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JORNALISMO. Qual o futuro dos jornais impressos, uma pergunta ainda sem resposta

Ontem à noite, juntamente com o repórter Carlos Wagner (Zero Hora), a professora Luciana Mielniczuck (UFSM), o editor deste sítio participou do debate acerca do futuro dos jornais impressos, o tema proposto por mais uma edição do “Cultura da Sedufsm”, da Seção Sindical dos Docentes da UFSM. O presidente da Sedufsm, professor e jornalista Rondon de Castro, foi o mediador.

O relato da discussão vem através da reportagem de Fritz Nunes (também autor da foto), da assessoria de imprensa da Sedufsm. Acompanhe:

 “Jornais terão que se reinventar, dizem os palestrantes do Cultura na SEDUFSM

Jornais impressos sobreviverão? Talvez. Mas, e de que forma? Eis um dos motes da discussão de ontem à noite

Os jornais não acabarão, mas eles terão que se reinventar. A opinião é do jornalista e colunista político de A Razão, Claudemir Pereira, que também é responsável por um site de informações que leva o nome dele. Para o repórter especial de Zero Hora, Carlos Wagner, a briga entre jornais e a internet é algo sem sentido, pois há espaço para todos. Já a professora de jornalismo da UFSM, Luciana Mielniczuck, considera que a redução do espaço dos jornais no mercado começa antes do surgimento da internet e tem relação com a questão da “qualidade do jornalismo” que se produz. Essa seria uma síntese das análises manifestadas na noite desta terça, 5, durante o Cultura na SEDUFSM que, em sua 43ª edição, trouxe como tema “O fim dos jornais impressos”. Cerca de 40 pessoas prestigiaram a atividade, que teve a coordenação do presidente da SEDUFSM, professor Rondon de Castro.

O ponto de partida para as discussões do debate é a transformação de um dos mais tradicionais jornais do país – o Jornal do Brasil, JB – de impresso apenas para a versão eletrônica, ocorrida no início do mês de setembro. Se no Brasil, essa situação ainda é pouco comum, em países como os Estados Unidos, a migração dos impressos para a versão digital tem se ampliado. Em uma de suas intervenções, o jornalista de ZH, Carlos Wagner, destacou que a grande questão que está por trás de tudo são os custos, pois a internet torna mais barato fazer jornais. Entretanto, fazer reportagem investigativa, de qualidade, tem um custo bastante alto, destaca ele, autor de dezenas de grandes reportagens, que acabaram se transformando em livros.

Claudemir Pereira, que ao longo de mais de uma década foi editor do jornal A Razão, afirma não saber como será tecnologicamente um jornal do futuro, nem sabe se será na versão impressa, mas acredita que continuarão existindo. Na realidade, o fenômeno que se verifica, segundo ele, é a diluição da influência dos jornais, ou do conteúdo produzido por eles, a partir da disseminação da internet, especialmente das redes sociais como o twitter e o facebook. O jornalista deu exemplo por ele mesmo, pois durante o debate dos candidatos a presidente da República, acompanhou o enfrentamento político pelo twitter e não pela televisão.

Para a professora Luciana Mielniczuck, um dos pecados dos grandes jornais é de continuarem se comportando como se não houvesse internet e, por isso, em algumas situações, acabam se tornando antiquados. “O impresso ainda não encontrou seu novo lugar”, ressaltou ela. Sobre o comportamento dos jornais, Carlos Wagner analisa que o futuro dos impressos passa pela consolidação do repórter como um “produtor de conteúdo”. A partir da internet, argumenta, o que se destaca é a “comunicação direta” através das chamadas redes sociais e, com isso, o papel de intermediário exercido pelo jornalista está com os “dias contados”. A partir desse fato, antevisto por Wagner, o papel do jornal impresso seria de “formação e análise”, se destinado a uma elite cultural. A internet e o rádio, vaticina, serão as ferramentas da comunicação de massa.

OVERDOSE– O jornalista de ZH elogia a internet e as redes sociais em um aspecto: formou-se uma pressão nas redações e a prepotência dos jornalistas está sendo questionada. Entretanto, o grande perigo, segundo ele, é que a redação passou a trabalhar sem “filtros”. A instantaneidade, na maioria das vezes, impossibilita a apuração mais profunda sobre a veracidade das informações. “Ficou mais difícil separar boato de informações”, destacou Carlos Wagner. Ele também frisa que a credibilidade do profissional passa justamente pelo processo de apuração da notícia. E, atualmente, na opinião dele, 80% do que aparece em ferramentas de comunicação como no twitter são totalmente “dispensáveis”.

Wagner diz que uma das características do século é a “multitarefa”. Isso pode ser exemplificado por boa parte das pessoas que vivem plugadas à rede virtual. Não basta mais receber e enviar e-mails ou bater papo pelo Messenger. Com a disponibilidade e popularização das redes sociais, quem não está no Orkut, no twitter ou no facebook, é visto de certa forma como um pária.

Para Luciana Mielniczuck, a questão do “deslumbramento” com a internet é um fato real nos dias atuais. Contudo, há quem esteja conectado a maior parte do tempo por uma questão profissional. O jornalista Claudemir Pereira enfatiza que acompanha as notícias através da rede virtual cerca de 16h por dia. E isso não ocorre apenas pelo computador. O celular também é uma ferramenta nessa conexão com as notícias em tempo real. Claudemir cita que acessa pelo menos 40 sites diferentes, diariamente.

Portanto, o consenso único é de que não há certeza em relação ao futuro do jornal impresso. Ele pode se tornar um produto a ser consumido por uma elite cultural, mas também pode passar a ser lido em uma forma virtual. Os elementos colocados por todos os debatedores referiram de que o modelo atual de jornalismo impresso está fadado a perder cada vez mais terreno, especialmente pela repetição de conteúdos já disponibilizados pelas ferramentas virtuais. A questão se torna mais intrigante quando se sabe que a internet ainda não é um instrumento massivo no Brasil. Nos grotões, ainda se ouve basicamente rádio. Quando a internet chegar à maioria da população, será que o jornal impresso sobreviverá?

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