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Outro ano, outra guerra – por Elen Biguelini

Já se tornou praxe nesta coluna o pararmos uma série sobre história das mulheres para discutir eventos contemporâneos. E muitos destes foram uma guerra.

Infelizmente, fazemos parte daquele meme no qual um personagem de uma série retorna a casa com pizzas, enquanto a casa está em fogo. Entra ano e passa ano, nos vemos novamente observando atônitos as mortes desnecessárias e os egos de políticos brigando um com o outro.

É triste ver que o futuro do mundo está nas mãos de mentes que só pensam em si.

Bom seria se pudéssemos ter certeza que elegemos a melhor opção, mas um momento no qual está na moda o preconceito e a ignorância, acabamos tendo que optar pelo menos pior. E mesmo assim, as vezes são eleitas as piores espécimes da humanidade.

É triste ver pessoas que conhecemos acreditarem piamente em pessoas que claramente mentem e só pensam em si próprios, que fingem o interesse pelo outro mas na verdade só querem aumentar seu bolso. É triste assistir enquanto países inteiros votam pelo fascismo e a repetição de erros do século passado. É triste ver pessoas inocentes morrerem na mão de polícias políticas, ou de ignorantes obcecados que veem o outro como inimigo, quando o outro sofre hoje o que estas pessoas iram também sofrer no futuro.

O gosto de berrar “Eu avisei!” se perde no choro alheio.

Eu preferia ter errado. Preferia que estivesse sendo exagerada e que as escolhas alheias não fossem assim tão ruins. Mas saber que não votamos nela não diminuem os mal que fazem.

Começamos um ano já com novas noticias de invasão. E ver pessoas defendendo uma invasão sempre dói. Claramente a pessoa raptada não era o melhor líder, claramente era também um ditador. Mas isso não justifica o que foi claramente uma jogada econômica objetivando o petróleo. E dá medo. A américa latina como um todo agora está com medo. Porque os loucos não param no primeiro degrau, eles sobrem as escadas.

Jamais imaginei que veriam um presidente jogar WAR com a política internacional, sem sofrer consequências. Que sociedade é esta que novamente observa calada uma atrocidade?

Os eventos desta semana demonstram ainda mais o porquê temos tanto medo do que loucos no poder podem fazer. Já passamos do estagio inicial. Já não são apenas os estrangeiros. Uma polícia politica aos moldes da Gestapo já começam a eliminar aqueles que se opõe a eles.

Escrevemos aqui no passado sobre o temor de termos loucos no poder. E este medo agora só cresce com cada novo passo dado.

Espero que estejamos todos aqui no futuro para poder observar o que passou, mas infelizmente, como os eventos desta semana se comprovam, nem todos iremos sobreviver a um maníaco por dinheiro que acha que comanda o mundo em uma posição tão alta.

(*) Elen Biguelini é doutora em História (Universidade de Coimbra, 2017) e Mestre em Estudos Feministas (Universidade de Coimbra, 2012), tendo como foco a pesquisa na história das mulheres e da autoria feminina durante o século XIX. Ela escreve semanalmente aos domingos, no Site.

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