ENSINO PÚBLICO. Lideranças sindicais docentes têm restrições às 4 novas universidades criadas por Dilma
Na quarta-feira, a presidente Dilma Rousseff assinou as leis que criam quatro novas Universidades Federais no Brasil. Todas no norte/nordeste, das quais duas na Bahia. É evidente, pelo menos a este editor, que se trata de um ganho para a sociedade. Afinal, é acesso ao ensino superior público para gente que, de outra forma, não poderia estudar.
Bueno, mas isso não é unânime. O sindicato nacional dos docentes (o Andes), controlado politicamente pelo PSOL e pelo PSTU, por exemplo, não nega, pelo contrário, suas restrições à expansão universitária. E deixou claro isso, mais uma vez, pelo que se percebe no material produzido pela assessoria de imprensa da Seção Sindical da UFSM. O texto é de Bruna Homrich (com informações do G1, o portal de notícias das Organizações Globo). Acompanhe:
“Governo anuncia novas Universidades Federais…
… Com a sanção presidencial das leis que criam quatro novas universidades federais no país, o movimento sindical docente organizado no ANDES-SN reforça, mais uma vez, as críticas ao processo de expansão universitária propagandeado pelo governo federal petista. Para o presidente da Sedufsm e diretor do ANDES-SN, Rondon de Castro, o anúncio sobre criação de novas instituições federais cheira a posturas eleitoreiras.
“A um ano do início da campanha eleitoral, o governo Dilma, sem atender a todas as demandas da expansão já existente, que está eivada de precariedades, resolve anunciar novas universidades. Não descartamos a importância da expansão, contudo, o ANDES-SN tem produzido seguidamente dossiês sobre a precariedade do que foi expandido nesses 10 anos de governo Lula/Dilma. O sindicato tem se reunido sucessivas vezes com o MEC para cobrar sobre a carência de professores, a realização de concursos, mas até agora, essas reuniões têm sido insuficientes”, argumenta Rondon.
Suze Scalcon, professora do departamento de Metodologia do Ensino da Ufsm e integrante do Comando Local de Mobilização, tem opinião semelhante. “Honestamente, com a criação de outras quatro instituições de Ensino Superior depois da maior greve da categoria docente, ocorrida em 2012, cuja centralidade foi a luta por melhores condições de trabalho, passamos de uma expansão desmedida para um desespero eleitoreiro. E, não por acaso foram contemplados o sul e oeste da Bahia, o sul e sudeste do Pará e o sul cearense. Com certeza com a abertura de algumas outras vagas para servidores (docentes e servidores) teremos uma, ainda maior, precarização da profissão e da vida ativa destes que possivelmente serão também vítimas da Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal (FUNPRESP)”, critica a docente…”
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Apenas uma consideração: talvez para quem não acompanhe as discussões do movimento docente ou não tenha lido nada sobre a greve do ano passado, possa entender que os professores, ou que um sindicato, seja contra a expansão. Mas, não é bem isso. Na condição de quem acompanha as discussões não apenas em Santa Maria, mas anualmente nos congressos do ANDES-SN informo que a grande crítica se refere a uma expansão com muitos problemas, precariedades, especialmente no que se refere a dar conta da quantidade de professores necessária. E isso não é discurso. O ANDES-SN possui um dossiê sobre os problemas de precariedade de norte a sul do país. A Associção dos Reitores (Andifes) tem uma mesa de negociação com o governo para proceder a questão das vagas que até hoje não foram repostas, prejudicando a qualidade do ensino. Dos três candidatos à reitoria da UFSM, dois sabidamente são explícitos ao dizerem que é preciso “repensar”,é preciso “planejar melhor” a expansão, o que corrobora a própria tese defendida pelo movimento sindical. No caso específico, a crítica não é contra que se abra novas universidades, mas sim, que se venga a fazer isso sem que se tenha resolvido problemas sérios existentes nas que já foram expandidas. E, se alguém duvida, que visite, por exemplo, os campi da Unipampa.
Fritz Nunes
Jornalista