KISS. Caminhada cria um silêncio ensurdecedor em Santa Maria. E visita de uma sobrevivente da tragédia

Com manifestantes portando mordaças, para mostrar que todos são pessoas ordeiras e não baderneiros ou vândalos, mas apenas interessados em pedir Justiça, familiares das vítimas da tragédia de 27 de janeiro acabaram, com sua atitude, por ensurdecer a cidade. Foi hoje à tarde, no centro de Santa Maria.
O fato é que, desde que foram libertados os quatro réus presos na Penitenciária de Santo Antão, na quarta-feira, ampliou-se a revolta dos familiares, que intensificam as ações para chamar a atenção e clamar por Justiça. E não apenas em relação aos já processados, como não cansam de dizer alguns deles.

Mas também houve um fato diferente, na tarde de hoje: a visita de uma sobrevivente, Jéssica Duarte da Rosa, que mora no Paraná. Ela sobreviveu, embora tenha sido hospitalizada. Seu namorado, Bruno, não. E com a mãe dele, Rosane Portella Fricks, participou do início da manifestação. Rosane não quis caminhar. Mas fez questão de dizer: “eu quero justiça, sim, não só para os quatro que estavam presos, mas o pacote todo (prefeitura de Santa Maria e bombeiros).”
Pooois é. Sobre tudo isso, e mais um pouco, inclusive acerca da próxima manifestação já marcada, acompanhe o material originalmente publicado pelo portal Terra. O texto e as fotos (exceto o selinho que abre esta nota) são de Luiz Roese. Acompanhe:
“Jovem que sobreviveu ao incêndio na Kiss volta a Santa Maria pela 1ª vez…
…Este sábado foi um dia de reencontro entre uma jovem que sobreviveu ao incêndio na Boate Kiss, em 27 de janeiro, e a cidade de Santa Maria (RS). Foi a primeira vez que Jéssica Duarte da Rosa, 20 anos, voltou ao município depois de ter saído viva da tragédia. A garota, que mora em Colombo (PR), na região metropolitana de Curitiba, prestou homenagens ao namorado, Bruno Portella Fricks, 22 anos – ele chegou a ser retirado com vida da casa noturna, mas morreu em Porto Alegre seis dias depois.
“Vim para Santa Maria para homenagear o Bruno e para reforçar que a tragédia não caia no esquecimento”, disse a jovem. Jéssica reviu amigos e familiares de Bruno. Ela abandonou o curso de administração na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para se mudar com os pais para o Paraná, e agora vai frequentar um curso pré-vestibular a partir de julho.
O detalhe é que Jéssica só vai assistir às aulas, sem poder escrever. Por causa das queimaduras que sofreu, ela mal consegue mexer o braço direito. A jovem também carrega marcas nas costas e nas pernas, resultantes do inferno vivido na boate em 27 de janeiro.
Jéssica ficou dois dias internada no Hospital de Pronto-Socorro (HPS) de Porto Alegre, e depois foi transferida para o Hospital Cristo Redentor. No total, foram 30 dias de internação, 25 deles em UTI. Hoje, ela tem um rotina que inclui fisioterapia respiratória e motora todos os dias, além de hidroterapia e consultas com pneumologista, nutricionista e nefrologista…”
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Um fato desta proporção exige responsabilização para que a cidade vá para frente.
Enquanto a elite da cidade e do estado tem que encarar isto como terapêutico.
O prefeito e seu governo tem que assumir a omissão, a negligência no caso e cortar na carne.
Nem que seja na carne do chefe do executivo.
O judiciário, através dos promotores que aliviaram o inquérito, tem que ir além do usual que estão acostumados e assumir seu papel institucional em defesa da sociedade e não das autoridades.
O juiz tem que ser firme e célere.
Os desembargadores tem que rever aquela injustiça que fizeram, ao liberar os presos.
Além disto, acho que os sindicatos da cidade e as entidades empresariais não podem ficar em cima do muro.
Se a Cacism quiser assumir a defesa das autoridades e empresários da noite, que assuma.E seu ônus.
Os sindicatos de trabalhadores que assumam a defesa dos pais das vítimas e sobreviventes.
Brava Soeli. Bravíssima.
…E que o pacote inteiro não venha com uma pizza.
Poucas palavras…
A vida, esse fio invisível que pode pegar fogo num lapso de tempo tão ou mais invisível que ela própria. E foi assim, também, que um “fogo invisível” ceifou de muitos corpos, sem dó, a vida de todos eles. Tão jovens, tão lindos, tão VIVOS antes de chegarem ao local de festas, para eles derradeiro!
De tudo, o mais difícil foi olhar para uma mãe, com a foto da filha nas mãos, perguntar: “Olha para ela e me diz que ela está entre os que deram entrada aqui… eu não quero procurar por ela em outro lugar”- Era a emergência do nosso HUSM. (Procurei o dia todo por aquele rosto da foto. Pobre mãe teve que identificar a filha entre tantos espalhados no ginásio). Foi uma pena não terem colocado abaixo as paredes daquele lugar com maior rapidez, teríamos salvado tantos outros mais! Teríamos enxugado em tempo mais curto as lágrimas daquela e de tantas outras mães! Teríamos cansado mais e retornado para nossas casas menos perplexos pelo total de vítimas fatais. Agora, passado meses da tragédia, depois de chorar um pouco a dor daquela e de centenas de outras mães naquele dia, concluo que elas chorarão para sempre e cada vez mais.
Lembram do Quase? (“Quem quase viveu está morto, entretanto, quem quase morreu está vivo”?). Os sensatos, os responsáveis, os honestos em seus pensamentos e ações sabem que para muitos não foi possibilitado nem o Quase… Diante de várias situações vivenciadas ou presenciadas devido à tragédia, perguntas insistem em voltar aos meus pensamentos, a toda hora. Quanto vale uma vida humana para comerciantes inescrupulosos da alegria e da dor alheia? Qual o pior dos comércios: o daquele que vende alegria a uma legião de jovens ingênuos e a pais confiantes ou o daquele que empilha corpos (talvez muitos dentre eles Quase) por interesses inconfessáveis?
A decisão injusta da justiça que se repetiu no dia de ontem condena os mortos e suas famílias pelo ato criminoso que assassinou 242 jovens. Autoriza que poder público e interesse privado prevariquem prostiuam-se e riem a vontade, tingidos (como se numa festa estivessem) pelo sangue alheio. Meu repúdio e esse modelo de prática do judiciário, condecendente com crimes hediondos e que fortalece malfeitores e gestores irresponsáveis. (Que dó daqueles que tem que acordar todos os dias e viver com a lembrança de seus queridos que poderiam estar hoje, à mesa, num dia comum de família feliz!)
Soeli Teresinha Guerra
“eu quero justiça, sim, não só para os quatro que estavam presos, mas o pacote todo (prefeitura de Santa Maria e bombeiros).”
Leia a matéria completa em: https://claudemirpereira.com.br/2013/06/kiss-caminhada-cria-um-silencio-ensurdecedor-em-santa-maria-e-visita-de-uma-sobrevivente-da-tragedia/#ixzz2V17ivMar
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Resumo geral e verdadeiro..de toda à população..,