabia de detalhes, sendo que aquele era o assunto mais comentado de norte a sul do país e àquela altura tinha até atravessado as fronteiras nacionais.

Sem medo de errar, qualquer um com um senso mínimo de análise e avaliação da realidade sabe que o chefe do Executivo gaúcho não tinha como não saber, pois aquela era a pauta, o assunto do momento em todas as redes sociais e sites de notícias.

Por outro lado, não se intimidou e não mediu esforços nem palavras para destilar acusações de aproveitamento político do tema pelo presidente Lula, como se atuar em defesa do Brasil, sua economia e soberania não fosse o mínimo esperado daquele ou daquela que, eleito pelo voto e não colocado lá por meio de um golpe, esteja ocupando o Palácio do Planalto. Bem, justiça seja feita, pouco tempo atrás vimos que não é bem assim.

De qualquer forma, a postura de Leite foi vergonhosa, indigna para qualquer pessoa que almeje ser, mesmo que minimamente, vista e reconhecida como uma liderança política de respeito, independentemente do campo ideológico.

Dizer que é um certo ‘tensionamento’ que gera e gerou as decisões unilaterais por parte de Trump, e que as medidas que estão sendo estudadas e buscadas, via diplomacia, se tratam de ‘interesse político eleitoral, mais do que de interesse do próprio país’ é ignorar o algoz e culpar a própria vítima, é fazer de conta que a tentativa de golpe no país em 8 de janeiro de 2023 se encerrou naquele momento.

Governador de um estado que está em segundo lugar entre as unidades da federação que mais sentirão os efeitos com as perdas advindas com a taxação dos Estados Unidos, Eduardo Leite mostrou seu tamanho, que é inversamente proporcional ao problema que teremos de enfrentar caso Trump mantenha sua disposição de ser o ‘imperador do mundo’, como disse Lula, e querer livrar os golpistas do julgamento da Justiça.

E continua a mostrar sua pequenez política quando diz que não foi chamado para nenhuma reunião com o governo Federal para tratar do tema. Aqui, duas questões: precisa esperar ser chamado?; que medidas efetivas o próprio estado tem condições de apresentar ou colaborar, seja de forma unilateral ou em conjunto com outros governadores e a União?

De qualquer forma, essa de colocar o pé em duas canoas ou dar uma batida no prego e outra na ferradura sempre que isso melhor que convier, não surpreende quem acompanha a política cotidianamente, basta lembrar das posturas de ‘filho mal-agradecido’ do governador diante do auxílio do governo Federal para a reconstrução do nosso estado, que totalizou, em diferentes ações, a R$ 110 bi.

Atuar próximo da condescendência a uma ação estrangeira nociva por estar receoso de que a atuação do seu país, legítima e necessária, pode, supostamente, vir a beneficiar eleitoralmente um oponente resume a real estatura – moral e política – do governador. E o que é pior, confunde a opinião pública sobre quem é o verdadeiro algoz e quem é realmente a vítima. Relativizar, a depender do momento ou do público, tamanho ataque à soberania de um país, com envolvimento direto de um ex-presidente da República que visa se beneficiar diretamente com o imbróglio, apenas piora o quadro quando o país em questão é o nosso, o mesmo do governador.

O que Eduardo Leite precisa entender é que não se trata mais somente de esquerda ou direita, mas de soberania, de uma ação injustificável por parte do governo estadunidense e de que não devemos nos sujeitar aos mandos e desmandos de outra nação. E que isso vai além, isto sim, das suas pretensões eleitorais.

Aliás, governador, nossa soberania não é ‘fator tão difícil de ser superado’, como o senhor disse a um veículo de imprensa. Nossa soberania é inegociável.

(*) Valdeci Oliveira, que escreve sempre as sextas-feiras, é deputado estadual pelo PT e foi vereador, deputado federal e prefeito de Santa Maria.

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7 Comentários

  1. Resumo da opera. ‘Inimigo’ externo, pedra cantada nos comentarios antes da confusão começar. População elegeu um bando de ignorantes despreparados. A urna fala e o corpo paga. Ossos da ‘democracia’.

  2. Dudu Milk faz campanha pré-presidencial mas vai sair para o Senado. Para o Planalto não tem chance. Simples assim.

  3. ‘[…] e que as medidas que estão sendo estudadas e buscadas, via diplomacia,[…]’. Não existe interlocução diplomatica entre EUA e Brasil. Governo Rato Rouco nunca fez questão. Até a China que tem mais ‘bala’ negocia. Falta de noção e bravatas eleitoreiras.

  4. Comuna plantou o factoide. Imprensa cumpanhera inflou. Rato Rouco o que disse? ‘Ninguém põe a mão nos nossos minerais’. Ou seja, ‘soberania’ deu uma melhorada nos resultados das pesquisas e é por ali que ‘a gente faz o diabo’.

  5. Terceiro. Brasil tem reservas de neodimio, praseodimio, terbio e disprosio. Que são utilizados na fabricação de magnetos/imãs. Não chips. Litio não é terra rara, é usado em baterias e existem paises com reservas maiores. Niobio é utilizado em magnetos supercondutores e certas ligas de aço.

  6. Segundo. Do factoide. Empresarios do Instituto Brasileiro de Mineração foram pedir penico para o encarregado de negocios da Embaixada Ianque. Terceiro ou quarto escalão. Não existe embaixador ianque indicado para o pais, até porque a guaipecada poderia se crescer em cima do estrangeiro. Ele teria dito que os ianques estariam interessados em terras raras tupiniquins. Fonte Raul Jungmann. Que já foi PCB.

  7. Para começo de conversa não conheço ninguem com mais de dois neuronios que estão preocupados com os ‘juizos de valor’ petistas.

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